
O curta-metragem brasileiro FrutaFizz segue em exibição no Festival Internacional de Curtas-Metragens de Clermont-Ferrand, na França, consolidando-se como um dos principais representantes do cinema nacional no cenário internacional em 2026. Considerado o maior festival de cinema do mundo dedicado exclusivamente a curtas-metragens e o segundo maior evento cinematográfico francês, atrás apenas do Festival de Cannes, Clermont-Ferrand reúne anualmente produções de diversos países e atrai olhares atentos de críticos, programadores e profissionais da indústria audiovisual.
Dirigido por Kauan Okuma Bueno, FrutaFizz integra a competição internacional do festival, feito conquistado por apenas 62 obras selecionadas entre 8.900 filmes inscritos nesta edição. A estreia internacional do curta aconteceu no dia 31 de janeiro, e o filme permanece em cartaz com oito sessões programadas até o próximo sábado, dia 7, ampliando seu alcance junto ao público estrangeiro e ao mercado cinematográfico global.
A presença do filme no festival reforça o momento de visibilidade do cinema brasileiro, que volta a ocupar espaços de destaque em grandes eventos internacionais. Kauan Okuma Bueno acompanha a programação presencialmente na França, com viagem viabilizada pelo Kinoforum, em parceria com o Instituto Guimarães Rosa, instituições fundamentais no incentivo à circulação internacional de produções nacionais.
Para o diretor, a seleção já representa uma conquista simbólica e afetiva. Segundo ele, FrutaFizz nasce de um processo profundamente ligado à memória e à experiência coletiva da equipe. “Toda história contada é um resgate a partir da memória de alguém. Me sinto extremamente privilegiado pela oportunidade do nosso filme ter sua estreia internacional em um festival tão importante como Clermont-Ferrand. Saber que pessoas de todo o mundo vão poder assistir ao nosso filme simboliza não apenas apresentar um recorte da cultura brasileira, mas também levar junto uma equipe inteira que ofereceu um pouco da própria memória para fabular este filme”, afirma Kauan.
A narrativa acompanha Mauro, personagem vivido pelo ator Renato Novaes, que embarca em uma jornada introspectiva em busca de suas raízes e lembranças de infância. Convencido de que sua história está ligada à cidade de Gonçalves, em Minas Gerais, Mauro revisita lugares marcantes de seu passado ao lado de João, um colega de trabalho. Ao longo do percurso, o filme constrói um delicado jogo entre o que é lembrança real e aquilo que foi reconstruído pelo tempo, pela emoção e pelas lacunas da memória.
O curta propõe uma reflexão sensível sobre identidade, pertencimento e o modo como as memórias pessoais são moldadas — tanto por experiências verdadeiras quanto por invenções involuntárias. Essa abordagem intimista é um dos elementos que tem chamado a atenção do público e da crítica, especialmente em um festival conhecido por valorizar narrativas autorais e propostas estéticas singulares.
Para Renato Novaes, interpretar Mauro foi uma experiência marcada pelo cuidado coletivo envolvido na produção. “O filme é uma jornada emocionante pelas memórias mais queridas de Mauro, o personagem que tive o prazer de interpretar. Foi um processo criativo marcado por carinho, atenção e acolhimento por parte de toda a equipe, em especial do diretor, resultando em uma experiência verdadeiramente incrível”, comenta o ator.
Outro destaque de FrutaFizz está no encontro entre diferentes gerações, tanto diante quanto atrás das câmeras. O elenco reúne o ator Alvim Silva e Tia Neide, que faz sua estreia no cinema aos 83 anos, reforçando a proposta do filme de dialogar com o tempo, a memória e a vivência acumulada. Essa diversidade geracional contribui para a riqueza emocional da obra e para a autenticidade das relações apresentadas em cena.
Na equipe técnica, a produção também se beneficia da experiência de grandes nomes do cinema nacional. A direção de fotografia é assinada por Rodolfo Sanchéz, veterano consagrado e responsável por clássicos como Pixote – A Lei do Mais Fraco (1979) e O Beijo da Mulher-Aranha (1983). Aos 81 anos, Sanchéz imprime maturidade e rigor estético ao curta, em diálogo direto com o olhar contemporâneo e sensível de Kauan Okuma Bueno.
“Trabalhar com o Kauan foi um exercício revigorante. Unir a minha trajetória na fotografia com esse novo olhar e o frescor da direção dele permitiu criar uma estética que equilibra maturidade e inovação de uma forma muito especial”, destaca o diretor de fotografia.
Antes de chegar a Clermont-Ferrand, FrutaFizz já havia sido amplamente reconhecido no Brasil. O curta venceu o prêmio de Melhor Curta-Metragem Brasileiro no 54º Festival de Cinema de Gramado, no Rio Grande do Sul, e também conquistou o Melhor Curta de Ficção pelo Voto Popular no Festival Curta Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, consolidando sua trajetória de sucesso no circuito nacional.
O filme é uma realização da Livre Cine Produções, com produção associada da Digital 35, Cinecidade Locações, SpecLight, DOT Cine e Mark II Audio Crew, além de produção executiva de Josmar Bueno Junior e Adriana Okuma. FrutaFizz foi viabilizado por meio da Lei de Incentivo PROAC, do Governo de São Paulo, através da Secretaria Estadual de Cultura (CultSP), contando com patrocínio da West Cargo e apoio de diversas instituições culturais e empresas parceiras.
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