
O primeiro trailer do reboot de Faces of Death acaba de ser divulgado e deixa claro que a nova versão não pretende apenas revisitar um título infame do cinema, mas reinterpretá-lo à luz de um mundo dominado por telas, algoritmos e consumo incessante de imagens extremas. A prévia aposta em um clima inquietante, mais psicológico do que gráfico, e sugere uma reflexão direta sobre trauma, dessensibilização e a fragilidade da verdade na internet. Abaixo, confira o vídeo:
Lançado originalmente em 1978, Faces of Death se tornou um fenômeno controverso ao se vender como um documentário que reunia registros reais das mais brutais formas de morrer. O impacto foi imediato: o filme foi proibido em diversos países, sofreu censura pesada e se transformou em objeto de debates morais que atravessaram décadas. Muito do choque vinha justamente da dúvida sobre o que era real e o que havia sido encenado, uma ambiguidade que ajudou a consolidar sua fama.
O trailer do reboot, produzido pela Legendary Pictures, deixa evidente que essa ambiguidade volta a ser o eixo central da narrativa, agora atualizada para o contexto digital. Em vez de imitar o formato de falso documentário do original, o novo filme aposta em uma história ficcional que dialoga diretamente com o cotidiano contemporâneo. A trama acompanha uma jovem moderadora de conteúdo que trabalha filtrando vídeos violentos em uma plataforma online. Cercada diariamente por imagens perturbadoras, ela tenta manter algum controle emocional enquanto lida com traumas pessoais ainda não resolvidos.
A prévia sugere que sua rotina começa a ruir quando ela se depara com vídeos que parecem recriar, de forma minuciosa, cenas atribuídas ao antigo Faces of Death. A partir daí, o filme levanta uma questão central: em um cenário dominado por vídeos virais, deepfakes e encenações cada vez mais realistas, ainda é possível distinguir o que é verdade do que é espetáculo? O trailer reforça essa dúvida com cortes rápidos, imagens fragmentadas e sons distorcidos, criando uma sensação constante de instabilidade.
O projeto tem direção de Daniel Goldhaber e roteiro de Isa Mazzei, dupla conhecida por explorar obsessões, identidades fragmentadas e os impactos psicológicos do ambiente digital. Essa abordagem fica clara no tom do trailer, que evita a exposição explícita e aposta mais na sugestão, no desconforto e no peso emocional acumulado pela protagonista.
O elenco também chama atenção. Dacre Montgomery, conhecido por Stranger Things, surge em um papel ainda envolto em mistério. Barbie Ferreira, de Euphoria, aparece em cenas que sugerem vulnerabilidade e confronto direto com o horror cotidiano. Completam o time Sarah Voigt, Tadasay Young, Josie Totah e a cantora Charli XCX, cuja presença reforça o diálogo do filme com uma geração moldada pela cultura online.
Para compreender o impacto simbólico do reboot, é impossível ignorar o legado do filme original. Faces of Death de 1978 apresentava o patologista Francis B. Gröss como guia por uma coleção de imagens de mortes ao redor do mundo, misturando violência contra animais, crimes, execuções, guerras, acidentes e reflexões filosóficas sobre a finitude humana. Mesmo com muitas cenas posteriormente reveladas como encenadas, o filme marcou época justamente por explorar o limite ético do olhar do espectador.
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