
Quem entrou recentemente em uma sessão de Pânico 7 pode ter sido surpreendido por algo além dos sustos e da tensão: gargalhadas inesperadas ecoando pela sala. Isso porque a família Wayans decidiu lançar o primeiro trailer de Todo Mundo em Pânico 6 de forma nada convencional — exclusivamente nas exibições do novo capítulo da franquia de terror. Ainda não há versão oficial disponível na internet, o que transformou a prévia em uma espécie de “experiência secreta” para quem está no cinema.
E, ao que tudo indica, a estratégia deu certo.
Vídeos gravados discretamente dentro das salas começaram a circular nas redes sociais, mostrando plateias reagindo com risadas altas e espontâneas. O clima lembra o início dos anos 2000, quando ir ao cinema para assistir a uma comédia significava compartilhar a experiência coletiva do riso — algo que se tornou cada vez mais raro na era do streaming.
Entre as principais referências vistas no teaser estão momentos inspirados no impactante Pecadores, na boneca tecnológica e perturbadora de M3GAN, além de piscadelas para produções como A Hora do Mal e o angustiante Um Lugar Silencioso. A proposta parece clara: atualizar o repertório da franquia, mirando no terror contemporâneo que domina as bilheterias e as conversas nas redes.
Marlon Wayans, que estrela e coescreve o novo filme, entrou na brincadeira. Em um vídeo publicado recentemente, ele aparece acompanhando a exibição do trailer no cinema e ironiza: diz estar “filmando ilegalmente” o próprio teaser enquanto observa as reações do público. A cena é divertida, mas também simbólica. Mostra que o retorno da família Wayans não é apenas comercial — existe ali um envolvimento pessoal, quase afetivo, com a franquia que eles ajudaram a transformar em fenômeno cultural.
A trama de Todo Mundo em Pânico 6 ainda está sendo mantida em sigilo. Mas, historicamente, a essência da saga nunca foi exatamente a complexidade narrativa — e sim a capacidade de transformar os maiores sucessos do terror em piadas exageradas, cenas absurdas e situações constrangedoras que desafiam qualquer lógica.
O fenômeno que nasceu da paródia
Para entender a expectativa em torno do novo capítulo, é impossível não revisitar o impacto do primeiro filme. Todo Mundo em Pânico estreou em 2000 como uma resposta direta ao sucesso de Pânico e Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado. O terror adolescente estava em alta, e os Wayans enxergaram ali uma oportunidade perfeita para brincar com os clichês do gênero.
Dirigido por Keenen Ivory Wayans e escrito por Marlon Wayans e Shawn Wayans, o longa misturava humor físico, referências diretas e um roteiro que não tinha medo de ser exagerado. A história acompanhava um grupo de adolescentes que, após um acidente fatal, passa a ser perseguido por uma figura mascarada — uma versão escancaradamente caricata do assassino Ghostface.
O elenco também marcou época, com nomes como Anna Faris e Regina Hall, que se tornaram rostos emblemáticos da franquia. O sucesso foi estrondoso: produzido com orçamento modesto, o filme arrecadou cerca de US$ 278 milhões no mundo todo, consolidando-se como uma das comédias mais lucrativas daquele ano.
Mas o que realmente fez diferença foi o timing. O longa não apenas zombava do terror, mas também dialogava com a cultura pop dos anos 1990. Referências a Halloween, O Iluminado, Sexta-Feira 13, O Sexto Sentido, A Bruxa de Blair e até Matrix mostravam que a proposta era abraçar o exagero sem pedir desculpas.
A franquia seguiu com mais quatro sequências, mas, com o tempo, perdeu parte da identidade original — especialmente após o afastamento criativo dos Wayans. O último filme, lançado em 2013, teve recepção morna e deixou no ar a sensação de que talvez o ciclo tivesse se encerrado.
Nostalgia ou reinvenção?
É justamente por isso que Todo Mundo em Pânico 6 desperta tanto interesse. O retorno da família Wayans representa, para muitos fãs, uma tentativa de resgatar a essência que fez o primeiro filme funcionar. Mas o desafio é grande: o humor mudou, o público mudou, e o próprio terror se reinventou.
Hoje, o gênero vive uma fase marcada por produções mais densas, simbólicas e tecnológicas. A paródia precisa acompanhar essa evolução sem perder o frescor. Transformar fenômenos recentes em sátira exige não apenas criatividade, mas também sensibilidade para entender o que realmente marcou o público.
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