
Anunciado oficialmente em 2024, o remake de Possessão, clássico absoluto do terror psicológico, finalmente começa a sair do campo das especulações e ganhar contornos concretos. No início de 2026, surgiram as primeiras informações relevantes sobre o projeto, incluindo os nomes que devem liderar o elenco. Segundo fontes do site Nexus Point News, Callum Turner e Margaret Qualley estão cotados para estrelar a nova versão do longa, que promete revisitar uma das obras mais inquietantes e debatidas da história do cinema.
O filme terá roteiro e direção assinados por Parker Finn, cineasta conhecido por explorar o terror a partir de conflitos emocionais e psicológicos profundos. Além de dirigir, Finn também assume a função de produtor, ao lado de Robert Pattinson, o que reforça o caráter autoral e ambicioso do projeto. Embora detalhes como início das filmagens e previsão de estreia ainda não tenham sido divulgados, o anúncio do elenco já foi suficiente para reacender discussões entre fãs e críticos.
Lançado originalmente em 1981, Possessão foi dirigido pelo polonês Andrzej Żuławski, que escreveu o roteiro em parceria com Frederic Tuten. Ambientado na Berlim Ocidental ainda dividida pelo Muro, o filme acompanha a história de um espião que retorna para casa após uma missão e encontra sua esposa completamente transformada. O comportamento perturbador da personagem, somado ao pedido inesperado de divórcio, desencadeia uma espiral de paranoia, obsessão e colapso emocional.
Os papéis principais foram interpretados por Sam Neill e Isabelle Adjani, em atuações que se tornaram lendárias. Em especial, Adjani entregou uma performance extrema, física e emocionalmente exaustiva, que lhe rendeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes. Até hoje, seu trabalho no filme é citado como um dos mais intensos da história do cinema, sendo referência obrigatória em estudos sobre atuação e terror psicológico.
Desde sua estreia, Possessão desafia qualquer tentativa simples de classificação. O filme já foi descrito como drama psicológico, horror psicológico e até horror sobrenatural, mas nenhuma dessas definições consegue abarcar completamente sua proposta. Críticos frequentemente traçam paralelos com obras como Repulsion, de Roman Polanski, e The Brood, de David Cronenberg, especialmente pela maneira como o sofrimento mental dos personagens se manifesta de forma física e perturbadora.
Um dos elementos mais discutidos da obra é a ambiguidade em torno da criatura que surge ao longo da narrativa. Muitos críticos questionam se ela realmente existe no plano físico ou se é apenas uma projeção da mente fragmentada da protagonista. Há quem interprete a entidade como um reflexo da psicose de Anna, outros como uma manifestação da incapacidade do marido de lidar com a traição e o fim do relacionamento. Também existe a leitura de que o filme funciona como uma catarse pessoal de Żuławski, que vivia um divórcio traumático no período em que escreveu e dirigiu o longa.
Outro tema central em Possessão é o motivo do duplo. Ao longo da história, marido e esposa acabam sendo substituídos por versões idealizadas um do outro. Anna cria um duplo de seu companheiro a partir da criatura, enquanto o protagonista encontra uma espécie de cópia ideal da esposa em outra mulher, mais gentil, compreensiva e emocionalmente estável. Essa duplicidade reforça a crítica do filme às expectativas irreais impostas aos relacionamentos e à busca por parceiros perfeitos.
Apesar de hoje ser tratado como um clássico cult, Possessão teve um caminho difícil até o reconhecimento. Após sua estreia no Festival de Cannes, o filme enfrentou problemas de distribuição e censura. No Reino Unido, acabou sendo banido durante o período conhecido como o dos “vídeos desagradáveis”. Nos Estados Unidos, foi lançado em 1983 em uma versão fortemente editada, com mais de um terço do material original removido. Essa edição distorcida eliminou grande parte do drama conjugal e transformou o longa em algo próximo de um horror corporal excêntrico, sendo duramente criticada e ignorada pelo público.
A reavaliação da obra começou anos depois, impulsionada por estudos acadêmicos e pelo interesse de cineastas contemporâneos. Esse processo ganhou força definitiva com a restauração em 4K realizada pela Metrograph, que estreou em 2021 e permitiu que o filme fosse redescoberto em sua forma mais próxima da visão original de Żuławski. A partir daí, Possessão passou a ocupar um lugar definitivo entre os filmes mais perturbadores e influentes do cinema moderno.
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