
A Sessão de Sábado da TV Globo deste 24 de janeiro aposta em um suspense que marcou o início dos anos 2000 e até hoje provoca debates, interpretações e arrepios. O filme escolhido é “Sinais”, obra escrita e dirigida por M. Night Shyamalan, lançada em 2002, que mistura drama, ficção científica e suspense psicológico em uma narrativa silenciosa, inquietante e profundamente humana.
Mais do que um filme sobre possíveis invasões extraterrestres, Sinais é uma história sobre fé, perda e reconstrução. Ambientado longe das grandes cidades e dos clichês explosivos do gênero, o longa encontra sua força justamente no cotidiano simples de uma família que vive em uma fazenda no interior da Pensilvânia, cercada por milharais que se tornam palco de um mistério impossível de ignorar.
A trama acompanha Graham Hess, interpretado por Mel Gibson, um ex pastor episcopal que abandonou a fé após a morte trágica de sua esposa. Ela foi atropelada por um motorista que dormiu ao volante, evento que destruiu a estrutura emocional e espiritual da família. Desde então, Graham vive em estado de luto constante, tentando seguir em frente sem respostas e sem crenças que antes guiavam sua vida.
Ao seu lado estão os filhos Morgan, um garoto asmático sensível e observador, vivido por Rory Culkin, e Bo, a pequena e enigmática personagem de Abigail Breslin, que se destaca por seu hábito peculiar de espalhar copos de água pela casa, sempre dizendo que a água está “contaminada” ou “estranha”. Completa o núcleo familiar Merrill Hess, irmão de Graham, interpretado por Joaquin Phoenix, um ex jogador de beisebol que abriu mão de sua carreira para ajudar o irmão a cuidar das crianças.
A rotina aparentemente tranquila da família é quebrada quando imensos círculos começam a surgir misteriosamente no milharal da fazenda. A princípio tratados como vandalismo ou brincadeira de mau gosto, os desenhos geométricos logo passam a ser vistos em diferentes partes do mundo, levantando teorias sobre sua origem. Aos poucos, Graham começa a considerar algo que desafia não apenas a lógica, mas também sua descrença. A possibilidade de vida extraterrestre.
Shyamalan conduz essa descoberta de forma contida, quase minimalista. Não há pressa em mostrar criaturas ou respostas claras. O medo nasce do silêncio, dos sons fora de quadro, dos noticiários de televisão ligados ao fundo e das reações dos personagens diante do desconhecido. O espectador compartilha da angústia da família, sentindo que algo está errado mesmo quando nada é mostrado diretamente.
Um dos grandes méritos de Sinais está justamente nessa construção atmosférica. O filme utiliza a casa, os corredores escuros e o milharal como extensões do estado emocional dos personagens. O medo não vem apenas do que pode estar lá fora, mas também do que cada um carrega por dentro. Para Graham, a ameaça externa acaba se misturando com a crise de fé que ele se recusa a enfrentar.
A relação entre os irmãos é outro ponto forte da narrativa. Merrill, apesar de carregar suas próprias frustrações por não ter seguido carreira no esporte, é quem mantém certo equilíbrio emocional na casa. Ele acredita, protege e age quando necessário, mesmo sem entender completamente o que está acontecendo. Joaquin Phoenix entrega uma atuação sensível, humana e discreta, que equilibra tensão e afeto.
O filme também marcou o início da carreira de Abigail Breslin, que ainda criança demonstra uma presença magnética em cena. Sua personagem, aparentemente ingênua, acaba sendo essencial para o desenrolar da história, mostrando como pequenos detalhes, muitas vezes ignorados, podem ter grande significado.
Produzido com um orçamento de aproximadamente 72 milhões de dólares, Sinais foi um forte sucesso comercial, arrecadando valores expressivos nas bilheteiras mundiais. Apesar disso, sua recepção crítica foi mista na época do lançamento. Muitos elogiaram a atmosfera, o suspense e a abordagem emocional, enquanto outros apontaram fragilidades no roteiro e em algumas escolhas narrativas. Com o passar dos anos, no entanto, o filme ganhou status cult e passou a ser reavaliado com mais generosidade.
Curiosamente, o próprio processo de produção revela o cuidado de Shyamalan com a narrativa. O diretor escreveu o roteiro inicialmente pensando em um protagonista mais velho. Após a contratação de Mel Gibson, ele ajustou a história para adequar a idade e o perfil do ator ao personagem. Outro detalhe curioso é que diversos campos de milho foram plantados em épocas diferentes, justamente para criar a impressão de passagem do tempo e mudança de estações ao longo do filme.
Antes das filmagens, o papel de Merrill Hess seria interpretado por Mark Ruffalo, mas problemas de saúde impediram sua participação, abrindo espaço para Joaquin Phoenix assumir o personagem. O resultado acabou sendo um dos papéis mais lembrados da carreira do ator naquela época.
Mais do que responder se estamos ou não sozinhos no universo, Sinais propõe uma reflexão sobre coincidências, escolhas e crenças. O roteiro sugere que eventos aparentemente aleatórios podem ter um propósito maior, dependendo do olhar de quem os observa. É essa camada filosófica que transforma o filme em algo maior do que um simples suspense sobre alienígenas.
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