Confiança, novo suspense disponível na Netflix, parte de uma premissa que até chama atenção: uma atriz famosa, abalada por um escândalo midiático, se isola em uma cabana remota e acaba envolvida em uma situação de sobrevivência após uma invasão violenta. Em teoria, o ponto de partida combina isolamento, vulnerabilidade e tensão psicológica, três pilares clássicos do gênero. Na prática, porém, o filme nunca consegue transformar essa base em algo sólido, e o que deveria ser um thriller claustrofóbico se perde em uma narrativa instável, que parece constantemente hesitar sobre qual história quer contar.

Narrativa dispersa e falta de direção clara

Desde os primeiros atos, Confiança demonstra dificuldade em estabelecer um ritmo consistente. Em vez de construir gradualmente o suspense, o roteiro aposta em mudanças bruscas de direção, introduzindo ideias que não se conectam de forma orgânica. Personagens surgem sem função clara, eventos importantes são resolvidos rapidamente e o desenvolvimento dramático parece sempre apressado. O resultado é uma história fragmentada, onde as peças não se encaixam e o espectador é constantemente retirado da imersão. Há momentos em que o filme sugere querer explorar o impacto psicológico do escândalo na protagonista, mas logo abandona essa linha para mergulhar em situações de ação descontextualizadas, o que compromete qualquer tentativa de profundidade narrativa.

Suspense que não sustenta o próprio gênero

Um dos maiores problemas do filme está justamente no elemento central de qualquer thriller, o suspense. As cenas de invasão e confronto, que deveriam ser o ponto alto da tensão, são mal construídas e raramente geram impacto. Em vez de criar uma atmosfera crescente de perigo, o filme opta por sequências apressadas, com soluções fáceis e pouca construção emocional. Em alguns momentos, a execução chega a soar artificial, enfraquecendo ainda mais a credibilidade da narrativa. A sensação que fica é a de um suspense que nunca consegue se sustentar, com falta de peso, ritmo e consequência.

Sophie Turner em um papel limitado pelo roteiro

No centro da história está Lauren, interpretada por Sophie Turner, uma atriz que tenta lidar com a exposição pública e o colapso de sua vida pessoal. A premissa da personagem tem potencial dramático evidente, especialmente pela possibilidade de explorar o impacto psicológico da fama e da invasão de privacidade. No entanto, o roteiro não oferece espaço suficiente para essa construção, fazendo com que Lauren reaja aos acontecimentos mais do que desenvolva uma jornada emocional consistente. Turner entrega o que o material permite, mas o desenvolvimento superficial da personagem limita qualquer aprofundamento mais significativo.

Conveniências narrativas e lógica instável

Outro aspecto que enfraquece Confiança é o uso excessivo de conveniências de roteiro. Situações improváveis são resolvidas sem explicação convincente, e decisões dos personagens muitas vezes não seguem uma lógica interna clara. Essa falta de coerência compromete a credibilidade da trama, já que o filme aposta em reviravoltas constantes que parecem existir apenas para manter a história em movimento, ainda que sem direção definida.

Uma tentativa de subversão que não funciona

O longa-metragem até tenta, em alguns momentos, fugir das fórmulas tradicionais do gênero, mas subverter expectativas exige controle narrativo, algo que o filme claramente não demonstra. Ao tentar ser imprevisível, a produção acaba apenas sendo inconsistente, criando uma sensação de desorganização constante, onde nada parece totalmente desenvolvido ou intencionalmente construído.

Avaliação geral
Nota do crítico
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Esdras Barbosa
Além de fundador e editor-chefe do Almanaque Geek, Esdras também atua como administrador da agência de marketing digital Almanaque SEO. É graduado em Publicidade pela Estácio e possui formação técnica em Design Gráfico e Webdesign, reunindo experiência nas áreas de comunicação, criação visual e estratégias digitais.
critica-confianca-desperdica-boa-premissa-em-um-roteiro-confuso-e-sem-rumoConfiança parte de uma premissa interessante, ao acompanhar uma atriz em isolamento que precisa sobreviver a uma invasão violenta, mas falha na execução. O filme se perde em uma narrativa confusa, com excesso de reviravoltas sem impacto e pouca coerência entre os acontecimentos. O suspense, que deveria ser o ponto central, não funciona como deveria, com cenas pouco tensas e até artificiais. Apesar do esforço de Sophie Turner, o roteiro não desenvolve bem sua personagem nem sustenta o drama. No fim, o longa tenta ser inovador, mas acaba apenas desorganizado e pouco envolvente.

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