
A Sony Pictures liberou uma nova cena inédita de Extermínio: O Templo dos Ossos, oferecendo ao público um primeiro vislumbre do embate psicológico que define o novo capítulo da franquia. O trecho mostra o encontro inicial entre Dr. Kelson, vivido por Ralph Fiennes, e Jimmy Crystal, interpretado por Jack O’Connell. Mais do que uma simples apresentação de personagens, a cena estabelece o tom do filme: um confronto silencioso entre dois homens guiados por visões de mundo irreconciliáveis. O longa, dirigido por Nia DaCosta, estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 15 de janeiro, prometendo levar a saga para territórios ainda mais sombrios e provocadores.
Desde os primeiros minutos, fica claro que O Templo dos Ossos não pretende repetir fórmulas. Se antes o terror vinha da velocidade e da brutalidade dos infectados, agora ele nasce da deterioração moral dos sobreviventes. O diálogo entre Kelson e Jimmy é carregado de desconfiança, estranhamento e uma tensão quase palpável, revelando que, neste mundo devastado, o maior perigo pode estar naquilo que ainda resta de humanidade.
O roteiro, assinado por Alex Garland, responsável pelos filmes anteriores da franquia, aprofunda essa ideia ao apresentar um cenário onde a violência deixa de ser apenas reação à sobrevivência e passa a ser um instrumento de poder, fé e controle. Jimmy Crystal surge como líder de uma seita conhecida como os Jimmies, um grupo que se sustenta em rituais extremos e crenças distorcidas. Convencido de que é filho de Satanás, Jimmy acredita cumprir uma missão divina em um mundo sem leis, transformando a fé em justificativa para atos de crueldade inimagináveis.
No centro dessa espiral de horror está Dr. Kelson, um homem marcado pela culpa, pelo isolamento e por decisões éticas cada vez mais frágeis. Sua trajetória se cruza com a de Spike, personagem de Alfie Williams, um jovem que acaba envolvido com os Jimmies em circunstâncias brutais. A iniciação de Spike no grupo, por meio de um duelo até a morte, funciona como um retrato cruel de como a violência se torna linguagem, pertencimento e identidade em um mundo pós-apocalíptico.
Nia DaCosta conduz essa narrativa com um olhar firme e inquieto. Conhecida por A Lenda de Candyman, a diretora transforma o terror em uma experiência menos imediata e mais perturbadora, construída a partir de símbolos, silêncio e desconforto emocional. O filme não se contenta em chocar; ele provoca. Cada escolha de enquadramento e ritmo parece pensada para deixar o espectador em constante estado de alerta, mesmo nos momentos aparentemente calmos.
Um dos arcos mais impactantes do longa envolve a relação entre Kelson e Sansão, um infectado que demonstra sinais de dependência química e mudanças comportamentais inesperadas. Em vez de tratá-lo apenas como uma ameaça, Kelson passa a observá-lo como um possível caminho para entender os efeitos psicológicos do vírus. O vínculo que se forma entre os dois é estranho, desconcertante e profundamente humano, revelando o desespero de alguém que busca sentido em meio ao colapso total.
Essa relação leva o filme a questionamentos ousados. Ao administrar medicamentos em Sansão, Kelson levanta a hipótese de que os infectados não perderam completamente sua humanidade, mas tiveram seus distúrbios amplificados. A ideia de que ainda exista algum resquício de consciência por trás da monstruosidade adiciona uma camada trágica ao horror e reforça o tema central do filme: a linha tênue entre o humano e o monstruoso.
Enquanto isso, os Jimmies seguem espalhando terror. A seita invade fazendas, tortura sobreviventes e transforma a violência em espetáculo ritualístico. Jimmy Crystal se coloca como figura messiânica, enquanto seus seguidores acreditam ser extensões de sua vontade. Essa dinâmica de culto, poder e submissão torna o grupo mais assustador do que qualquer infectado, pois reflete impulsos reais e reconhecíveis da sociedade.
Visualmente, O Templo dos Ossos aposta em uma atmosfera opressiva. O cenário que dá nome ao filme funciona como um símbolo máximo da degradação humana, um espaço onde ossos, fogo e rituais se misturam para criar imagens perturbadoras e memoráveis. A direção de arte e os efeitos visuais, supervisionados por Adam Gascoyne e realizados pela Union VFX, contribuem para tornar esse universo ainda mais imersivo e angustiante.
A trilha sonora de Hildur Guðnadóttir, que volta a colaborar com Nia DaCosta após Candyman, é outro destaque. Com composições minimalistas e inquietantes, a música não apenas acompanha as cenas, mas intensifica o peso emocional da narrativa, reforçando a sensação constante de ameaça e desamparo.
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