
Trinta anos após dividirem os holofotes em O Paciente Inglês (1996), Ralph Fiennes e Juliette Binoche voltam a contracenar no cinema em “O Retorno”, drama histórico dirigido por Uberto Pasolini que chega aos cinemas brasileiros no dia 4 de setembro, com distribuição da O2 Play. Inspirado nos cantos finais da Odisseia, de Homero, o longa propõe uma abordagem realista e profundamente emocional da clássica história do retorno de Ulisses à Ítaca, deixando de lado os elementos mitológicos para mergulhar nas cicatrizes humanas da guerra e do tempo.

Com estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF), em 2024, o filme acompanha o herói Odisseu (nome latino: Ulisses), interpretado por Ralph Fiennes, na etapa mais silenciosa e desafiadora de sua jornada: o reencontro com sua terra, sua esposa e seu filho, após duas décadas de ausência. Longe da grandiosidade das aventuras épicas, o filme foca no impacto psicológico e físico de uma vida consumida por batalhas. Abatido, envelhecido e irreconhecível, Odisseu encontra seu reino em ruínas e sua identidade desfigurada.
Juliette Binoche dá vida a Penélope, figura central da resistência em Ítaca. Durante os vinte anos de ausência do marido, ela mantém a esperança viva enquanto lida com pretendentes ambiciosos que, além de desejarem sua mão, disputam o trono. A atuação de Binoche, que recebeu o Oscar por O Paciente Inglês e é reconhecida por filmes como A Liberdade é Azul e Camille Claudel 1915, imprime à personagem uma força silenciosa e obstinada. Já o jovem Charlie Plummer (Lean on Pete, Todo Dia) interpreta Telêmaco, o filho do casal, que agora é alvo de conspirações daqueles que almejam o poder na ausência do pai.
O roteiro, escrito por John Collee (Hotel Mumbai, Master and Commander) em parceria com Edward Bond, opta por uma leitura mais sóbria e humanista da lenda grega. Ao retirar figuras mitológicas e divinas da narrativa, a obra revela uma Ítaca marcada por conflitos políticos, desconfiança e desintegração familiar. Odisseu não é mais um herói infalível, mas um homem ferido, com memórias traumáticas, lidando com o estranhamento de retornar a um lar que já não reconhece.
A proposta estética de Pasolini — também responsável por Nowhere Special — investe em planos contemplativos e no uso de paisagens áridas e silenciosas como metáfora do estado emocional de seus personagens. Em vez de cenas de ação, há tensão contida e diálogos pontuados por silêncios que dizem muito. A construção narrativa reflete a opção do diretor por um cinema que valoriza a interioridade dos personagens e os conflitos morais do pós-guerra.
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