A Galeria Berenice Arvani, em São Paulo, apresenta de 6 de abril a 29 de maio de 2026 a exposição “Arte Brasileira Uma Seleção”, uma mostra que propõe um olhar crítico e cuidadoso sobre a produção artística brasileira ao longo das décadas do século XX. Integrando a programação paralela da SP–Arte 2026, a exposição reúne obras de artistas que não apenas marcaram sua época, mas também tiveram suas trajetórias reconhecidas por instituições, exposições históricas e publicações de referência, consolidando seu lugar na história da arte nacional.

Segundo a galerista Berenice Arvani, “o objetivo da exposição é mais do que reunir grandes nomes: buscamos mostrar como o conceito de obra-prima evolui com o tempo. Cada período tem sua própria forma de questionar e redefinir os padrões estéticos, e queremos que o visitante perceba essa transformação”.

O percurso da mostra começa com as primeiras experimentações modernistas, momentos em que a arte brasileira buscava definir sua própria identidade frente às influências internacionais. Obras de Antonio Gomide, Di Cavalcanti, Candido Portinari e Victor Brecheret ilustram essa fase, marcada pelo equilíbrio entre representação e invenção, cores intensas e figuras que capturam o espírito de uma sociedade em transformação. “Esses artistas abriram caminhos essenciais para que as gerações seguintes pudessem experimentar novas linguagens sem perder a raiz brasileira”, explica o curador Ricardo Camargo.

Nas décadas seguintes, a mostra destaca a consolidação de uma linguagem mais construtiva e racional, explorada por nomes como Luiz Sacilotto, Maurício Nogueira Lima, Judith Lauand e Lothar Charoux. Esse período reflete uma busca por ordem, geometria e clareza formal, consolidando a abstração como um território fértil para a arte nacional. As obras dessa fase dialogam com movimentos internacionais sem abrir mão de uma singularidade que remete à experiência e à cultura brasileira.

A exposição também explora artistas que desafiaram os limites da percepção e da forma, introduzindo novas maneiras de interagir com a arte. Lygia Clark é um exemplo desse impulso experimental, com obras de sua fase inicial de pintura que antecipam suas experiências interativas e sensoriais. Reconhecida por instituições como o Museum of Modern Art, o Guggenheim Museum Bilbao e a Pinacoteca de São Paulo, Clark transformou a ideia de participação do público e ampliou a noção de obra artística. Junto dela, Mira Schendel se destaca com peças que exploram a delicadeza, a linguagem e a forma, enquanto Geraldo de Barros inovou na fotografia experimental, antecipando conceitos que influenciariam gerações seguintes.

A década de 1960 é apresentada como um ponto de inflexão, em que a arte brasileira começa a incorporar ambiguidade perceptiva, crítica social e novas linguagens visuais. Artistas como Hércules Barsotti, Claudio Tozzi, Rubens Gerchman e Wesley Duke Lee produzem obras que desafiam o olhar, questionam a imagem e experimentam com cores, formas e movimentos de maneira provocativa. Nesse período, a arte deixa de ser apenas objeto estético e passa a ser ferramenta de reflexão sobre sociedade, política e identidade.

Nas décadas seguintes, a exposição apresenta nomes que consolidam uma postura conceitual e crítica. Nelson Leirner e Antonio Dias, por exemplo, expandem a definição de arte, incorporando humor, ironia e crítica social em suas obras. Esse movimento revela como a produção artística brasileira se tornou um espaço de diálogo, questionamento e inovação, capaz de engajar o público em reflexões profundas e duradouras.

A escultura também ocupa um papel de destaque na exposição, com obras de Amilcar de Castro e Sergio Camargo, que exploram luz, sombra e volume, e criam uma relação única com o espaço expositivo. Joaquim Tenreiro, por sua vez, contribui com uma abordagem que conecta arte, design e arquitetura, mostrando que o campo da criação não precisa ser limitado por categorias rígidas. A inclusão de Kazmer Fejer reforça o caráter experimental e internacional da mostra, destacando como a arte brasileira dialogou com tendências globais e incorporou perspectivas inovadoras ao longo do século XX.

Além do valor estético e histórico, “Arte Brasileira Uma Seleção” apresenta obras com procedência rigorosa e trajetória consolidada, tornando-se também uma referência importante para colecionadores e investidores. O histórico de exposições, publicações e reconhecimento institucional reforça o valor das peças, garantindo não apenas beleza e relevância, mas também legitimidade no mercado de arte.

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