
A programação da Sessão de Sábado deste 14 de fevereiro aposta em um dos romances mais emblemáticos do cinema nacional. A TV Globo exibe Lisbela e o Prisioneiro, longa-metragem brasileiro lançado em 2003 que se tornou referência ao unir comédia, romance e uma forte identidade cultural nordestina.
Dirigido por Guel Arraes, o filme é uma adaptação da obra homônima de Osman Lins. O roteiro foi desenvolvido por Arraes em parceria com Pedro Cardoso e Jorge Furtado, resultando em uma narrativa ágil, espirituosa e repleta de camadas que dialogam tanto com o público popular quanto com espectadores mais atentos às nuances metalinguísticas.
No elenco, nomes que ajudaram a consolidar o sucesso do projeto: Selton Mello e Débora Falabella vivem o casal protagonista, acompanhados por Marco Nanini, Virgínia Cavendish, Bruno Garcia e André Mattos.
Ambientado no século XX, em Pernambuco, o filme apresenta Lisbela, uma jovem sonhadora apaixonada por cinema. Frequentadora assídua das sessões exibidas em sua cidade, ela alimenta fantasias inspiradas nos galãs de Hollywood e nos finais arrebatadores das produções norte-americanas que tanto admira.
A rotina da protagonista muda completamente com a chegada de Leléu, um malandro carismático e conquistador que desembarca na cidade fugindo de um matador decidido a acertar contas. O encontro entre os dois acontece de forma intensa e imediata, dando início a um romance que desafia convenções sociais, expectativas familiares e perigos concretos.
O principal obstáculo é o fato de Lisbela já estar noiva e com casamento marcado. Além disso, a presença ameaçadora de Frederico Evandro, homem traído e disposto a se vingar, amplia a tensão dramática. Entre perseguições, ciúmes e conflitos, o casal precisa decidir se vale a pena enfrentar tudo em nome do amor.
Um dos grandes trunfos do longa está na construção de seus personagens secundários. Tenente Guedes, pai de Lisbela e chefe de polícia, simboliza a autoridade rígida e conservadora. Inaura surge como figura sedutora e insatisfeita, adicionando camadas de desejo e provocação à trama. Há ainda personagens pitorescos que reforçam o humor regional, compondo um mosaico humano que transita entre o exagero cômico e a sensibilidade dramática.
A ambientação em Recife, com filmagens realizadas no bairro da Boa Vista, contribui para a autenticidade da narrativa. A cidade não funciona apenas como pano de fundo, mas como elemento ativo da história, reforçando a atmosfera cultural nordestina que permeia todo o filme.
Lisbela e o Prisioneiro também se destaca por sua relação com o universo cinematográfico. A protagonista interpreta o mundo a partir das referências que absorve nas salas de exibição. Essa perspectiva cria momentos em que a narrativa assume tom quase teatral, com situações que parecem conscientemente encenadas como se fossem parte de um grande espetáculo.
Esse recurso reforça o caráter metalinguístico da obra, que presta homenagem às histórias românticas clássicas ao mesmo tempo em que as revisita sob uma ótica brasileira e regionalizada. O resultado é uma experiência que equilibra fantasia e realidade, sem perder a leveza.
O longa marcou um momento importante na carreira de Guel Arraes. Embora já fosse reconhecido por produções de sucesso adaptadas da televisão, como O Auto da Compadecida e Caramuru – A Invenção do Brasil, este foi seu primeiro projeto concebido diretamente para o cinema.
A produção envolveu parcerias relevantes da indústria audiovisual brasileira e contou com distribuição internacional. Durante a pós-produção, a equipe enfrentou um contratempo significativo com a perda de negativos originais em laboratório, o que exigiu a refilmagem de determinadas cenas. Ainda assim, o resultado final manteve a qualidade artística e técnica esperada.
Outro elemento fundamental para o êxito do filme é sua trilha sonora. Com direção musical de André Moraes e João Falcão, o trabalho reúne artistas consagrados da música brasileira, como Zé Ramalho, Caetano Veloso e Elza Soares.
A seleção musical dialoga diretamente com o espírito da narrativa, reforçando o romantismo, a dramaticidade e o humor presentes na trama. O álbum da trilha tornou-se um fenômeno comercial, alcançando números expressivos de vendas e consolidando-se como uma das trilhas sonoras de filme brasileiro mais bem-sucedidas de todos os tempos.
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