A quinta, 9 de abril de 2026, chega com uma programação variada nas salas de cinema, reunindo produções que transitam entre o terror de franquia, o suspense político internacional, o drama social brasileiro e narrativas mais sensíveis. Entre continuações aguardadas, adaptações literárias e títulos premiados em festivais, a semana oferece opções para diferentes perfis de público, ainda que nem todas as estreias cheguem cercadas de unanimidade.

O principal destaque comercial é Os Estranhos: Capítulo Final, que encerra a trilogia iniciada em 2024 sob a direção de Renny Harlin. Ao lado dele, produções como O Mago do Kremlin, Cinco Tipos de Medo e A Mulher Que Chora ampliam o leque de gêneros e propostas que chegam às telonas nesta semana.

Encerrando uma trilogia pensada como reinvenção da franquia original, Os Estranhos: Capítulo Final aposta em respostas para os mistérios construídos ao longo dos capítulos anteriores. Estrelado por Madelaine Petsch, Gabriel Basso, Ema Horvath e Richard Brake, o longa acompanha Maya, sobrevivente dos ataques dos assassinos mascarados, agora movida por vingança e pela necessidade de encerrar um ciclo de violência.

A narrativa mergulha no passado dos criminosos e tenta explicar suas motivações, algo que sempre foi tratado com mais mistério nos filmes anteriores. Ambientado na fictícia cidade de Venus, no Oregon, o longa alterna entre presente e flashbacks para revelar conexões que envolvem manipulação, violência e cumplicidade institucional. Ao mesmo tempo, acompanha a jornada de Maya em busca de justiça, que culmina em um confronto direto com o principal antagonista. Mesmo com essa ambição, a recepção crítica foi negativa nos Estados Unidos, repetindo o desempenho dos capítulos anteriores, principalmente por substituir o terror psicológico por uma abordagem mais explicativa e próxima do suspense investigativo.

Entre as estreias mais prestigiadas da semana está O Mago do Kremlin, dirigido por Olivier Assayas e baseado na obra de Giuliano da Empoli. O filme propõe uma leitura ficcional dos bastidores do poder na Rússia, acompanhando Vadim Baranov, interpretado por Paul Dano, um personagem que transita de artista a estrategista político durante a transição da União Soviética para a Federação Russa.

Ao seu redor, figuras inspiradas em personagens reais ganham destaque, incluindo uma versão jovem de Vladimir Putin, interpretado por Jude Law. Com um tom que mistura humor ácido e crítica política, o longa examina como narrativas são construídas para sustentar o poder. A presença de nomes como Alicia Vikander e Jeffrey Wright reforça o alcance internacional da produção, que foi exibida na competição principal do Festival de Veneza e indicada ao Leão de Ouro. Trata-se de um filme mais denso, voltado a um público interessado em política e história recente.

Representando o cinema nacional, Cinco Tipos de Medo chega com força após conquistar o principal prêmio do Festival de Gramado. Dirigido por Bruno Bini, o longa combina drama e ação em uma narrativa ambientada na periferia urbana. A história acompanha Murilo, vivido por João Vitor Silva, que, após sobreviver a uma internação grave, desenvolve sentimentos pela enfermeira Marlene, interpretada por Bella Campos.

Esse vínculo se complica pela presença de Sapinho, personagem de Xamã, um traficante cuja prisão desencadeia tensões dentro da comunidade. A narrativa também inclui a policial Luciana, interpretada por Bárbara Colen, e um advogado que se envolve no caso a pedido de lideranças locais. O filme constrói um retrato de disputas territoriais e dilemas morais, evitando simplificações e apostando em personagens com motivações conflitantes. O reconhecimento em Gramado reforça seu potencial de repercussão junto ao público brasileiro.

Fechando a lista, A Mulher Que Chora apresenta uma proposta mais delicada e introspectiva. Dirigido por George Walker Torres, o longa acompanha Miguel, um menino de sete anos que vive em uma casa isolada com três gerações de mulheres. Em meio ao distanciamento emocional da mãe, que enfrenta as consequências de um divórcio, ele encontra em Carmen, uma imigrante venezuelana que trabalha como empregada doméstica, uma figura de afeto e também de mistério.

A relação entre os dois conduz a narrativa por um caminho que mistura realidade e imaginação, explorando temas como abandono, pertencimento e construção de vínculos. Com duração mais enxuta e abordagem sensível, o filme se posiciona como uma alternativa para quem busca histórias mais intimistas e menos guiadas pelo ritmo comercial.

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