A Sessão da Tarde desta quinta-feira, 2 de abril de 2026, exibe o filme brasileiro Não Vamos Pagar Nada, comédia dirigida por João Fonseca e estrelada por Samantha Schmütz. Inspirado na peça Non Si Paga! Non Si Paga!, do dramaturgo Dario Fo, o longa utiliza o humor como ferramenta para abordar, com viés crítico, os efeitos da alta do custo de vida no cotidiano das camadas populares.

Produzido pela A Fábrica, com coprodução da Globo Filmes e distribuição da H2O Films, o filme marca a estreia de João Fonseca na direção de longas-metragens. A obra se apoia em uma linguagem acessível e em personagens próximos da realidade urbana brasileira para construir uma narrativa que dialoga diretamente com questões econômicas contemporâneas.

No centro da história está Antônia, interpretada por Samantha Schmütz, uma mulher que enfrenta dificuldades financeiras, mas mantém o bom humor como estratégia de sobrevivência. Desempregada e pressionada pelas contas do dia a dia, ela se vê diante de uma situação limite ao perceber o aumento abusivo dos preços no mercado do bairro. A indignação, inicialmente individual, rapidamente se transforma em um movimento coletivo quando outros clientes passam a compartilhar da mesma revolta. (Via: AdoroCinema)

A sequência que se desenrola a partir desse ponto conduz o enredo: um tumulto toma conta do estabelecimento e resulta em um saque impulsivo, no qual os consumidores decidem não pagar pelos produtos. O episódio, tratado com tom cômico, levanta questionamentos sobre desigualdade social, consumo e as tensões entre necessidade e legalidade. A partir daí, Antônia precisa lidar com as consequências de seus atos, especialmente ao tentar explicar a situação ao marido João, vivido por Edmilson Filho.

O elenco reúne nomes conhecidos do humor brasileiro, contribuindo para o ritmo ágil da narrativa. Flávia Reis interpreta Margarida, amiga da protagonista e cúmplice nas situações inusitadas que se sucedem. Já Fernando Caruso e Flávio Bauraqui assumem papéis ligados às forças de segurança, adicionando camadas de conflito à trama. A participação do músico Criolo, em um papel secundário, reforça o caráter popular da produção.

A adaptação da obra de Dario Fo para o contexto brasileiro não se limita à transposição do enredo. O roteiro de Renato Fagundes atualiza os conflitos para a realidade local, explorando temas como inflação, desemprego e precarização do trabalho. Ao mesmo tempo, preserva o espírito satírico da peça original, conhecida por seu tom crítico e provocador.

A direção de João Fonseca aposta em uma estética simples, valorizando o desempenho dos atores e o dinamismo das cenas coletivas. O uso de locações urbanas e a ambientação em um bairro popular contribuem para a identificação do público com a história. A montagem privilegia o ritmo da comédia, com diálogos rápidos e situações que se encadeiam de forma crescente, ampliando o efeito humorístico.

Além do entretenimento, o filme se destaca por provocar reflexões sobre questões estruturais da sociedade brasileira. A decisão dos personagens de não pagar pelas compras, embora apresentada de forma leve, remete a um cenário de insatisfação generalizada diante das dificuldades econômicas. Nesse sentido, a narrativa funciona como uma alegoria das tensões sociais que emergem em contextos de crise

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