O Cinemaço deste domingo, 4 de janeiro de 2026, na TV Globo, aposta em um thriller intenso e surpreendentemente atual: “Inimigo do Estado”. Lançado em 1998, o filme dirigido por Tony Scott combina ação, espionagem e suspense em uma narrativa que discute poder, tecnologia e os limites da vigilância governamental — temas que, anos depois, se tornariam centrais no debate político e social mundial.

Produzido por Jerry Bruckheimer e escrito por David Marconi, o longa reúne um elenco de peso liderado por Will Smith e Gene Hackman, acompanhados por nomes como Jon Voight, Lisa Bonet, Gabriel Byrne, Barry Pepper e Regina King. A química entre Smith e Hackman é um dos pontos altos do filme, sustentando a tensão e dando humanidade a uma trama marcada por paranoia e perseguições constantes.

A história começa com o assassinato de um congressista norte-americano que se posiciona de forma radicalmente contrária a uma nova lei de segurança nacional. A proposta permitiria uma ampla invasão de privacidade dos cidadãos, sob o argumento de combate ao crime e ao terrorismo. O crime, no entanto, é flagrado acidentalmente por Daniel Zavitz, um ornitologista que registra o ocorrido sem saber a gravidade do que tem em mãos.

Ao perceber que se tornou alvo de agentes da National Security Agency (NSA), Zavitz entra em desespero. Em uma tentativa desesperada de proteger a prova do crime, ele esconde a gravação em uma sacola de compras pertencente a Robert Clayton Dean (Will Smith), um advogado bem-sucedido e antigo colega de faculdade. Pouco depois, Zavitz morre, e Dean passa a ser o novo alvo de uma perseguição implacável.

A partir desse ponto, a vida aparentemente perfeita do advogado se desintegra. Contas bancárias são congeladas, sua reputação é destruída e sua rotina passa a ser monitorada por escutas, satélites e dispositivos de vigilância. Sem entender o motivo de tudo aquilo, Dean precisa correr contra o tempo para provar sua inocência e sobreviver a um sistema que parece enxergar e controlar todos os seus passos.

Em meio ao caos, ele encontra um aliado improvável: Edward “Brill” Lyle (Gene Hackman), um ex-agente de inteligência que vive à margem do sistema e conhece profundamente os métodos de espionagem do governo. A parceria entre os dois personagens cria um contraste interessante entre o cidadão comum jogado em uma conspiração gigantesca e alguém que já conhece as engrenagens ocultas do poder.

Visualmente, “Inimigo do Estado” carrega a assinatura marcante de Tony Scott, com câmera dinâmica, cortes rápidos e uma sensação constante de urgência. A direção transforma a tecnologia em um personagem invisível, sempre presente, reforçando a ideia de que não há para onde fugir quando o sistema decide agir. Mesmo para padrões atuais, o filme impressiona pela forma como antecipa discussões sobre rastreamento digital, coleta de dados e perda de privacidade.

Com o passar dos anos, “Inimigo do Estado” ganhou um novo status. Após os atentados de 11 de setembro de 2001, a criação do Patriot Act e, mais tarde, as revelações de Edward Snowden sobre programas de vigilância como o PRISM, o filme passou a ser visto como uma obra à frente de seu tempo. Muitas situações que pareciam exageradas na ficção passaram a soar assustadoramente plausíveis.

Curiosamente, a representação da NSA no longa também gerou desconforto dentro da própria agência. À época, o então diretor Michael Hayden chegou a afirmar publicamente que a instituição não poderia sobreviver à imagem popular criada pelo filme, dando início a esforços de relações públicas para minimizar seu impacto. Ainda assim, “Inimigo do Estado” permanece como uma referência cultural quando o assunto é vigilância governamental.

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Esdras Ribeiro
Além de fundador e editor-chefe do Almanaque Geek, Esdras também atua como administrador da agência de marketing digital Almanaque SEO. É graduado em Publicidade pela Estácio e possui formação técnica em Design Gráfico e Webdesign, reunindo experiência nas áreas de comunicação, criação visual e estratégias digitais.

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