
O universo sombrio inaugurado por Matt Reeves está oficialmente em movimento. De acordo com informações publicadas pelo portal ComicBookMovie, a aguardada continuação de The Batman está sendo desenvolvida sob o título provisório de “Vengeance 2”. As filmagens estão previstas para começar em abril, no Reino Unido, marcando uma nova etapa na consolidação desse universo mais realista, investigativo e emocionalmente denso do Homem-Morcego.
Embora títulos provisórios sejam comuns na indústria — muitas vezes usados apenas para fins logísticos —, o peso simbólico da palavra “vingança” não passa despercebido. No primeiro filme, ela não era apenas um conceito; era praticamente a assinatura do personagem. “I’m vengeance” tornou-se uma das frases mais marcantes da produção, sintetizando um Bruce Wayne dominado pelo trauma e pela necessidade de punição. Se o novo capítulo mantém essa referência, tudo indica que a continuação aprofundará as consequências psicológicas dessa escolha.
O longa lançado em 2022 apresentou um Batman em seu segundo ano de atuação, ainda aprendendo a lidar com os limites da própria cruzada. Interpretado por Robert Pattinson, o personagem surgiu menos como um símbolo mitológico e mais como um homem ferido tentando impor ordem ao caos.
A Gotham concebida por Matt Reeves era suja, úmida, politicamente apodrecida e dominada por estruturas criminosas enraizadas no poder público. O assassinato do prefeito Don Mitchell Jr. desencadeou uma investigação que expôs não apenas um serial killer metódico, mas uma rede sistêmica de corrupção envolvendo autoridades, empresários e policiais.
O Charada vivido por Paul Dano não era apenas um vilão excêntrico. Ele representava o extremismo digital, a radicalização online e o ressentimento social transformado em violência. Sua atuação trouxe uma camada perturbadora à narrativa, aproximando o filme de um thriller psicológico contemporâneo.
Agora, com Gotham parcialmente destruída após a inundação causada pelo plano final do vilão, o cenário para a sequência é ainda mais instável. A cidade precisa se reconstruir fisicamente — mas também moralmente. E é nesse ambiente frágil que novas ameaças podem surgir.
Antes de Reeves assumir o projeto, Ben Affleck estava ligado à direção, ao roteiro e ao protagonismo do longa. No entanto, após abandonar a função criativa, abriu espaço para uma reformulação completa da abordagem. Reeves decidiu apostar em um Batman mais jovem, mais introspectivo e com forte ênfase em seu lado detetive — algo que muitos fãs sentiam falta nas versões anteriores.
A inspiração em histórias clássicas dos quadrinhos dos anos 1980, 1990 e início dos anos 2000 ajudou a construir uma narrativa investigativa, quase procedural, que se distanciava do espetáculo puramente explosivo. O resultado foi um filme de atmosfera pesada, fotografia marcada por contrastes intensos e uma trilha sonora que reforçava o sentimento de isolamento.
Ao lado de Pattinson, nomes como Zoë Kravitz (Selina Kyle), Colin Farrell (Pinguim) e Jeffrey Wright (James Gordon) ajudaram a dar densidade emocional ao universo apresentado.
O desempenho comercial também foi expressivo. Mesmo enfrentando atrasos causados pela pandemia, o filme arrecadou mais de 770 milhões de dólares mundialmente, consolidando a confiança do estúdio em expandir essa versão do personagem.
“Nova e perigosa”: o que significa essa promessa?
O roteirista Mattson Tomlin, que colaborou no desenvolvimento do primeiro filme — embora sem crédito oficial —, declarou recentemente que a sequência será “nova e perigosa”. Mais do que uma frase de efeito, a declaração sugere que o segundo longa não pretende repetir a fórmula anterior.
“Estou ansioso para que as pessoas assistam e falem bastante sobre o filme”, afirmou Tomlin, destacando o quanto o projeto é significativo em sua trajetória. A escolha das palavras indica uma obra que pretende provocar discussões — seja pelo caminho narrativo, pela construção dos vilões ou pelas decisões morais do protagonista.
Perigosa pode significar muitas coisas: um Batman levado a extremos éticos; antagonistas ainda mais imprevisíveis; ou uma Gotham onde a linha entre justiça e vingança se torna ainda mais turva.
Possíveis caminhos narrativos
O final do primeiro filme deixou pistas claras para o futuro. A breve aparição de um detento misterioso em Arkham, interpretado por Barry Keoghan, foi amplamente interpretada como a introdução do Coringa nesse universo. Embora nada tenha sido oficialmente confirmado como foco central da sequência, o potencial de explorar a dinâmica entre Batman e esse vilão é evidente.
Além disso, o Pinguim, interpretado por Colin Farrell, saiu fortalecido politicamente no submundo do crime após a queda de Carmine Falcone. Em uma cidade alagada e fragilizada, disputas por território e influência podem se intensificar.
Há também a transformação interna de Bruce Wayne. No desfecho de The Batman, ele percebe que ser apenas um símbolo de medo não é suficiente. Ao ajudar sobreviventes da tragédia e conduzi-los para a luz, Bruce começa a entender que precisa representar esperança. Essa mudança pode redefinir completamente sua postura na sequência.
Reino Unido como base de produção
A decisão de iniciar as filmagens novamente no Reino Unido reforça a continuidade estética do projeto. No primeiro longa, locações britânicas foram fundamentais para criar a identidade arquitetônica de Gotham, combinando prédios históricos, áreas industriais e cenários urbanos contemporâneos.
Manter essa base sugere que o visual continuará sendo um dos pilares narrativos. A Gotham de Reeves não é apenas cenário; ela é personagem. Suas ruas molhadas, seus prédios decadentes e sua iluminação contrastante traduzem o estado emocional de Bruce Wayne.
Expansão do universo
Além da continuação direta, o universo idealizado por Reeves já se expande para outras mídias. Séries derivadas ambientadas na mesma linha temporal estão em desenvolvimento, reforçando que esse projeto é pensado a longo prazo.
No entanto, é o segundo filme que carregará a responsabilidade de consolidar definitivamente essa visão. Sequências costumam ser desafiadoras: precisam ampliar o escopo sem perder identidade, inovar sem romper com o que funcionou.
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