A Sessão da Tarde desta quarta, 28 de janeiro de 2026, leva o público para uma jornada congelante e cheia de emoção com a exibição de “A Era do Gelo 4”. Lançada em 2012, a animação marca um ponto de virada na consagrada franquia da Blue Sky Studios, apostando em um escopo mais ambicioso, novos personagens e conflitos mais maduros, sem perder a leveza e o humor que conquistaram espectadores ao redor do mundo.

Quarto capítulo da saga iniciada em 2002, o filme dirigido por Steve Martino e Mike Thurmeier amplia o universo da série ao transformar um simples acidente causado por Scrat em um evento de escala global: a separação dos continentes. A partir desse caos geológico, nasce uma história que fala sobre família, amadurecimento, mudanças inevitáveis e a importância de se adaptar quando tudo ao redor parece desmoronar.

Quando uma bolota muda o mundo

Fiel à tradição da franquia, é Scrat, o esquilo mais azarado e obstinado do cinema, quem dá início à confusão. Em sua eterna perseguição pela cobiçada bolota, ele acaba provocando o rompimento da Pangeia, desencadeando a deriva continental. O que começa como uma sequência cômica rapidamente se transforma em um evento catastrófico, mudando completamente o destino dos personagens principais.

O terremoto causado por esse rompimento separa o grupo: Manny, Sid e Diego são lançados ao mar, presos em um iceberg à deriva, enquanto Ellie e a filha adolescente Amora permanecem no continente, enfrentando um ambiente instável e cada vez mais perigoso. A partir daí, o filme se divide entre duas jornadas paralelas, conectadas pelo mesmo objetivo: sobreviver e reencontrar quem se ama.

Manny, Amora e o difícil exercício de deixar crescer

Um dos grandes méritos de “A Era do Gelo 4” está no desenvolvimento emocional de seus personagens, especialmente no arco de Manny como pai. Agora mais velho e experiente, o mamute-lanoso enfrenta um dilema bastante humano: lidar com o crescimento da filha. Amora já não é mais a filhotinha protegida dos filmes anteriores; ela vive conflitos típicos da adolescência, como a dificuldade de se enturmar, a busca por aceitação e o desejo de provar sua própria força.

Manny, por outro lado, reage com excesso de proteção. Seu medo de perder a filha o impede de perceber que, ao tentar blindá-la do mundo, acaba afastando-a. Essa tensão entre pai e filha dá ao filme uma camada emocional mais profunda, capaz de dialogar tanto com crianças quanto com adultos.

Ellie surge como a voz do equilíbrio, tentando ajudar Manny a entender que amar também significa confiar. A dinâmica familiar apresentada é simples, mas extremamente eficaz, refletindo situações comuns da vida real e tornando a narrativa ainda mais envolvente.

Sid e a avó: humor afiado e afeto improvável

Enquanto Manny enfrenta conflitos internos, Sid segue como o principal alívio cômico do longa. Desta vez, a animação apresenta uma adição inesperada ao grupo: a avó de Sid, deixada aos cuidados do neto após mais um abandono de sua família disfuncional.

Ranzinza, debochada e cheia de tiradas ácidas, a personagem rapidamente se torna um dos grandes destaques do filme. A relação entre Sid e sua avó rende momentos hilários, mas também surpreende ao trazer reflexões sobre abandono, solidão e vínculos construídos fora do modelo tradicional de família.

A avó também apresenta ao público Preciosa, sua baleia de estimação, que inicialmente parece apenas mais uma piada visual, mas acaba desempenhando um papel fundamental no desenrolar da história. É nesse tipo de detalhe que “A Era do Gelo 4” mostra sua habilidade em equilibrar humor e emoção sem jamais soar forçado.

Piratas do gelo e novos caminhos

À deriva no oceano, Manny, Sid, Diego e a avó acabam capturados por um grupo de piratas pré-históricos, liderados pelo temível Capitão Entranha, um gigantopithecus imponente, autoritário e obcecado por poder. A introdução desse núcleo pirata traz uma nova energia à franquia, misturando aventura marítima, ação e referências clássicas ao gênero.

Entranha se destaca como um vilão carismático e visualmente marcante, funcionando como um contraponto direto aos valores do grupo principal. Sua tripulação é composta por animais diversos, cada um com características exageradas, o que contribui para o tom cômico do filme.

