
O longa-metragem O Drama chegou aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (9) cercado de expectativa por reunir Zendaya e Robert Pattinson em um romance que promete fugir do convencional. Dirigido e roteirizado por Kristoffer Borgli, o filme parte de uma ideia instigante: um casal às vésperas do casamento tem sua relação desestabilizada por uma revelação que muda completamente a forma como o público passa a enxergá-los.
Na prática, porém, o longa oscila entre momentos de interesse narrativo e uma construção que parece mais preocupada em parecer provocativa do que em desenvolver seus personagens de forma consistente.
Um romance desmontado pela própria estrutura
A trama acompanha dois personagens que pareciam caminhar para um desfecho clássico de romance, mas que são colocados em crise pouco antes do casamento. A partir de uma informação inesperada, a narrativa tenta reconstruir tudo o que foi visto até então, reinterpretando falas, gestos e silêncios sob uma nova perspectiva.
A proposta, em teoria, é interessante. O problema é que o filme nem sempre consegue sustentar essa reinterpretação com fluidez. Em alguns momentos, a sensação é de que o roteiro força uma complexidade que não se traduz organicamente na tela, deixando lacunas entre intenção e execução.

Zendaya e Pattinson em um duelo de tons irregulares
O grande apelo do filme está no encontro entre Zendaya e Robert Pattinson, dois nomes de forte presença no cinema contemporâneo. Zendaya constrói uma atuação mais controlada, baseada em reações sutis, enquanto Pattinson aposta em uma entrega mais instável e ambígua.
Apesar do esforço dos dois, a direção nem sempre parece encontrar o tom ideal para essa dinâmica. Há cenas em que a tensão funciona com naturalidade, mas outras em que o desempenho dos atores parece preso a uma encenação que não evolui com o mesmo ritmo da narrativa.
O resultado é um casal que chama atenção individualmente, mas nem sempre convence como unidade emocional.
Entre a comédia e o desconforto, o filme não se decide
O Drama tenta equilibrar humor e incômodo psicológico, apostando em situações que deveriam provocar riso, mas frequentemente geram uma sensação de estranhamento mais do que leveza. A comédia surge de forma irregular, muitas vezes interrompida por mudanças bruscas de tom.
Esse vai e vem entre o cômico e o desconfortável poderia funcionar como proposta estilística, mas aqui acaba reforçando a impressão de um filme que não encontra estabilidade narrativa. Em vez de um jogo inteligente de expectativas, o que se vê é uma oscilação constante que nem sempre se justifica dentro da história.
Um roteiro que quer ser maior do que a própria história
Com produção da A24 e participação criativa de Ari Aster, o longa claramente busca se posicionar dentro de um cinema mais autoral e provocativo. No entanto, essa ambição nem sempre é acompanhada por uma construção narrativa sólida.
A reviravolta central, que deveria reorganizar toda a percepção do espectador, nem sempre tem o impacto esperado. Em alguns momentos, ela parece mais um recurso estrutural do que uma consequência natural dos acontecimentos anteriores.
Isso faz com que parte do filme funcione mais como exercício de estilo do que como narrativa emocionalmente envolvente.
Vale a pena assistir O Drama?
O longa-metragem não é um fracasso completo, mas também está longe de ser o filme provocador que parece querer ser. Há ideias interessantes, especialmente na forma como tenta desconstruir um relacionamento a partir de uma revelação central, e também boas atuações de Zendaya e Robert Pattinson.



















