
A partir desta sexta-feira, 11 de julho, a MUBI — plataforma de streaming, distribuidora e produtora reconhecida por sua curadoria ousada e autoral — disponibiliza com exclusividade o aguardado Magic Farm, novo longa da artista visual e cineasta Amalia Ulman, que explora com humor ácido, estética experimental e um olhar provocativo os bastidores da construção de narrativas na era das mídias performativas.
Mais do que um filme, Magic Farm é uma desconstrução — do olhar branco, da indústria de conteúdo, da fronteira entre ficção e realidade. Inspirado pelo jornalismo “semi-gonzo” popularizado pela Vice News na década de 2010, o filme propõe uma reflexão sobre como o suposto olhar alternativo sobre o “terceiro mundo” muitas vezes perpetua estereótipos sob uma nova roupagem, cool e desencanada.
Satirizando a sede por narrativas exóticas
Na trama, acompanhamos uma equipe de documentaristas outsiders em busca da próxima grande “história estranha” em um país latino-americano não especificado. O grupo, formado por personalidades que flertam com o narcisismo, a ignorância cultural e a falsa empatia, embarca numa jornada que começa como cobertura jornalística e rapidamente se transforma em espetáculo grotesco — uma crítica clara à exploração midiática travestida de engajamento.
O roteiro, escrito pela própria Ulman, é afiado ao expor os mecanismos contemporâneos de criação de conteúdo e de produção de personagens. Magic Farm desmonta o fetiche ocidental por experiências “autênticas” em territórios que são vistos mais como cenário do que como realidade. É um retrato inquietante — e muitas vezes cômico — do privilégio de quem pode entrar, gravar e sair, sem se comprometer com as consequências.
Elenco potente, ironia visual e camadas de desconforto
O filme conta com um elenco de destaque, reunindo Chloë Sevigny (ícone do cinema indie norte-americano), Alex Wolff (Oppenheimer, Um Lugar Silencioso: Dia Um), Simon Rex (Red Rocket), Joe Apollonio, Camila del Campo e a própria Amalia Ulman, que também assume papel central na narrativa. Juntos, eles habitam um universo onde o real e o encenado se misturam em um jogo cínico e escancaradamente desconfortável.
Visualmente, Magic Farm é vibrante, fragmentado e instável — como um feed de rede social em colapso. A montagem brinca com texturas documentais, vídeos de bastidores, cenas encenadas e imagens de arquivo manipuladas. Tudo se costura como num pesadelo digital, onde nada é confiável e tudo pode ser conteúdo.
De “El Planeta” à crítica da indústria cultural
Ulman, que já havia se destacado com El Planeta (2021), filme sobre sobrevivência feminina na Espanha pós-crise, mostra aqui uma maturidade autoral ainda mais afiada. Enquanto El Planeta era introspectivo e delicado, Magic Farm é expansivo, debochado e profundamente incômodo — um ataque direto à estética do “cool consciente”, ao jornalismo superficial e à fome ocidental por histórias que misturem tragédia e pitadas de exotismo.
Para a diretora, a lógica do “Fake it ‘til you make it” (finja até conseguir) é mais do que uma crítica — é uma lente para compreender como subjetividades são criadas e comercializadas hoje, tanto na arte quanto no jornalismo, na política ou nas redes sociais.
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