Nem toda guerra contra as máquinas dura para sempre. Mattson Tomlin confirmou em suas redes sociais que O Exterminador do Futuro Zero foi cancelada após apenas uma temporada. A decisão ainda não ganhou um comunicado formal da Netflix, mas o criador foi direto ao explicar o motivo: pouca audiência.

Segundo Tomlin, a série foi bem recebida tanto pela crítica quanto pelo público que a assistiu. O problema foi o alcance. “A crítica e o público gostaram muito, mas não teve gente suficiente assistindo”, afirmou. Ele também comentou que adoraria ter explorado a Guerra do Futuro nas temporadas seguintes, mas que se sente satisfeito com a forma como a história se encerra.

A declaração tem um tom de frustração compreensível, mas também de gratidão. Dá para perceber que havia um plano maior. E havia mesmo.

Tomlin já tinha os roteiros completos da segunda temporada e um esboço estruturado da terceira. A ambição era que a série chegasse a cinco temporadas, expandindo a mitologia da franquia e aprofundando os conflitos entre humanos e máquinas. O cancelamento interrompeu esse arco antes que ele pudesse ganhar forma completa.

Ambientada no universo de O Exterminador do Futuro, criado por James Cameron e Gale Anne Hurd, a animação tentou algo diferente dentro da franquia. Em vez de revisitar os personagens clássicos, optou por contar uma nova história, com novos protagonistas, em um cenário pouco explorado: o Japão.

A trama se passa em Tóquio, em 1997. Malcolm Lee desenvolve um sistema de inteligência artificial chamado Kokoro, criado para competir com a Skynet. Na véspera do Dia do Julgamento, ele e seus três filhos passam a ser perseguidos por um exterminador desconhecido. Ao mesmo tempo, um soldado vindo de 2022 é enviado ao passado para protegê-los.

A série mistura ação, tensão familiar e reflexões sobre tecnologia. O que diferencia essa abordagem é justamente o olhar mais íntimo. A história não se limita a perseguições e explosões. Ela investe na dinâmica entre pai e filhos, no medo constante e nas escolhas que moldam o futuro.

A produção ficou a cargo do estúdio japonês Production I.G, com direção de Masashi Kudō. A escolha não foi apenas estética. Tomlin revelou que a equipe japonesa pediu que a série tivesse um componente cultural próprio. Ambientar a história no Japão trouxe diferenças interessantes, como a menor disponibilidade de armas de fogo para civis, o que altera completamente a lógica de sobrevivência diante de uma ameaça implacável.

Outro detalhe curioso do processo criativo foi a questão do idioma. Os roteiros foram escritos originalmente em inglês por Tomlin, depois traduzidos para o japonês para a produção da animação. Em seguida, o próprio criador reescreveu os diálogos em inglês para a dublagem final, ajustando nuances para que soassem naturais. Foi um processo de adaptação constante, quase um diálogo entre culturas.

A série estreou com oito episódios em 29 de agosto de 2024. Durante a divulgação na Geeked Week de 2023, a Netflix apresentou o projeto como uma expansão do universo Terminator, prometendo novos personagens e uma abordagem mais global da guerra contra as máquinas.

Tomlin também deixou claro que considerava todos os filmes anteriores da franquia como canônicos. A ideia era respeitar a linha do tempo estabelecida e, ao mesmo tempo, construir algo novo. Nas temporadas futuras, o foco se voltaria especialmente para os filhos de Malcolm. O criador queria mostrar como eles cresceriam em meio ao conflito e como suas visões sobre humanos e máquinas se tornariam radicalmente diferentes.

Esse desenvolvimento mais profundo, que culminaria na Guerra do Futuro, acabou ficando apenas no papel.

O cancelamento reacende uma discussão frequente no universo do streaming. Nem sempre qualidade e boa recepção garantem continuidade. Em um cenário competitivo, onde o volume de lançamentos é enorme, conquistar atenção suficiente se tornou tão desafiador quanto sobreviver a um exterminador.

Ainda assim, Tomlin afirmou que a primeira temporada funciona como uma história fechada. Para quem assistiu, há um arco completo, mesmo com portas abertas para expansões que agora não acontecerão.

O Exterminador do Futuro Zero pode não ter tido vida longa, mas representou uma tentativa interessante de reinventar uma franquia clássica sob uma nova perspectiva cultural e narrativa. Mostrou que ainda há espaço para explorar a mitologia criada nos anos 1980 sob ângulos diferentes.

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Esdras Ribeiro
Além de fundador e editor-chefe do Almanaque Geek, Esdras também atua como administrador da agência de marketing digital Almanaque SEO. É graduado em Publicidade pela Estácio e possui formação técnica em Design Gráfico e Webdesign, reunindo experiência nas áreas de comunicação, criação visual e estratégias digitais.

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