A Netflix deu um passo decisivo para expandir ainda mais seu catálogo de adaptações de grandes propriedades da cultura pop ao fechar um acordo com a Legendary Pictures para a distribuição mundial do primeiro filme live-action de Gundam. O projeto, que ainda está em desenvolvimento, marca um momento histórico para a franquia japonesa e reforça a estratégia da plataforma de investir em universos consagrados com forte apelo global.
Segundo informações divulgadas pelo portal Deadline, o longa será dirigido por Jim Mickle, conhecido pelo trabalho à frente da série Sweet Tooth, também da Netflix. O elenco principal contará com Noah Centineo, que ganhou projeção internacional com Para Todos os Garotos Que Já Amei, e Sydney Sweeney, um dos nomes mais requisitados da nova geração de Hollywood, vista recentemente em produções como A Empregada e Euphoria. (Via Omelete)
A produção será realizada em parceria com a Bandai Namco Filmworks, detentora dos direitos da franquia, garantindo envolvimento direto do estúdio japonês responsável por preservar o legado de Gundam ao longo de mais de quatro décadas. A colaboração busca assegurar fidelidade ao material original, ao mesmo tempo em que adapta a história para um público mais amplo e para a linguagem do cinema ocidental.
O filme será inspirado em Mobile Suit Gundam: The 08th MS Team, série derivada lançada em 1996 que se destacou dentro da franquia por adotar uma abordagem mais realista e intimista. Diferente das narrativas mais épicas e espaciais de outros títulos, o spin-off foca nos impactos humanos da guerra, explorando o cotidiano de soldados comuns e as consequências físicas e emocionais dos conflitos armados. Essa escolha indica que o longa deve priorizar o drama e a tensão militar, sem abrir mão do espetáculo visual característico dos mechas.
Ainda sem data de estreia definida, o projeto carrega grandes expectativas por representar a primeira incursão de Gundam no formato live-action. A franquia, criada por Yoshiyuki Tomino e Hajime Yatate pelo estúdio Sunrise, estreou originalmente em 1979 com Mobile Suit Gundam e rapidamente se consolidou como um dos pilares da ficção científica japonesa.
Desde o início, Gundam se diferenciou de outras séries do gênero mecha ao tratar os robôs gigantes não como entidades quase místicas ou heróicas, mas como armas militares, sujeitas a falhas, limitações técnicas e decisões políticas. Essa visão mais pragmática e madura deu origem ao subgênero conhecido como “Real Robot”, que ajudou a atrair um público adulto e redefiniu os rumos da animação japonesa de ficção científica.
Apesar de um começo marcado por recepção morna durante sua exibição original na televisão, Gundam ganhou força no início da década de 1980 e nunca mais deixou o centro da cultura pop japonesa. Ao longo dos anos, a franquia se expandiu de forma impressionante, acumulando cerca de trinta séries animadas, além de OVAs, filmes, mangás, romances, videogames e produções derivadas.
Um dos pilares fundamentais desse sucesso é o mercado de produtos licenciados, especialmente os famosos Gunpla, modelos plásticos dos robôs Gundam que se tornaram um fenômeno comercial. Atualmente, Gundam é a franquia mais lucrativa da Bandai Namco, gerando aproximadamente 50 bilhões de ienes por ano, o que evidencia sua força econômica e cultural. Essa dimensão comercial, no entanto, também alimenta debates recorrentes entre fãs e críticos sobre o equilíbrio entre criatividade artística e exploração mercadológica.
Narrativamente, Gundam se organiza em diferentes linhas do tempo. A principal é o Universal Century (UC), que reúne séries interligadas como Mobile Suit Gundam, Zeta Gundam e ZZ Gundam. Paralelamente, existem as produções ambientadas em universos alternativos, conhecidas como Alternative Universe (AU), como Gundam Wing, Gundam SEED e Gundam 00, que apresentam histórias independentes, mas preservam os temas centrais da franquia.
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