O que aconteceria se as pessoas com quem você trabalha todos os dias resolvessem te definir em poucas palavras e essa definição fosse suficiente para te colocar em um reality show? Essa é a pergunta inquietante que move Break Room, novo livro de Miye Lee, que acaba de chegar ao Brasil pela Editora Record. A obra aposta em tensão psicológica, conflitos silenciosos e relações humanas frágeis para construir uma narrativa que prende o leitor do início ao fim.

À primeira vista, a proposta do livro chama atenção pela originalidade. Em vez de voluntários em busca de fama ou dinheiro, o reality show de Break Room reúne participantes escolhidos por terceiros. Colegas de trabalho indicam pessoas que consideram difíceis, incômodas ou complicadas de lidar no cotidiano profissional. Sem entender exatamente o motivo da seleção, oito pessoas aceitam participar do programa acreditando que se trata apenas de uma experiência diferente.

Mas a sensação de estranhamento não demora a se transformar em desconforto.

Quando a convivência vira ameaça

Confinados e observados, os participantes começam a perceber que o jogo vai muito além da convivência forçada. Existe uma regra oculta que muda completamente a dinâmica do reality. Um dos competidores não está ali por acaso. Ele faz parte da produção e tem a missão de manipular o grupo, gerar conflitos e impedir que os outros cheguem à verdade.

O prêmio só será conquistado se o grupo conseguir identificar quem é o impostor. A partir desse momento, qualquer gesto vira motivo de suspeita. Conversas banais passam a ser analisadas, alianças se formam com base em medo e conveniência, e a confiança se torna um recurso escasso.

Miye Lee constrói esse clima de tensão com cuidado, explorando o impacto psicológico do confinamento e do julgamento constante. O reality show funciona como um experimento social que expõe o pior e o mais vulnerável de cada participante.

Um espelho desconfortável das relações humanas

Mais do que um jogo de enganação, Break Room se revela uma história sobre convivência e percepção. Ao longo da narrativa, o leitor é convidado a refletir sobre como opiniões são formadas dentro do ambiente de trabalho e o quanto essas visões podem ser superficiais ou injustas.

A autora questiona o rótulo de “pessoa difícil” e mostra como comportamentos são interpretados de maneiras completamente diferentes dependendo do olhar de quem observa. Em um espaço onde todos estão sendo avaliados o tempo todo, o medo de errar se torna paralisante e as relações se desgastam rapidamente.

O livro também aborda temas como pressão social, necessidade de aceitação e o impacto emocional de ser constantemente observado e julgado. O reality show, nesse contexto, deixa de ser apenas um formato narrativo e passa a funcionar como metáfora para o mundo corporativo contemporâneo.

Uma narrativa tensa e envolvente

A escrita de Miye Lee é direta, mas cheia de camadas emocionais. A autora conduz o leitor por uma sequência de situações cada vez mais desconfortáveis, sem recorrer a exageros. A tensão nasce do silêncio, das palavras não ditas e das reações impulsivas dos personagens.

Cada capítulo aprofunda as fissuras emocionais do grupo, revelando inseguranças, ressentimentos antigos e fragilidades que dificilmente apareceriam em situações comuns. O ritmo da narrativa mantém o leitor em constante estado de alerta, reforçando a sensação de que ninguém ali é totalmente confiável.

A versatilidade de Miye Lee

Embora Break Room apresente um tom mais sombrio e psicológico, o livro reforça a versatilidade de Miye Lee como autora. Antes desse lançamento, os leitores brasileiros já haviam conhecido um lado mais delicado de sua escrita por meio da duologia A Grande Loja dos Sonhos, publicada no país pela WMF Martins Fontes.

Naquela história, a autora construiu um universo sensível e acolhedor, centrado em uma loja mágica que vende sonhos para humanos e animais. A protagonista, Penny, trabalha nesse espaço singular e aprende, ao longo da narrativa, sobre luto, afeto e crescimento pessoal enquanto lida com os clientes e com figuras excêntricas como o enigmático dono DallerGut.

A diferença de tom entre as obras mostra como Miye Lee transita com naturalidade entre o encantamento e a tensão, sempre mantendo o foco nas emoções humanas.

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Esdras Ribeiro
Além de fundador e editor-chefe do Almanaque Geek, Esdras também atua como administrador da agência de marketing digital Almanaque SEO. É graduado em Publicidade pela Estácio e possui formação técnica em Design Gráfico e Webdesign, reunindo experiência nas áreas de comunicação, criação visual e estratégias digitais.

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