
Os primeiros números de Supergirl ficaram abaixo do que a Warner Bros. e a DC Studios esperavam. O filme arrecadou cerca de US$ 38 milhões nos Estados Unidos e Canadá e fechou o primeiro fim de semana com aproximadamente US$ 68 milhões no mercado internacional. Para um longa que inaugura uma nova fase da personagem nos cinemas, a estreia foi considerada discreta.
O tamanho do investimento ajuda a entender por que a bilheteria virou assunto. A produção custou cerca de US$ 170 milhões. Embora os estúdios não divulguem oficialmente quanto gastam em publicidade, analistas do mercado costumam considerar que campanhas globais de lançamento podem chegar a um valor semelhante ao do orçamento. Isso colocaria o custo total do projeto próximo de US$ 340 milhões. Como parte da receita das vendas de ingressos fica com os exibidores, um filme precisa arrecadar bem mais do que seu custo para começar a dar retorno financeiro.
A repercussão da estreia chegou rapidamente aos bastidores de Hollywood. Em reportagem publicada pelo The Hollywood Reporter, um executivo de estúdio fez uma avaliação que chamou atenção ao afirmar que os filmes de super-heróis deixaram de ser prioridade para a Geração Z e que o gênero conversa muito mais com quem cresceu acompanhando o auge da Marvel entre o fim dos anos 2000 e a década de 2010.
Essa análise ajuda a explicar parte da discussão, mas os resultados recentes mostram que o cenário é mais complexo. Nos últimos anos, filmes como The Flash, As Marvels, Shazam! Fúria dos Deuses, Madame Teia e Kraven, o Caçador também registraram arrecadações inferiores às projeções. Em comum, todos chegaram aos cinemas carregando marcas muito conhecidas, mas sem conseguir transformar esse reconhecimento em venda de ingressos.
No caso de Supergirl, existe um fator que diferencia o filme de outros lançamentos da DC. A personagem é popular entre os leitores de quadrinhos e ganhou novos fãs com a série de televisão exibida entre 2015 e 2021, mas sua presença no cinema sempre foi limitada. Seu único filme solo antes desta nova versão foi lançado em 1984 e acabou ficando marcado pelo baixo desempenho nas bilheterias.
O longa também chega em um momento de transição para a DC Studios. Depois do encerramento do antigo universo compartilhado, James Gunn e Peter Safran iniciaram uma nova cronologia para os personagens da editora. Isso significa que parte do público ainda está descobrindo como essas histórias se conectam e qual direção o estúdio pretende seguir nos próximos anos.
Outro ponto observado por analistas é a mudança de comportamento do público. Há dez ou quinze anos, um novo filme de super-herói costumava ser tratado como um grande acontecimento. Hoje, o espectador escolhe com mais cuidado o que vai assistir no cinema. A concorrência com o streaming, o aumento do preço dos ingressos e a grande quantidade de lançamentos fazem com que muitos esperem a estreia digital antes de decidir assistir.
















