
A franquia Resident Evil está vivendo mais um daqueles momentos em que o coração do fã bate mais rápido. Depois de anos de idas e vindas no cinema, o novo filme live-action finalmente começou a ser rodado em Praga, sob a direção de Zach Cregger, cineasta que vem ganhando um espaço cada vez mais respeitado no terror contemporâneo. Para marcar o início da produção, o diretor de fotografia Dariusz Wolski divulgou a primeira imagem oficial dos bastidores. Não é uma foto cheia de efeitos, cenários elaborados ou figurinos dramáticos. É apenas a claquete, com o logo do filme. As informações são do Omelete.
A foto surgiu por meio de uma página de fãs polonesa e rapidamente se espalhou entre comunidades do mundo todo. Era uma imagem simples, mas carregada de simbolismo. A presença de Wolski nela deixou evidente que o projeto está em boas mãos. Ele é um artista visual com vasta experiência, conhecido por trabalhos em produções de impacto como Piratas do Caribe, Prometheus, Fênix Negra e tantos outros filmes onde atmosfera e estética caminham juntas. Sua assinatura geralmente carrega sombras densas, composições marcantes e um olhar muito particular para ambientes que parecem sempre esconder algo.

O impacto que moldou gerações
Para entender o entusiasmo ao redor desse novo filme, é preciso voltar ao passado. A série nasceu em 1996, quando Shinji Mikami e Tokuro Fujiwara lançaram o primeiro Resident Evil para PlayStation. Foi um marco imediato. A sensação de caminhar por corredores silenciosos enquanto portas rangiam e luzes piscavam transformou a forma como o público entendia o medo nos jogos.
O universo criado ali era frio, claustrofóbico, misterioso. A cada esquina havia a possibilidade de um zumbi cambaleante, um cão infectado, uma criatura mutante ou algo ainda pior. Mas havia também a presença constante de algo mais profundo: o temor de organizações poderosas, vírus experimentais e o risco sempre iminente da perda de controle. Era o tipo de horror que aproximava fantasia e realidade, deixando o jogador inquieto mesmo fora do jogo.
Com o passar dos anos, a franquia atravessou diversas evoluções. Resident Evil 4, de 2005, transformou a maneira como jogos de ação eram feitos ao popularizar a câmera sobre o ombro. Resident Evil 7, de 2017, recolocou a série no caminho do terror puro com uma perspectiva em primeira pessoa que deixava tudo ainda mais visceral. Village, de 2021, expandiu esse universo com uma mistura de fantasia gótica e biotecnologia. Os remakes recentes mostraram que é possível honrar o passado e modernizar a experiência ao mesmo tempo.
A franquia hoje ultrapassa os videogames. Há séries animadas, livros, quadrinhos, colecionáveis e, claro, filmes. Esse ecossistema dá a Resident Evil uma força quase única. O público não consome apenas histórias; consome uma mitologia inteira, um sentimento de pertencimento que se renova a cada anúncio, trailer ou detalhe revelado pela Capcom.
Não é à toa que Resident Evil é a série de jogos de terror mais vendida da história, com mais de 170 milhões de cópias até março de 2025. É um fenômeno que conecta gerações, países e linguagens — e isso explica por que cada adaptação cinematográfica recebe tanta atenção.
O legado e as polêmicas das adaptações anteriores
Falar de Resident Evil no cinema é falar de uma montanha-russa emocional. O primeiro filme chegou em 2002, dirigido por Paul W. S. Anderson e estrelado por Milla Jovovich como Alice, uma personagem criada exclusivamente para os filmes. A proposta inicial era entregar algo inspirado nos jogos, mas não necessariamente fiel aos acontecimentos principais. Essa liberdade criativa dividiu opiniões, especialmente entre fãs mais puristas.
Apesar disso, a franquia de Jovovich conquistou um público enorme. Seus seis filmes arrecadaram mais de 1 bilhão de dólares e construíram uma legião de admiradores que defendem até hoje a energia exagerada das cenas, a mistura de ação e ficção científica e os momentos icônicos da protagonista enfrentando hordas de criaturas.
Por outro lado, a crítica nunca se mostrou muito receptiva. Ao longo dos anos, os filmes foram acumulando avaliações negativas, e boa parte dos fãs dos jogos passou a desejar uma adaptação que se aproximasse mais do tom original da Capcom.
Em 2021, Welcome to Raccoon City tentou seguir esse caminho. O filme trouxe mais referências, mais fidelidade estética, personagens clássicos e um esforço autêntico de aproximar cinema e jogo. Mesmo assim, esbarrou em limitações de produção e não conseguiu conquistar a repercussão desejada.
Esse histórico torna o filme de Zach Cregger ainda mais significativo. Ele representa uma chance real de reconstruir a reputação da franquia no cinema usando o que mais funcionou nos jogos: atmosfera, horror, tensão, humanidade e o desconforto constante de não saber o que está prestes a surgir na escuridão.
Sinais de um novo capítulo mais maduro
O que mais chama atenção no novo projeto é o conjunto de escolhas criativas. Cregger é um diretor que entende o terror não pela explosão, mas pela construção de desconforto. Seus filmes anteriores mostram isso de forma clara. Ele dá tempo para o medo respirar. Ele cria camadas. Ele trata o suspense como uma dança lenta e angustiante, o que combina perfeitamente com os corredores estreitos e laboratórios decadentes que fazem parte da identidade visual de Resident Evil.
Dariusz Wolski, por sua vez, é alguém que faz da câmera uma personagem. Seus enquadramentos costumam criar universos inteiros dentro do plano, e sua habilidade em trabalhar iluminação em ambientes escuros é reconhecida mundialmente. É o tipo de profissional que pode transformar cada cenário do filme em uma experiência sensorial.
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