A estreia mundial de “A Fabulosa Máquina do Tempo” foi marcada por casa cheia, aplausos calorosos e um clima de celebração que levou o espírito brasileiro ao coração da Alemanha. O novo longa de Eliza Capai abriu a mostra Generation Kplus do Festival Internacional de Cinema de Berlim, a tradicional Berlinale, em uma sessão com ingressos esgotados no Auditório Miriam Makeba, na Haus der Kulturen der Welt. A recepção do público foi imediata, com risadas ao longo da exibição e aplausos ainda durante o filme, em um daqueles momentos raros em que a conexão entre obra e plateia se torna visível.

Coprodução da Amana Cine com Globo Filmes, GloboNews e Canal Brasil, o documentário é o único representante brasileiro na disputa pelo prêmio de Melhor Documentário nesta edição do festival e também concorre ao Urso de Cristal dentro da Generation Kplus, seção dedicada a narrativas que dialogam com infância, crescimento e amadurecimento.

A estreia ganhou contornos ainda mais simbólicos por ter acontecido em plena sexta-feira de carnaval. A equipe decidiu transformar o tapete vermelho em uma extensão da identidade do filme e levou um personagem inspirado no icônico Fofão, figura que também aparece na obra. Ao lado das meninas protagonistas, o personagem dançou, interagiu com o público e trouxe leveza e irreverência à entrada oficial do longa no festival. O momento chamou atenção da imprensa internacional e ajudou a criar uma atmosfera calorosa antes mesmo do início da sessão.

Para Eliza Capai, a noite teve um significado profundamente pessoal. A diretora revelou que há cerca de dois anos já falava, em tom de brincadeira, que seu novo filme estrearia em fevereiro de 2026 em Berlim, mesmo sem qualquer confirmação oficial. Ver esse desejo se concretizar, especialmente abrindo a Generation Kplus, foi descrito por ela como a realização de um sonho antigo. Mais do que isso, foi a chance de compartilhar a experiência com algumas das crianças protagonistas que viajaram para acompanhar a estreia. A diretora destacou que o filme fala justamente sobre sonhos e sobre a importância de criar utopias como forma de imaginar e construir mundos melhores.

Entre as presenças que mais emocionaram o público estava a pequena Manuella Dias Silva, carinhosamente chamada de Manuzinha durante o festival. Para ela, a viagem foi repleta de descobertas inéditas. Foi a primeira vez em um avião e a primeira vez em uma sala de cinema. Em sua fala antes da exibição, resumiu a experiência com uma imagem poética que sintetiza o espírito do documentário: entrar em um avião foi como entrar em uma máquina do tempo. A frase arrancou sorrisos e reforçou o tom sensível da narrativa.

Rodado no Piauí, “A Fabulosa Máquina do Tempo” acompanha um grupo de meninas que, por meio de conversas e brincadeiras, revelam reflexões surpreendentes sobre o mundo ao seu redor. O filme mergulha no universo lúdico da infância, mas não se limita à leveza. Entre risadas e jogos imaginativos, surgem temas complexos como casamento, desigualdades de gênero, expectativas sociais e sonhos de futuro. A força da obra está justamente nessa combinação entre espontaneidade infantil e profundidade de pensamento.

Durante a sessão na Berlinale, a plateia reagiu de forma intensa e afetiva. Segundo a diretora, o público riu muito e se conectou profundamente com a história das meninas. Ao final, o sentimento era de coração aquecido e de missão cumprida. A atmosfera na sala evidenciou como questões locais, vividas por crianças do interior do Brasil, podem dialogar com espectadores de diferentes culturas e nacionalidades.

A presença do longa no festival também reafirma a trajetória consistente de Eliza Capai no circuito internacional. Em 2019, ela apresentou “Espero tua (Re)volta” na própria Berlinale, onde recebeu o Prêmio da Anistia Internacional e o Prêmio da Paz. Reconhecida por seu olhar atento às questões sociais e de gênero, a cineasta também dirigiu a série “O Prazer é Meu”, indicada ao Emmy Internacional, e o longa “Incompatível com a Vida”, premiado no festival É Tudo Verdade e qualificado para o Oscar. Seu trabalho tem se destacado por unir sensibilidade narrativa e compromisso político, sempre dando voz a personagens que raramente ocupam o centro das telas.

“A Fabulosa Máquina do Tempo” amplia essa proposta ao colocar meninas no centro da narrativa, permitindo que suas vozes conduzam o filme. Em vez de especialistas ou análises externas, são elas que constroem a reflexão sobre o mundo, criando uma experiência que mistura documentário, fantasia e observação social. O resultado é uma obra que dialoga tanto com crianças quanto com adultos, despertando memórias da própria infância e questionamentos sobre o futuro.

A realização do projeto contou com recursos do Fundo Setorial do Audiovisual por meio da Ancine e do BRDE, reforçando a importância das políticas públicas para a consolidação do cinema brasileiro em festivais internacionais. A distribuição nos cinemas do Brasil ficará a cargo da Descoloniza Filmes, enquanto as vendas internacionais serão conduzidas pela Split Screen.

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Esdras Ribeiro
Além de fundador e editor-chefe do Almanaque Geek, Esdras também atua como administrador da agência de marketing digital Almanaque SEO. É graduado em Publicidade pela Estácio e possui formação técnica em Design Gráfico e Webdesign, reunindo experiência nas áreas de comunicação, criação visual e estratégias digitais.

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