
A Universal Pictures divulgou oficialmente o primeiro trailer de “Anêmona”, longa-metragem que já nasce cercado de expectativa e simbolismo. O filme marca o retorno de Daniel Day-Lewis ao cinema após oito anos afastado das telas e também a estreia de Ronan Day-Lewis, seu filho, na direção de um longa. Com estreia confirmada nos cinemas brasileiros em 19 de fevereiro, a produção reúne uma combinação rara de legado, intimidade criativa e ambição artística.
Considerado um dos maiores atores de todos os tempos, Daniel Day-Lewis construiu uma carreira marcada por escolhas criteriosas e atuações transformadoras. Vencedor de três estatuetas do Oscar por Meu Pé Esquerdo, Sangue Negro e Lincoln, o ator anunciou sua aposentadoria em 2017, após o lançamento de Trama Fantasma. Desde então, seu retorno parecia improvável. “Anêmona”, portanto, não representa apenas mais um trabalho, mas um acontecimento cinematográfico que carrega peso histórico e emocional.
A decisão de voltar às telas está diretamente ligada ao envolvimento familiar no projeto. Além de protagonizar o longa, Daniel Day-Lewis assina o roteiro ao lado de Ronan Day-Lewis, criando uma obra construída a quatro mãos. Para Ronan, o filme representa sua estreia como diretor de cinema, após experiências anteriores como roteirista e produtor. Essa parceria entre pai e filho confere à obra uma camada adicional de intimidade, refletida tanto na construção dos personagens quanto nos temas abordados.
Produzido por Dede Gardner e Jeremy Kleiner, vencedores do Oscar por filmes como Moonlight: Sob a Luz do Luar e 12 Anos de Escravidão, “Anêmona” aposta em um drama denso, silencioso e profundamente humano. A narrativa acompanha os irmãos Ray Stoker e Jem Stoker, interpretados por Daniel Day-Lewis e Sean Bean, respectivamente. Separados há vinte anos por eventos traumáticos marcados por violência e religiosidade extrema, os dois seguiram caminhos opostos em busca de redenção.
Ray vive em um isolamento quase absoluto, retirado do convívio social e refugiado em uma cabana primitiva nas florestas do norte da Inglaterra. Seu exílio é tanto físico quanto emocional, uma tentativa de escapar de memórias que se recusam a desaparecer. Jem, por outro lado, encontrou na fé religiosa e na vida familiar uma forma de sobreviver ao passado. Ao lado da companheira Nessa, vivida por Samantha Morton, e do filho Brian, interpretado por Samuel Bottomley, ele construiu uma rotina baseada na devoção e na tentativa constante de reparação moral.
O reencontro entre os irmãos acontece quando uma crise familiar obriga Jem a procurar Ray, quebrando duas décadas de silêncio. A partir desse momento, o filme se desenvolve como um estudo intenso sobre ressentimento, culpa e laços de sangue que nunca se desfazem por completo. A cabana onde Ray vive se transforma no principal cenário da narrativa, funcionando como um espaço simbólico onde verdades reprimidas emergem e tragédias antigas finalmente encontram voz.
O elenco de apoio contribui para ampliar o impacto emocional da história. Além de Sean Bean e Samantha Morton, o filme conta com Safia Oakley-Green, que completa o núcleo dramático da produção. Cada personagem carrega marcas profundas deixadas pelo passado, reforçando a atmosfera melancólica e opressiva que permeia o longa.
Visualmente, “Anêmona” aposta em uma estética austera e naturalista, refletindo o isolamento emocional dos personagens. A direção de arte e o figurino, assinados por Chris Oddy e Jane Petrie, ajudam a construir um universo onde o tempo parece suspenso, reforçando a sensação de estagnação vivida por Ray. A fotografia privilegia paisagens frias, florestas densas e ambientes fechados, criando um contraste entre a beleza natural e o peso psicológico da narrativa.
As filmagens começaram em outubro de 2024, na cidade de Manchester, e seguiram para outras regiões do norte da Inglaterra. Durante as gravações em Chester, a produção enfrentou pequenos contratempos logísticos relacionados a estacionamento e trânsito, o que chegou a interromper temporariamente as filmagens. Apesar disso, o cronograma foi mantido e o filme avançou sem comprometer sua conclusão.
Além da estreia nos cinemas brasileiros em fevereiro, “Anêmona” já tem trajetória internacional definida. O longa está previsto para estrear no Festival de Cinema de Nova York em 2025, antes de chegar aos cinemas dos Estados Unidos em lançamento limitado, com posterior expansão nacional. A estratégia indica a aposta da Universal em um percurso mais autoral, voltado tanto para o circuito de premiações quanto para o público que valoriza dramas intensos e narrativas maduras.
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