O novo documentário da diretora Lucia Murat, Hora do Recreio, chega aos cinemas brasileiros no dia 12 de março, mas sua trajetória começou antes mesmo da estreia oficial. O longa vem sendo exibido em uma série de sessões especiais voltadas principalmente para estudantes, professores e grupos culturais da rede pública do Rio de Janeiro, em encontros que unem cinema, educação e debate social.

A iniciativa faz parte de uma proposta que acompanha o próprio espírito do filme: aproximar a obra das pessoas que ajudaram a construir sua narrativa. Premiado com Menção Especial do Júri Jovem na mostra Generation 14plus do Festival Internacional de Cinema de Berlim, o documentário coloca jovens estudantes no centro da história e busca refletir sobre os desafios da educação pública brasileira a partir de suas próprias experiências.

Escrito, produzido e dirigido por Lucia Murat, o longa acompanha um grupo de estudantes que participa da montagem de uma peça teatral inspirada no clássico Clara dos Anjos, obra do escritor Lima Barreto. Durante o processo criativo, os jovens passam a discutir temas que fazem parte do seu cotidiano, como racismo, violência, desigualdade social e evasão escolar. O teatro, nesse contexto, se transforma em um espaço de expressão, reflexão e troca de experiências.

A proposta do documentário vai além de registrar ensaios ou bastidores artísticos. Ao longo da narrativa, o público acompanha como o contato com a arte abre caminhos para que esses estudantes falem sobre suas realidades e sobre o ambiente em que vivem. O resultado é um retrato sensível da juventude brasileira e de suas perspectivas sobre o futuro.

Para Lucia Murat, levar o filme de volta às escolas e comunidades que participaram da produção é uma etapa essencial do projeto. Segundo a diretora, a ideia sempre foi garantir que os estudantes — protagonistas da história — também pudessem assistir ao resultado final e participar das discussões geradas pelo documentário.

Por isso, antes mesmo da estreia comercial, o filme começou a circular em sessões especiais realizadas em cinemas da cidade. Muitas dessas exibições foram organizadas para alunos de escolas públicas, grupos culturais comunitários e professores da rede de ensino.

Entre os convidados estão jovens integrantes de importantes coletivos artísticos das comunidades cariocas, como o Nós do Morro, do Vidigal, o grupo VOZES!, formado por moradores do Pavão, Pavãozinho e Cantagalo, e o Instituto Arteiros, da Cidade de Deus. Muitos desses artistas participam diretamente do filme, o que torna as exibições ainda mais significativas para as comunidades envolvidas.

As primeiras sessões começaram no fim de fevereiro e reuniram estudantes e integrantes desses grupos em cinemas da cidade. Desde então, escolas de diferentes regiões do Rio vêm participando das exibições, que muitas vezes são seguidas por debates com educadores, pesquisadores e integrantes da equipe do filme.

Além das sessões voltadas aos estudantes, a programação também inclui encontros dedicados a professores da rede pública. A proposta é ampliar a discussão sobre o papel da arte e do audiovisual como ferramentas pedagógicas, além de estimular o diálogo sobre os desafios enfrentados pela educação no país.

Um dos momentos mais aguardados dessa agenda acontece no dia 13 de março, quando o cinema Estação NET Rio recebe uma sessão especial seguida de debate com a presença da diretora Lucia Murat e das professoras de cinema Consuelo Lins e Denise Lopes. O encontro será aberto ao público e pretende ampliar a reflexão sobre os temas abordados no filme.

O documentário também passou por São Paulo, onde foi exibido no Reserva Cultural em uma sessão especial acompanhada de debate. O encontro contou com a participação de convidados do meio cultural e acadêmico, incluindo a cineasta Tata Amaral e a atriz e diretora Roberta Estrela D’Alva, ampliando o diálogo sobre arte, educação e cinema brasileiro.

Depois da estreia, a circulação do filme continuará com novas exibições voltadas a escolas, universidades e cineclubes. Estão previstas sessões para estudantes da Universidade Federal Fluminense, que receberá o documentário em encontros organizados por professores e grupos de pesquisa ligados ao curso de cinema.

Antes mesmo de chegar ao circuito comercial, Hora do Recreio já construiu uma trajetória relevante em festivais internacionais e mostras dedicadas ao cinema documental e aos direitos humanos. Além de Berlim, o longa foi selecionado para eventos como o Festival É Tudo Verdade, o Cine a la Vista!, o Festival Biarritz Amérique Latine, o Job Film Days, o Filmfest Osnabrück e o Nuremberg International Human Rights Film Festival.

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