Quem gosta de terror com uma dose de estranheza e referências ao próprio cinema tem um encontro marcado no Cine Belas Artes, em São Paulo. Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte terá uma sessão especial no dia 2 de setembro, às 20h, seguida de um debate sobre o filme.

A programação também inclui um cartaz oficial para os participantes e o sorteio de uma ecobag exclusiva. O longa segue em cartaz nos cinemas brasileiros e chega à terceira semana de exibição no país.

Do que fala Acampamento Miasma?

A história começa com uma franquia fictícia de filmes de terror que fez sucesso nos anos 1980. O personagem central é Pequena Morte, uma figura sobrenatural associada a um acampamento onde uma criança foi assassinada por outros campistas. Depois da morte, a criatura passa a retornar do lago do local para atacar quem aparece por ali.

Décadas depois, a série de filmes perdeu força após uma sequência de continuações mal recebidas. É nesse cenário que entra Kris Williams, uma diretora queer contratada para comandar um reboot.

Kris cresceu assistindo aos filmes e conhece profundamente a franquia. Ela também sabe que a história original carrega uma representação transfóbica e que o estúdio espera justamente que ela ajude a remodelar esse aspecto para um público atual.

A diretora decide procurar Billy Presley, atriz que estrelou o primeiro filme antes de abandonar a carreira. Billy vive no antigo acampamento utilizado nas filmagens e mantém uma relação bastante particular com a personagem que interpretou.

Por que a atriz do primeiro filme é tão importante?

O reencontro com Billy muda a relação de Kris com o projeto. A atriz guarda lembranças difíceis das filmagens do longa original, incluindo um episódio de abuso sexual ocorrido durante uma cena de sexo.

A partir dessa conversa, o roteiro passa a explorar a ligação entre cinema, desejo e trauma. Kris também revela suas próprias dificuldades relacionadas à sexualidade. O terror deixa de funcionar apenas como uma história de assassinatos e passa a servir como uma forma de discutir aquilo que os personagens projetam na tela.

Essa relação é importante para entender a proposta do filme. A história de Camp Miasma existe dentro da própria história de Acampamento Miasma, criando uma espécie de filme dentro do filme. Kris conhece cada detalhe da produção original, mas começa a perceber que algumas coisas podem ser mais próximas da realidade do que ela imaginava.

Quem está no elenco?

Gillian Anderson, conhecida por Arquivo X e Sex Education, integra o elenco do longa. Hannah Einbinder, de Hacks, também está entre os nomes principais.

A direção é de Jane Schoenbrun, cineasta que já trabalhou com histórias voltadas para identidade, memória e a relação entre realidade e ficção. Em Acampamento Miasma, essas questões aparecem dentro de uma estrutura de terror inspirada nos slashers clássicos.

O filme também utiliza referências visuais e narrativas associadas a cineastas como David Lynch e Alfred Hitchcock, além de recorrer a efeitos práticos que remetem ao cinema de gênero de décadas anteriores.

O filme foi exibido em Cannes?

Sim. Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte passou pelo Festival de Cannes, onde recebeu a Queer Palm, prêmio dedicado a produções que apresentam temáticas LGBTQIA+.

A passagem pelo festival ajudou a colocar o longa no radar de quem acompanha o cinema independente e o terror contemporâneo. No Brasil, a produção continua em cartaz e agora terá uma programação especial em São Paulo.

Como será a sessão no Cine Belas Artes?

A sessão acontece no dia 2 de setembro, às 20h, no Cine Belas Artes, em São Paulo. Depois da exibição, haverá um debate com o público sobre o filme.

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