
Destruição Final 2 é um exemplo cristalino de como uma franquia pode insistir nos próprios erros sem qualquer esforço de evolução. A continuação não apenas herda os vícios do filme anterior, como os amplifica, apostando numa fórmula engessada, previsível e dramaticamente pobre. Tudo aqui parece funcionar por inércia: a narrativa avança não por lógica interna ou desenvolvimento dramático, mas por coincidências convenientes e decisões de personagens que desafiam o bom senso — inclusive dentro das regras que o próprio filme tenta estabelecer.
A estrutura do roteiro é especialmente problemática. Em vez de construir um arco progressivo, o longa se perde em um ciclo repetitivo de tensão rasa seguida por extensos períodos de estagnação narrativa. Durante cerca de uma hora e meia, a história gira em falso, simulando movimento enquanto permanece exatamente no mesmo lugar. Não há senso de urgência real, tampouco um objetivo dramático claro que justifique a jornada dos personagens ou conduza o espectador até o desfecho.
Embora tente se apresentar como uma obra ambientada em um mundo pós-apocalíptico, o filme nunca se compromete verdadeiramente com esse cenário. O colapso da civilização é tratado de forma oportunista, surgindo e desaparecendo conforme a conveniência do roteiro. As regras desse universo são frágeis e inconsistentes: a radiação torna a superfície do planeta inabitável em um momento, apenas para deixar de ser um problema logo depois, quando o ar passa a estar “bom o suficiente, por enquanto”, sem qualquer explicação plausível. A presença de vegetação verdejante próxima à cratera do cometa Clarke só reforça a sensação de descuido e falta de coerência estética e científica.
Os personagens, por sua vez, são construídos de maneira superficial e binária. Não existe complexidade psicológica ou ambiguidade moral: ou são egoístas em níveis quase caricatos, ou generosos de forma inverossímil. Não há espaço para nuances, conflitos internos ou crescimento dramático. Ric Roman Waugh demonstra pouco interesse em explorar essas figuras como seres humanos críveis, tratando-os apenas como peças funcionais para empurrar a trama adiante.
Essa fragilidade se estende também aos conflitos centrais do filme. As facções rivais que surgem ao longo da narrativa entram em choque por motivações nebulosas, nunca devidamente contextualizadas. Não sabemos quem são, o que defendem ou exatamente pelo que estão lutando. O resultado é um conflito vazio, incapaz de gerar envolvimento emocional ou tensão real.
Gerard Butler repete mais uma vez o mesmo tipo de performance que já se tornou sua marca registrada nesse tipo de produção: funcional, mas completamente previsível e sem qualquer lampejo de novidade. Os efeitos visuais, que deveriam sustentar a grandiosidade da proposta, são frequentemente frágeis e pouco convincentes, comprometendo ainda mais a imersão.
O desfecho sintetiza todos esses problemas. Em vez de amarrar as pontas soltas ou oferecer algum tipo de comentário significativo, o filme parece simplesmente desistir de manter qualquer aparência de coerência, optando por uma conclusão apressada e particularmente absurda. No fim das contas, Destruição Final 2 não quer provocar reflexão, inquietar ou mesmo entreter de forma consistente; quer apenas chegar aos créditos finais da maneira mais fácil possível, deixando a sensação de que nem ele próprio sabe qual história tentou contar.
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