Entre eles está Shira, uma tigresa-dente-de-sabre albina que começa como antagonista, mas aos poucos revela camadas mais complexas. Sua relação com Diego se desenvolve de forma gradual e surpreendentemente sensível. O tigre, que sempre foi mais fechado e desconfiado, encontra em Shira alguém que compartilha experiências semelhantes de abandono e sobrevivência.

A luta para voltar para casa

Mesmo diante de perigos constantes, o foco de Manny nunca muda: reencontrar Ellie e Amora. Essa determinação guia toda a sua trajetória no mar e confere peso emocional às cenas de ação. O filme entende que, para funcionar de verdade, a aventura precisa estar conectada a sentimentos genuínos — e isso se reflete em cada decisão do protagonista.

Enquanto isso, no continente, Ellie lidera os animais do vale em uma jornada perigosa em busca de um novo local seguro. A destruição da ponte de terra simboliza a perda definitiva do antigo lar e reforça a ideia de que não há como voltar atrás. O mundo mudou, e eles precisam mudar junto com ele.

Essas duas narrativas paralelas se aproximam aos poucos, aumentando a tensão e preparando o terreno para o confronto final entre Manny e Capitão Entranha.

Um clímax sobre gelo e escolhas

O duelo final acontece em cima de um enorme bloco de gelo e reúne tudo o que o filme construiu até ali: ação, emoção e significado. Manny enfrenta Entranha não apenas como um inimigo físico, mas como a personificação de tudo o que ameaça sua família e seu modo de vida.

A vitória de Manny é resultado da união do grupo e da coragem de enfrentar o medo, reforçando uma das mensagens mais recorrentes da franquia: a força coletiva sempre supera a individual.

O destino de Entranha, enganado por uma sereia que assume a forma de um gigantopithecus feminino, fecha seu arco com ironia e humor, mantendo o tom leve mesmo no desfecho do conflito.

Recomeços e novos lares

Com o antigo vale destruído pela deriva continental, o filme opta por um final que fala sobre recomeço. Preciosa, a baleia da avó de Sid, conduz todos até uma ilha exuberante, onde diferentes espécies passam a conviver e reconstruir suas vidas.

É nesse novo cenário que Shira se junta definitivamente ao grupo, iniciando uma nova etapa ao lado de Diego. O filme encerra sua narrativa principal com uma sensação de esperança, mostrando que, mesmo após grandes perdas, é possível encontrar novos caminhos.

Scratlântida: o humor como assinatura final

Nenhum filme da franquia estaria completo sem um epílogo protagonizado por Scrat. Ao descobrir a lendária Scratlântida, uma ilha repleta de bolotas, o esquilo finalmente parece ter alcançado o paraíso. No entanto, sua obsessão incontrolável fala mais alto e, em um último ato de ironia, ele acaba destruindo tudo, transformando o local em um deserto.

A cena final resume perfeitamente o personagem: engraçado, trágico e incapaz de escapar de seus próprios impulsos. É um fechamento cômico que respeita a tradição da série e garante boas risadas até os créditos finais.

Um fenômeno de bilheteria mundial

Mesmo sendo o quarto filme da saga, “A Era do Gelo 4” alcançou um desempenho impressionante nos cinemas. Com US$ 877 milhões arrecadados mundialmente, o longa se tornou a animação de maior bilheteria de 2012, além de figurar entre os filmes mais lucrativos daquele ano.

O uso do 3D digital, aliado ao formato 2.39:1, contribuiu para uma experiência visual mais grandiosa, enquanto o elenco de vozes — liderado por Ray Romano, John Leguizamo, Denis Leary e Queen Latifah, com a adição de nomes como Jennifer Lopez, Nicki Minaj e Drake — ajudou a ampliar o apelo do filme junto ao público.

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Esdras Ribeiro
Além de fundador e editor-chefe do Almanaque Geek, Esdras também atua como administrador da agência de marketing digital Almanaque SEO. É graduado em Publicidade pela Estácio e possui formação técnica em Design Gráfico e Webdesign, reunindo experiência nas áreas de comunicação, criação visual e estratégias digitais.

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