
O Cinemaço deste domingo, 18 de janeiro de 2026, promete transportar o público para um futuro tão grandioso quanto devastador. A TV Globo exibe “Máquinas Mortais”, uma superprodução de aventura e ficção científica que imagina um planeta transformado em um enorme campo de batalha sobre rodas. Lançado em 2018, o filme aposta em um universo visualmente impressionante para contar uma história sobre sobrevivência, poder, desigualdade e as consequências extremas das guerras humanas.
De acordo com a sinopse do AdoroCinema, a trama se passa anos após a chamada Guerra dos Sessenta Minutos, um conflito global tão destrutivo que mudou completamente a forma como a humanidade vive. A Terra está devastada, os recursos naturais são escassos e a antiga organização das cidades deixou de existir. Para sobreviver, os seres humanos criaram as chamadas Cidades Tração, enormes metrópoles montadas sobre rodas gigantes, capazes de se locomover pelos continentes em busca de matéria-prima. Nesse novo mundo, as cidades menores são caçadas e “engolidas” pelas maiores, em uma lógica brutal de dominação e sobrevivência.
É nesse cenário caótico que surge Londres, uma das maiores e mais poderosas cidades móveis do planeta. No centro da história está Tom Natsworthy, um jovem historiador vivido por Robert Sheehan, que leva uma vida simples trabalhando nos níveis mais baixos da cidade. Tom é curioso, sonhador e fascinado pelas histórias do mundo antigo, aquele que existia antes da destruição. Sua vida muda radicalmente quando ele se envolve em um ataque que o lança para fora de Londres, jogando-o em um território hostil e desconhecido.
Ao cair no mundo exterior, Tom cruza o caminho de Hester Shaw, interpretada por Hera Hilmar, uma fora-da-lei marcada física e emocionalmente por um passado violento. Hester carrega no rosto cicatrizes que simbolizam muito mais do que feridas de batalha. Elas representam as marcas de um mundo que não teve piedade e de uma infância roubada pela guerra e pela ambição dos poderosos. Inicialmente desconfiados um do outro, Tom e Hester formam uma aliança improvável, unidos pela necessidade de sobreviver.
A jornada dos dois rapidamente deixa de ser apenas uma fuga. Conforme avançam, eles descobrem uma ameaça muito maior do que as cidades predatórias. Um antigo armamento, capaz de destruir o que resta do planeta, ameaça desequilibrar ainda mais esse mundo já frágil. No centro desse perigo está Thaddeus Valentine, vivido por Hugo Weaving, uma figura carismática, elegante e profundamente perigosa. Valentine acredita que o uso dessa arma é a única forma de garantir a supremacia de Londres, mesmo que isso custe milhares de vidas.
Hugo Weaving entrega um vilão complexo, que não se enxerga como mal, mas como necessário. Seu personagem simboliza a lógica do poder extremo, onde fins justificam quaisquer meios. Ao lado dele, a atriz e cantora Jihae interpreta Anna Fang, uma líder rebelde que representa a resistência contra o sistema das Cidades Tração. Forte, determinada e idealista, Anna surge como uma das figuras mais interessantes do filme, trazendo uma visão de mundo que se opõe diretamente à lógica da destruição contínua.
Dirigido por Christian Rivers, em sua estreia como diretor de longa-metragem, “Máquinas Mortais” carrega fortemente a influência de Peter Jackson, que assina o roteiro ao lado de Fran Walsh e Philippa Boyens, os mesmos nomes por trás das trilogias O Senhor dos Anéis e O Hobbit. Jackson, inclusive, adquiriu os direitos do livro homônimo de Philip Reeve ainda em 2009. O projeto passou anos em desenvolvimento até ser oficialmente anunciado em 2016.
Rivers, que venceu o Oscar de Melhores Efeitos Visuais por seu trabalho em “King Kong”, traz para o filme um olhar extremamente técnico e detalhista. As cidades em movimento são o grande espetáculo da produção. Londres sobre rodas, avançando sobre paisagens destruídas, é uma imagem que impressiona pela escala e pelo nível de detalhamento. As sequências de perseguição e captura entre cidades são ambiciosas e visualmente impactantes, criando um verdadeiro espetáculo para quem gosta de mundos fantásticos.
As filmagens ocorreram entre abril e julho de 2017, na Nova Zelândia, aproveitando paisagens naturais que ajudaram a construir a sensação de um planeta devastado e inóspito. O cuidado técnico é evidente em cada cena, desde os figurinos até os cenários digitais, reforçando o caráter épico da obra.
Apesar de todo o investimento visual, “Máquinas Mortais” teve uma recepção dividida. O filme estreou mundialmente em Londres em novembro de 2018 e chegou aos cinemas de vários países em dezembro do mesmo ano. A crítica reconheceu o impacto dos efeitos especiais, mas apontou falhas no desenvolvimento dos personagens, no ritmo da narrativa e em uma certa dificuldade do filme em criar uma identidade própria dentro do gênero pós-apocalíptico.
Esse conjunto de fatores refletiu no desempenho comercial. Com um orçamento estimado entre 100 e 150 milhões de dólares, o longa arrecadou cerca de 82,9 milhões de dólares em bilheteria mundial, sendo considerado um fracasso financeiro. Os prejuízos para o estúdio foram estimados em até 150 milhões de dólares, encerrando as possibilidades de uma continuação cinematográfica direta da saga literária.
Mesmo assim, o universo de “Máquinas Mortais” continuou a despertar interesse. Em 2020, uma série de jogos em primeira pessoa ambientados nesse mesmo mundo foi desenvolvida, ampliando a experiência para outros formatos e mantendo viva a mitologia criada por Philip Reeve.
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