O Cine Maior da Record TV exibe neste domingo, 25, o eletrizante “13º Distrito” (Banlieue 13), filme francês de ação lançado em 2004 que se tornou referência tanto pelo uso inovador do parkour quanto pela forte crítica social embutida em sua narrativa. Dirigido por Pierre Morel (Busca Implacável) e escrito e produzido por Luc Besson (O Profissional, O Quinto Elemento), o longa combina adrenalina, denúncia política e um retrato distópico das periferias urbanas.

Ambientado em um futuro próximo, no ano de 2010, o filme se passa em um subúrbio de Paris conhecido como B-13, uma área completamente abandonada pelo poder público. Escolas foram fechadas, serviços básicos deixaram de existir e, sob autorização do governo federal, um enorme muro foi erguido para isolar o bairro do restante da cidade. O resultado é um território sem lei, dominado pelo tráfico de drogas, violência extrema e corrupção policial, onde o Estado só aparece por meio da repressão militar.

No centro da trama está Leïto, interpretado por David Belle (Yamakasi), fundador do parkour e responsável por levar a prática ao cinema de forma espetacular. Morador do B-13, Leïto é um cidadão comum, revoltado com o abandono do bairro e decidido a enfrentar o crime organizado que domina a região. Em um ato ousado, ele confisca uma grande quantidade de drogas pertencente ao traficante Taha, líder absoluto do distrito, desencadeando uma cadeia de violência e vingança.

A retaliação não demora. Incapaz de capturar Leïto, Taha ordena o sequestro de Lola, irmã do protagonista, como forma de punição. Em uma sequência tensa, Leïto consegue inicialmente resgatar a jovem e entregar o criminoso à polícia, mas a corrupção institucional se impõe. Um delegado decide libertar Taha, que sai ileso enquanto Lola é levada novamente ao cativeiro. Traído pelo sistema, Leïto reage com fúria, mata o policial corrupto e acaba sendo preso, reforçando o retrato de um Estado que protege criminosos quando isso atende aos seus próprios interesses.

É nesse ponto que a narrativa se expande com a introdução de Damien Tomaso, vivido por Cyril Raffaelli (Beijo do Dragão), um agente das forças especiais treinado em artes marciais. Damien é convocado pelos militares para uma missão urgente: desarmar uma poderosa bomba de nêutrons prestes a explodir no B-13, com potencial para devastar um raio de quilômetros da cidade. Oficialmente, a arma teria sido roubada por criminosos locais, mas logo fica claro que há interesses obscuros por trás da operação.

Sabendo que Damien não conseguiria se infiltrar sozinho no distrito, os militares o colocam em contato com Leïto, forçando uma fuga da prisão para que os dois atuem juntos. Apesar das diferenças evidentes entre eles, um agente disciplinado e um rebelde moldado pela rua, a parceria se torna inevitável. Ambos têm o mesmo inimigo e objetivos que se cruzam: salvar Lola, desarmar a bomba e expor a corrupção que ameaça exterminar o B-13.

A partir daí, o filme mergulha em uma sucessão de cenas de ação intensas, com perseguições vertiginosas, combates corpo a corpo e sequências de parkour que desafiam a gravidade. Mais do que um recurso estético, o parkour funciona como linguagem narrativa, simbolizando resistência, liberdade e a tentativa de romper muros físicos e sociais impostos aos moradores do distrito.

“13º Distrito” se destaca também pela crítica política. Ao longo da trama, o espectador percebe que a verdadeira ameaça não vem apenas dos criminosos, mas das próprias autoridades, que veem o bairro como descartável. A conspiração envolvendo militares e governantes revela uma lógica de extermínio disfarçada de solução de segurança pública, levantando questões incômodas sobre segregação, exclusão social e abuso de poder.

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Esdras Ribeiro
Além de fundador e editor-chefe do Almanaque Geek, Esdras também atua como administrador da agência de marketing digital Almanaque SEO. É graduado em Publicidade pela Estácio e possui formação técnica em Design Gráfico e Webdesign, reunindo experiência nas áreas de comunicação, criação visual e estratégias digitais.

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