A Warner Bros. Pictures revelou oficialmente o teaser trailer de “Natal Amargo”, novo longa-metragem do consagrado cineasta espanhol Pedro Almodóvar, e a notícia rapidamente movimentou o circuito cinematográfico internacional. Conhecido por transformar dramas íntimos em experiências viscerais, coloridas e profundamente humanas, o diretor retorna aos cinemas com uma obra que promete emocionar, provocar reflexões e dialogar diretamente com temas sensíveis e contemporâneos. O filme tem estreia marcada nos cinemas brasileiros para 28 de maio de 2026, consolidando-se desde já como um dos lançamentos mais aguardados do ano.

Ambientado entre a intensidade urbana de Madri e as paisagens quase oníricas das Ilhas Canárias, especialmente Lanzarote, “Natal Amargo” se apresenta como uma narrativa que mescla luto, identidade, relações afetivas e reconstrução emocional. O teaser trailer, embora breve, já deixa claro que Almodóvar segue fiel à sua assinatura autoral: personagens complexos, conflitos internos profundos e um olhar sensível para as fragilidades humanas.

No vídeo divulgado, o público tem um primeiro contato com o universo emocional do filme, marcado por silêncios eloquentes, olhares carregados de significado e uma atmosfera que alterna entre o calor afetivo e o desconforto emocional. O Natal, tradicionalmente associado à celebração e à união, surge aqui como um período de introspecção, ruptura e confronto com dores mal resolvidas — uma escolha simbólica que dialoga diretamente com o título da obra.

A trama gira em torno de Elsa, interpretada por Bárbara Lennie, uma diretora de publicidade que enfrenta o luto após a morte de sua mãe em dezembro. Incapaz de lidar com a perda de forma convencional, Elsa se refugia no trabalho, utilizando a rotina profissional como uma espécie de anestesia emocional. No entanto, o corpo cobra seu preço: um ataque de pânico a obriga a interromper esse ciclo de fuga e encarar a necessidade de uma pausa.

É nesse momento que a narrativa se desloca para Lanzarote, onde Elsa decide passar um tempo ao lado da amiga Patricia, em busca de algum tipo de reorganização interna. Enquanto isso, seu parceiro Bonifacio permanece em Madri, evidenciando uma distância não apenas geográfica, mas também emocional. Essa separação temporária funciona como catalisador para uma série de questionamentos sobre identidade, afeto, pertencimento e os limites das relações amorosas diante do sofrimento.

Ao lado de Bárbara Lennie, o elenco traz Leonardo Sbaraglia, que interpreta Raúl Durán, personagem central na dinâmica emocional do filme. Conhecido por sua versatilidade e intensidade dramática, Sbaraglia já colaborou com Almodóvar anteriormente e retorna agora em um papel que promete explorar nuances emocionais profundas. A relação entre Elsa e Raúl se desenha como um dos eixos centrais da narrativa, atravessada por tensões, desejos reprimidos e transformações pessoais.

O elenco ainda conta com nomes de peso do cinema espanhol, como Victoria Luengo, Patrick Criado, Quim Gutiérrez, Milena Smit e Aitana Sánchez-Gijón, ampliando o leque de personagens e perspectivas dentro da história. Essa diversidade de figuras reforça a proposta coral do filme, característica recorrente na filmografia de Almodóvar, onde cada personagem carrega seu próprio universo emocional e contribui para o mosaico narrativo.

Em entrevista concedida à IndieWire em outubro de 2024, Pedro Almodóvar definiu “Natal Amargo” como “uma comédia trágica sobre gênero”. A declaração, aparentemente paradoxal, é bastante reveladora para quem acompanha sua obra. O diretor sempre transitou com naturalidade entre o humor ácido e o drama mais doloroso, utilizando essa mistura para abordar temas delicados sem recorrer a simplificações. Aqui, a questão da identidade de gênero surge não como um elemento isolado ou didático, mas integrada organicamente às vivências dos personagens.

O luto, por sua vez, é tratado como uma experiência multifacetada, que não se limita à tristeza, mas envolve culpa, raiva, negação e, em muitos casos, um profundo questionamento sobre quem se é após a perda. Almodóvar parece interessado menos no evento da morte em si e mais nos rastros que ela deixa nas relações e na percepção de identidade de quem fica.

A produção do filme é assinada pela El Deseo, empresa fundada pelo próprio Almodóvar ao lado de seu irmão Agustín, em colaboração com a Movistar Plus+. Essa parceria garante ao diretor uma liberdade criativa rara na indústria, permitindo que suas obras mantenham uma identidade autoral forte mesmo dentro de grandes circuitos de distribuição, como o da Warner Bros. Pictures.

As filmagens começaram em 9 de junho de 2025 e se estenderam até 12 de agosto do mesmo ano, com locações em Madri e Lanzarote. A escolha das Ilhas Canárias, em especial, não é apenas estética. A paisagem vulcânica, árida e ao mesmo tempo deslumbrante de Lanzarote funciona como um espelho emocional dos personagens, refletindo estados internos de isolamento, transformação e renascimento.

A direção de fotografia ficou a cargo de Pau Esteve Birba, colaborador frequente de Almodóvar, responsável por traduzir visualmente as emoções da narrativa por meio de cores, luz e enquadramentos cuidadosamente pensados. Já a montagem é assinada por Teresa Font, outra parceira habitual do diretor, cuja sensibilidade na edição contribui para o ritmo emocional característico de seus filmes.

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Esdras Ribeiro
Além de fundador e editor-chefe do Almanaque Geek, Esdras também atua como administrador da agência de marketing digital Almanaque SEO. É graduado em Publicidade pela Estácio e possui formação técnica em Design Gráfico e Webdesign, reunindo experiência nas áreas de comunicação, criação visual e estratégias digitais.

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