
O Centro Cultural Banco do Brasil Brasília recebe, a partir do dia 31 de março, uma das exposições mais ambiciosas já realizadas no país sobre a obra de Joaquín Torres García. Intitulada Joaquín Torres García – 150 anos, a mostra chega como um convite à redescoberta de um dos nomes mais influentes da arte do século XX, reunindo um amplo acervo que atravessa diferentes fases de sua produção e estabelece diálogos com artistas de diversas gerações e origens.
Com entrada gratuita e classificação indicativa livre, a exposição segue em cartaz até 21 de junho e se destaca não apenas pela quantidade de obras apresentadas, mas pela proposta curatorial que busca reposicionar o legado do artista dentro de um contexto mais amplo e contemporâneo. Ao invés de se limitar a uma retrospectiva tradicional, o projeto aposta em conexões que ampliam o entendimento sobre sua contribuição para a consolidação de uma linguagem artística latino-americana com projeção internacional.
Sob a curadoria de Saulo di Tarso, a mostra propõe uma leitura renovada do conceito de Universalismo Construtivo, formulado por Torres García como uma tentativa de unir referências universais a uma identidade própria do continente. A exposição percorre esse pensamento a partir de diferentes núcleos, colocando sua obra em diálogo com produções brasileiras, influências das vanguardas europeias e elementos das culturas africanas e indo-americanas.
A realização do projeto contou com a colaboração institucional de Alejandro Díaz, diretor do Museo Torres García, cuja participação foi essencial para trazer ao Brasil materiais raros, como manuscritos e desenhos inéditos. Esse conjunto amplia significativamente a compreensão sobre o processo criativo do artista e permite ao público acessar aspectos menos conhecidos de sua trajetória.

Entre os destaques da exposição está a presença de “América invertida”, obra emblemática que raramente deixa o acervo do museu em Montevidéu. Mais do que um ícone visual, a peça simboliza uma inversão de perspectiva que questiona as hierarquias culturais tradicionais, colocando a América Latina como centro de produção de conhecimento e não apenas como receptora de influências externas.
A mostra também se destaca pela diversidade de acervos reunidos. Obras provenientes de instituições internacionais como o Museu de Arte Contemporânea de Barcelona, o Instituto Valenciano de Arte Moderno, a Colección Telefónica e o Museo de la Solidaridad Salvador Allende dialogam com peças de importantes coleções brasileiras, como o Museu de Arte de São Paulo e a Pinacoteca de São Paulo. Esse encontro de diferentes origens reforça o caráter internacional da obra de Torres García e evidencia sua capacidade de transitar entre contextos culturais distintos.
Outro eixo importante da exposição é sua dimensão pedagógica. Torres García via na infância um espaço fundamental para a construção do pensamento artístico, defendendo uma abordagem baseada na experimentação e na criação de símbolos. Essa visão se manifesta tanto em suas pinturas quanto em projetos educativos, como os brinquedos de madeira desenvolvidos por ele, que buscavam estimular a percepção e a organização do mundo a partir de formas simples.
O diálogo com a produção brasileira ocupa um espaço central na mostra. Cerca de 40 artistas nacionais estão presentes, organizados em torno de reflexões que envolvem memória e identidade. Um dos pontos de partida é o incêndio do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, em 1978, evento que marcou profundamente a história cultural do país. Outro eixo propõe revisitar as divisões simbólicas herdadas do Tratado de Tordesilhas, questionando seus impactos nas relações culturais da América do Sul.
Entre os nomes reunidos estão Cecília Meireles, Cildo Meireles, Hélio Oiticica, Ernesto Neto, Rubens Gerchman e Rosana Paulino, além de outros artistas que ajudam a construir um panorama diverso e representativo. Também integram a exposição nomes como Alfredo Volpi, Mira Schendel e Lina Bo Bardi, reconhecidos por sua influência decisiva na arte brasileira.
A abertura da exposição contará com uma visita mediada exclusiva para a imprensa, conduzida pelo curador Saulo di Tarso, oferecendo uma leitura aprofundada dos eixos que estruturam a mostra. Em Brasília, o projeto ganha ainda um recorte específico ao dialogar com obras da Coleção Banco do Brasil, incluindo artistas como Athos Bulcão, Maria Bonomi e Rubem Valentim, ampliando a relação entre arte, arquitetura e espaço urbano.
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