
À primeira vista, Red: Crescer é uma Fera pode parecer apenas mais uma animação divertida da Pixar. Mas basta alguns minutos para perceber que o filme vai muito além do humor e das cores vibrantes. Exibido no Cinema 26 desta sexta, 2 de janeiro de 2026, o longa é uma verdadeira carta aberta sobre crescer, mudar e lidar com emoções que parecem grandes demais para caber dentro da gente.
Ambientado no início dos anos 2000, o filme acompanha Meilin Lee, uma garota sino-canadense de 13 anos que vive em Toronto e tenta equilibrar duas versões de si mesma. De um lado, a filha dedicada que quer agradar a mãe em tudo. Do outro, uma adolescente em plena transformação, cercada por novas paixões, conflitos e inseguranças. Como se isso já não fosse complicado, Mei descobre que, sempre que fica muito nervosa ou emocionalmente agitada, se transforma em um panda-vermelho gigante. A metáfora é clara e funciona justamente por isso.
Uma adolescência que virou história de cinema
A origem de Red: Crescer é uma Fera é tão pessoal quanto a história que ele conta. A diretora e roteirista Domee Shi se inspirou em suas próprias experiências para criar o filme. Logo após concluir o curta Bao, ela foi convidada pela Pixar, em 2017, a apresentar ideias para um longa-metragem. Todas as propostas tinham algo em comum: histórias de amadurecimento centradas em adolescentes.
A ideia que se transformaria em Turning Red surgiu da sensação universal de se sentir estranho aos 13 anos. Domee Shi descreveu esse período como uma fase em que todo mundo se sente meio fora de controle, como se estivesse se transformando em algo diferente todos os dias. Foi essa sinceridade emocional que conquistou a Pixar e fez o projeto ganhar vida.
Mãe, filha e sentimentos que não cabem em palavras
Um dos pontos mais fortes do filme é a relação entre Mei e sua mãe, Ming. Essa dinâmica não foi construída por acaso. Segundo a produtora Lindsey Collins, ficou claro desde a apresentação do projeto que Domee Shi tinha uma conexão muito profunda com essas personagens. Elas representam diferentes fases da mesma vida, cheias de amor, cobrança, medo e dificuldade de comunicação.
Essa abordagem mais íntima segue uma nova fase criativa da Pixar, que passou a investir em histórias menores, mais pessoais e emocionalmente honestas, como já havia feito em Luca. Em vez de grandes vilões, o conflito nasce dentro dos próprios personagens.
Toronto, anos 2000 e um visual que parece um sonho adolescente
O filme se passa em Toronto, no Canadá, em 2002, e tudo foi pensado para refletir o olhar de uma adolescente daquela época. A diretora definiu o estilo visual como um “sonho febril adolescente asiático”, cheio de exageros, expressões marcantes e cores vibrantes.
Videogames como Pokémon, EarthBound e The Legend of Zelda: Breath of the Wild serviram de referência para criar um mundo fofo, expressivo e emocionalmente carregado. A febre das boy bands, tão presente no início dos anos 2000, também aparece com força no filme, ajudando a criar identificação imediata com quem viveu aquela fase.
Para dar ainda mais autenticidade, a equipe da Pixar visitou bairros de Chinatown, templos tradicionais e até o Zoológico de São Francisco, onde estudaram o comportamento dos pandas-vermelhos para que a transformação de Mei fosse ao mesmo tempo engraçada, caótica e adorável.
Quando a música fala por uma geração
A trilha sonora da animação é parte essencial da experiência. O filme marca a estreia de Ludwig Göransson em uma animação, trazendo uma trilha que acompanha as emoções da protagonista com delicadeza e intensidade.
Além disso, o longa conta com três músicas originais escritas por Billie Eilish e Finneas O’Connell, interpretadas pela boy band fictícia 4*Town. As canções foram criadas para soar exatamente como hits do início dos anos 2000, com letras grudentas e melodias feitas para serem cantadas em coro. A ideia surgiu quando a produtora Lindsey Collins percebeu que o estilo de Billie combinava perfeitamente com o universo do filme.
Sucesso emocional que encontrou seu público
Embora o desempenho do filme nos cinemas internacionais tenha sido abaixo do esperado, com cerca de US$ 20 milhões arrecadados fora dos Estados Unidos e Canadá, Turning Red conquistou algo talvez ainda mais importante: um público fiel e apaixonado. Em casa, o filme ganhou nova vida, sendo amplamente discutido por sua abordagem honesta sobre adolescência, identidade e emoções.
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