THE TRAITORS -- "Show Me Your Faces" Episode 403 -- Pictured: Alan Cumming -- (Photo by: Euan Cherry/Peacock)

Desconfiar deixa de ser uma opção e passa a ser uma questão de sobrevivência. A quarta temporada de “The Traitors” chega ao Universal+ no dia 6 de fevereiro, com exclusividade no Brasil, trazendo consigo a promessa de elevar ainda mais a complexidade emocional e estratégica de um dos realities mais instigantes da atualidade. Conhecida por transformar convivência em campo de batalha psicológico, a série retorna mais afiada, imprevisível e emocionalmente desgastante para seus participantes.

Desde sua estreia, The Traitors conquistou espaço ao fugir das fórmulas tradicionais do gênero. Aqui, força física ou carisma não garantem longevidade no jogo. O que realmente define o destino dos competidores é a capacidade de observar, mentir quando necessário e, principalmente, manter o controle emocional mesmo quando tudo parece desmoronar.

Inspirado no formato holandês “De Verraders”, o programa mantém sua base conceitual, mas a cada temporada aprofunda as tensões humanas que surgem quando confiança e ambição dividem o mesmo espaço. Um grupo de participantes é reunido em um ambiente isolado para disputar um prêmio em dinheiro, acumulado por meio de missões coletivas. No entanto, logo no início, alguns deles são escolhidos secretamente como Traidores, enquanto os demais seguem como Leais, sem saber em quem confiar.

A dinâmica transforma gestos simples em possíveis ameaças. Um olhar fora de hora, uma palavra mal colocada ou um silêncio prolongado podem ser interpretados como sinais de culpa. A cada rodada, o grupo precisa votar para eliminar alguém que acreditam ser um Traidor, enquanto os verdadeiros infiltrados eliminam silenciosamente seus alvos durante a noite. O prêmio, que já alcançou a marca de US$ 250 mil, se torna o incentivo perfeito para decisões que desafiam qualquer senso moral.

No centro desse jogo de manipulação está Alan Cumming, cuja presença se tornou inseparável da identidade da série. Vencedor do Emmy, o apresentador conduz o reality com uma combinação rara de teatralidade, ironia e domínio absoluto do ritmo narrativo. Mais do que anunciar regras ou intermediar votações, Cumming atua como um observador atento do comportamento humano, provocando reflexões sutis e, muitas vezes, desconfortáveis.

Em entrevistas recentes, ele afirmou que a nova temporada se diferencia por explorar de forma mais profunda as contradições emocionais dos jogadores. Segundo o apresentador, este é o ano em que o jogo revela seu lado mais verdadeiro, mostrando como até os participantes mais seguros de seus princípios acabam cedendo quando o medo da eliminação se aproxima. Para ele, a quarta temporada marca um ponto de virada na história do programa.

O ambiente que abriga esse experimento psicológico continua sendo o Castelo de Ardross, na Escócia. O local, com sua arquitetura imponente, corredores longos e paisagens frequentemente envoltas em névoa, contribui diretamente para o clima de tensão permanente. O isolamento e a estética quase sombria fazem com que o espaço deixe de ser apenas cenário e se transforme em parte ativa da experiência, intensificando o desgaste emocional dos jogadores.

Outro fator decisivo para o impacto da nova temporada é o elenco cuidadosamente selecionado. A produção reuniu personalidades vindas de diferentes universos do entretenimento, criando um grupo heterogêneo, repleto de egos fortes, experiências distintas e estratégias conflitantes. Entre os nomes confirmados estão Lisa Rinna, Michael Rapaport, Porsha Williams, Monét X Change, Mark Ballas, Rob Cesternino, Maura Higgins, além de Natalie Anderson, vencedora de The Amazing Race, e Donna Kelce, figura bastante conhecida do público norte-americano.

Essa diversidade não apenas enriquece o jogo, como também dificulta qualquer leitura óbvia de comportamento. Participantes experientes em realities se veem obrigados a reaprender a competir, enquanto outros, menos habituados ao formato, surpreendem pela frieza ou capacidade de adaptação. O resultado é um jogo mais instável, onde alianças surgem rapidamente e se desfazem com a mesma velocidade.

Os desafios propostos nesta temporada também refletem essa busca por intensidade. Embora continuem sendo responsáveis por aumentar o valor do prêmio final, as provas exigem níveis mais altos de cooperação, resistência e confiança mútua. Lisa Rinna chegou a afirmar que foi levada além de seus limites físicos e emocionais durante as gravações. Já Maura Higgins descreveu a experiência como exaustiva, destacando que o verdadeiro desgaste não acontece nas provas, mas nas horas silenciosas em que todos tentam decifrar quem está mentindo.

Com o passar das temporadas, The Traitors deixou de ser apenas um sucesso de público para se tornar um título respeitado pela indústria. Em 2025, a produção foi reconhecida com cinco prêmios Emmy, incluindo Melhor Programa de Competição e Melhor Apresentador. O reconhecimento consolidou a série como um dos realities mais sofisticados e bem construídos da televisão contemporânea.

Parte desse sucesso também se deve à identidade visual e narrativa única do programa. Os figurinos extravagantes de Alan Cumming, seu humor mordaz e até a presença recorrente de sua cadela Lala ajudam a construir um tom que equilibra drama, ironia e entretenimento de alto nível.

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Esdras Ribeiro
Além de fundador e editor-chefe do Almanaque Geek, Esdras também atua como administrador da agência de marketing digital Almanaque SEO. É graduado em Publicidade pela Estácio e possui formação técnica em Design Gráfico e Webdesign, reunindo experiência nas áreas de comunicação, criação visual e estratégias digitais.

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