
O cineasta Daniel Ribeiro revelou nesta sexta, 27 de março, novidades importantes sobre um de seus trabalhos mais marcantes. O diretor confirmou que Hoje Eu Quero Voltar Sozinho ganhará uma adaptação em quadrinhos, com lançamento previsto para maio, e também anunciou um novo longa que integra uma trilogia temática sobre relacionamentos.
A HQ será escrita pelo próprio Ribeiro, com ilustrações do designer Bruno Freire, e nasce do desejo de revisitar e ir além da história de Leonardo e Gabriel. A proposta é expandir o universo dos personagens que conquistaram público e crítica ao tratar, com sensibilidade, temas como descoberta afetiva, deficiência visual e amadurecimento. Segundo o diretor, o formato em quadrinhos oferece uma liberdade criativa que o cinema nem sempre permite, abrindo espaço para aprofundar nuances e situações que ficaram de fora do longa original.

Ribeiro também não descarta um retorno desses personagens ao audiovisual. A ideia é acompanhá-los em uma fase mais madura da vida, explorando novos conflitos e transformações. Para ele, seria interessante entender como Leo e Gabriel lidariam com os desafios da vida adulta, especialmente considerando a passagem do tempo desde o lançamento do filme.
Lançado em 2014, o longa-metragem se tornou um marco do cinema nacional contemporâneo. A trama acompanha Leonardo, um adolescente cego em busca de autonomia enquanto descobre seus sentimentos por um novo colega de escola. Interpretado por Ghilherme Lobo, o personagem vive um processo de amadurecimento que envolve independência, relações familiares e a construção de sua identidade afetiva, ao lado de Giovanna, vivida por Tess Amorim, e Gabriel, interpretado por Fábio Audi, trio que sustenta a força emocional da narrativa.

Baseado no curta “Eu Não Quero Voltar Sozinho”, também dirigido por Ribeiro, o longa ampliou a história original e alcançou reconhecimento internacional, incluindo o prêmio FIPRESCI da crítica especializada. Mais do que os prêmios, o impacto cultural foi significativo. O filme ajudou a ampliar a representatividade LGBTQIA+ no cinema brasileiro com uma abordagem delicada e natural, sem recorrer a estereótipos. Agora, mais de uma década depois, a história ganha novo fôlego nos quadrinhos, reafirmando sua relevância.
Paralelamente, o diretor confirmou seu novo projeto para o cinema, “Eu Vou Ter Saudades de Você”. Protagonizado por Alice Marcone e Gabriel Lodi, o filme acompanha um casal transgênero que, após sete anos de relacionamento, enfrenta uma crise ao decidir morar junto. O roteiro foi desenvolvido em parceria com a própria Alice Marcone, reforçando a proposta de construir uma narrativa íntima e autêntica. Outro ponto de destaque é o elenco formado inteiramente por pessoas trans, em sintonia com o compromisso do cineasta com a diversidade no audiovisual.
O longa faz parte de uma trilogia idealizada por Ribeiro sobre os diferentes estágios das relações amorosas. O primeiro capítulo é Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, que retrata o início de um vínculo afetivo. Em seguida, “13 Sentimentos” (2024) explora as complexidades de um relacionamento em desenvolvimento. Já “Eu Vou Ter Saudades de Você” mergulha no desgaste, na possibilidade de ruptura e no processo de reconstrução individual.
Curiosamente, os filmes não seguem uma ordem cronológica de produção, uma escolha que, segundo o diretor, dialoga com a própria natureza dos relacionamentos. Para ele, as relações são imprevisíveis, cheias de idas e vindas, e a trilogia reflete justamente essa falta de linearidade.
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