
Vinte anos depois do sucesso do original, O Diabo Veste Prada 2 chega aos cinemas cercado de expectativa e já com números expressivos. O filme estreou com cerca de US$ 10 milhões nas pré-exibições de quinta-feira nos Estados Unidos e ultrapassou a marca de US$ 50 milhões em bilheteria global ainda antes do primeiro fim de semana completo, com projeções da indústria apontando um possível total de até US$ 180 milhões no período inicial. O desempenho reforça não apenas o apelo comercial da franquia, mas também o peso da nostalgia combinada com um novo olhar sobre o universo da moda e da mídia.
Como a sequência atualiza a história original?
A trama se passa duas décadas após os eventos do primeiro filme e acompanha Andy Sachs em uma nova fase da vida profissional. Depois de construir uma carreira sólida no jornalismo investigativo, ela é demitida de forma abrupta, junto com sua equipe, em um momento que expõe a fragilidade do mercado editorial contemporâneo. É nesse cenário que ela acaba sendo chamada de volta ao universo da revista Runway, agora não como assistente, mas como peça estratégica para tentar recuperar a credibilidade da publicação.
Nesse retorno, Miranda Priestly enfrenta uma crise de imagem após um escândalo envolvendo uma marca de fast-fashion, enquanto a revista passa a sofrer forte pressão financeira e editorial. A chegada de um novo comando na empresa dona da Runway intensifica ainda mais a instabilidade, já que o foco passa a ser lucro imediato, e não a tradição jornalística ou o prestígio da publicação.
Como mudam as relações entre Andy, Miranda e Emily?
Um dos pontos mais marcantes de O Diabo Veste Prada 2 é a inversão de papéis entre as protagonistas. Andy retorna em uma posição de influência editorial, Miranda tenta manter o controle em meio ao enfraquecimento da revista, e Emily Charlton assume uma postura completamente diferente da que tinha no passado, agora como executiva de uma grande marca de luxo, com poder direto sobre recursos importantes para a Runway. Essa mudança cria um jogo de forças mais complexo, onde antigas hierarquias deixam de existir de forma clara e passam a ser substituídas por interesses profissionais cruzados.
Como o filme retrata o novo cenário da moda e da mídia?
A sequência amplia o universo do original ao mostrar como o mercado de moda e o jornalismo de alto padrão mudaram com o tempo. A Runway deixa de ser apenas uma revista influente e passa a ser uma empresa pressionada por cortes, perda de anunciantes e decisões corporativas agressivas. A chegada de uma nova liderança no grupo controlador acelera esse processo, colocando em risco departamentos inteiros e forçando decisões que priorizam rentabilidade em detrimento da identidade editorial.
Esse novo contexto leva parte da trama para Milão, durante a Fashion Week, onde os personagens tentam renegociar contratos e preservar a relevância da revista em meio a um cenário cada vez mais competitivo e comercializado.
O que acontece na viagem para Milão?
A ida à Itália marca um dos momentos centrais da narrativa. Em crise financeira, a equipe da Runway viaja em condições bem diferentes do glamour habitual da revista, refletindo a perda de status da publicação. Lá, Miranda tenta reconectar a marca com grandes anunciantes, enquanto organiza um desfile estratégico que conta até com participação especial de Lady Gaga, reforçando a relação entre moda, espetáculo e cultura pop.
Como o filme equilibra vida pessoal e disputas profissionais?
Além da tensão corporativa, O Diabo Veste Prada 2 também explora relações pessoais que interferem diretamente nas decisões profissionais. Andy se envolve com o arquiteto Peter, enquanto Emily vive uma relação com um bilionário interessado em adquirir a própria Runway, o que adiciona uma camada extra de conflito entre vida pessoal e interesses de mercado.
Quem está por trás da produção?
A direção é de David Frankel (Marley & Eu, Escritores da Liberdade), com roteiro de Aline Brosh McKenna (Cruella, A Proposta), dupla que retorna após o sucesso do primeiro filme. O desenvolvimento da sequência começou em 2024 e contou com o retorno de Meryl Streep (A Dama de Ferro, Mamma Mia!), Anne Hathaway (Os Miseráveis, Interestelar), Emily Blunt (Oppenheimer, Um Lugar Silencioso) e Stanley Tucci (Conclave, Jogos Vorazes), além de novas adições ao elenco ao longo da produção.
Por que o filme também gerou debate fora das telas?
Antes mesmo da estreia, a produção enfrentou discussões nas redes sociais após a divulgação de um clipe promocional envolvendo uma nova personagem assistente de Andy. Parte do público apontou possíveis estereótipos na construção da personagem, o que gerou debates sobre representação asiática em produções de Hollywood e ampliou a repercussão do filme para além do entretenimento.



















