
Neste domingo, 18 de janeiro de 2026, a TV Globo exibe no Domingo Maior um filme que vai além da ação tradicional e aposta em uma narrativa carregada de sentimento, perdas e escolhas difíceis. “O Protetor 2” retorna ao universo de Robert McCall para aprofundar não apenas sua missão como vigilante, mas principalmente o homem por trás da violência precisa e silenciosa. Estrelado por Denzel Washington, o longa transforma vingança em um retrato humano de luto, lealdade e justiça.
Robert McCall tenta levar uma vida comum. Aposentado da CIA, ele vive em Boston e trabalha como motorista de aplicativo, cruzando diariamente com pessoas comuns e histórias anônimas. À primeira vista, parece um homem tranquilo, educado e reservado. No entanto, por trás desse cotidiano simples, existe alguém que nunca deixou de observar o mundo com atenção extrema. McCall enxerga injustiças onde muitos fingem não ver e, sempre que possível, intervém para ajudar aqueles que não têm voz ou proteção.
Diferente de heróis tradicionais, McCall não busca reconhecimento. Ele age no silêncio, movido por um código moral muito próprio. Esse equilíbrio frágil entre passado e presente, porém, se rompe de forma brutal quando Susan Plummer, sua melhor amiga e ex-colega da CIA, é assassinada. Susan era mais do que uma parceira profissional. Ela representava confiança, afeto e a última ligação emocional de McCall com a vida que ele deixou para trás.
A morte de Susan não funciona apenas como um elemento de virada na história. Ela é o centro emocional do filme. A partir desse acontecimento, “O Protetor 2” se transforma em uma narrativa sobre dor e consequência. McCall não reage com impulsividade. Ele sofre em silêncio, absorve a perda e, pouco a pouco, aceita que não pode simplesmente seguir em frente sem buscar respostas. A vingança, aqui, nasce do luto e da necessidade de justiça, não do prazer pela violência.
É nesse ponto que Denzel Washington entrega uma atuação madura e contida. Seu Robert McCall não precisa de discursos longos nem de explosões emocionais. O peso da dor aparece no olhar, nos gestos mínimos e na forma como o personagem se move pelo mundo. Washington constrói um protagonista que carrega o cansaço de quem já viveu demais, mas que ainda se recusa a aceitar a impunidade.
Sob a direção de Antoine Fuqua, o filme encontra um equilíbrio cuidadoso entre ação e emoção. As cenas de combate são intensas, diretas e extremamente bem coreografadas, mas nunca gratuitas. Cada confronto existe por uma razão narrativa clara. Fuqua opta por mostrar que a violência praticada por McCall é sempre uma resposta extrema, nunca um primeiro impulso. Isso torna cada sequência mais impactante e, ao mesmo tempo, mais pesada emocionalmente.
O roteiro também se preocupa em ampliar o universo do protagonista. Além da investigação sobre a morte de Susan, o filme apresenta a relação de McCall com Miles, um jovem vivido por Ashton Sanders. O rapaz enfrenta dificuldades e flerta com caminhos perigosos, e McCall enxerga nele uma oportunidade de evitar que alguém repita erros que ele próprio conhece muito bem. Essa relação cria momentos de sensibilidade e reforça o lado protetor do personagem, mostrando que sua luta não é apenas contra criminosos, mas também a favor de futuros possíveis.
Outro destaque do elenco é Pedro Pascal, que surge em um papel envolto em ambiguidade. Seu personagem adiciona tensão à narrativa ao desafiar a confiança de McCall e colocar em xeque antigas alianças. A presença de Pascal contribui para tornar a trama mais imprevisível, lembrando que, no mundo da espionagem e da violência, nem sempre é fácil distinguir aliados de inimigos.
Bill Pullman retorna como Brian Plummer, marido de Susan, e sua participação acrescenta uma camada importante à história. Brian representa aqueles que ficam para lidar com o vazio deixado pela violência. Seu luto é diferente do de McCall, mas igualmente devastador. A interação entre os dois personagens reforça que nenhuma vingança é capaz de reparar completamente uma perda, apenas oferecer algum tipo de fechamento.
“O Protetor 2” também ocupa um lugar especial na carreira de Denzel Washington. Este é o primeiro filme de sua trajetória em que o ator aceita protagonizar a continuação direta de uma obra anterior. A decisão reforça a importância de Robert McCall como personagem e o quanto essa história ainda tinha espaço para ser aprofundada. Washington não retorna apenas por sucesso comercial, mas pela complexidade emocional que o papel oferece.
Produzido com um orçamento estimado em 62 milhões de dólares, o longa alcançou uma bilheteria mundial superior a 190 milhões de dólares, consolidando a franquia como um sucesso junto ao público. Mais do que números, o filme se destacou por entregar uma narrativa que respeita a inteligência do espectador, apostando em silêncios, olhares e escolhas morais difíceis.
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