18 Rosas”, novo drama filipino disponível na Netflix, chega ao catálogo dentro de um cenário já saturado de histórias adolescentes, mas escolhe um caminho diferente do habitual. Em vez de construir uma narrativa confortável sobre primeiro amor, o filme trabalha com tensão emocional constante, relações desajustadas e decisões que nunca parecem totalmente certas. O resultado é uma obra que divide: para alguns, intensa; para outros, lenta demais.

A pergunta central permanece: vale a pena assistir?

A resposta depende diretamente do tipo de experiência que o espectador procura. Não há leveza aqui, nem condução fácil. O filme trabalha com pausas longas, situações mal resolvidas e personagens que não se encaixam com facilidade no próprio mundo emocional.

Uma festa perfeita que nunca sai do papel

A história acompanha Isabel, interpretada por Xyriel Manabat, uma jovem obcecada pela ideia de realizar a festa perfeita de seus 18 anos, um marco tradicional na cultura filipina que simboliza a entrada na vida adulta. Para ela, esse evento não é apenas uma celebração, mas um projeto de identidade, algo que precisa provar que sua vida está sob controle.

Só que esse controle começa a ruir quando ela faz um acordo com Rian, vivido por Kyle Echarri, um colega de escola introspectivo, fechado e emocionalmente distante. O que deveria ser uma solução prática para viabilizar seus planos rapidamente se transforma em um processo fora de controle, onde sentimentos e inseguranças começam a ocupar o espaço da lógica.

Quando o romance deixa de ser resposta

O principal diferencial de “18 Rosas” está justamente em recusar a estrutura clássica do romance adolescente. Em vez de construir a relação entre os protagonistas como objetivo final, o filme trata esse vínculo como consequência de conflitos pessoais mais profundos.

O amor não surge como cura, nem como destino inevitável. Ele aparece como atrito, confusão e deslocamento. E isso pode ser o ponto mais interessante da obra, porque tira o espectador da zona de conforto de histórias previsíveis.

Isabel representa uma juventude que tenta controlar tudo ao redor para evitar o caos interno. Rian, por outro lado, carrega o peso do silêncio, de traumas familiares e de uma dificuldade evidente em se abrir emocionalmente. Quando esses dois mundos se encontram, não há harmonia imediata, apenas choque e adaptação gradual.

Dois protagonistas presos entre controle e silêncio

Xyriel Manabat constrói uma Isabel consistente justamente por não suavizar suas contradições. A personagem começa rígida, controladora e emocionalmente presa à ideia de perfeição. Ao longo da narrativa, essa estrutura vai se desfazendo, revelando uma jovem mais vulnerável, confusa e em processo de autodescoberta.

Já Kyle Echarri entrega um Rian contido, que fala pouco, mas comunica muito nos gestos e nos silêncios. É uma atuação que funciona dentro da proposta do filme, já que o personagem não é movido por grandes discursos, mas por uma repressão emocional constante que vai sendo lentamente quebrada.

O resultado é uma dupla que não depende de química óbvia ou momentos exagerados, mas de uma construção gradual. Isso torna a relação mais crível, ainda que menos imediata.

Entre acertos e tropeços no ritmo

Apesar de suas qualidades, “18 Rosas” não escapa de problemas. O ritmo irregular é um dos principais pontos fracos, já que algumas cenas poderiam ser mais objetivas sem perder impacto emocional. Em outros momentos, a narrativa parece hesitar entre aprofundar conflitos ou apenas sugeri-los, o que gera certa inconsistência.

Ainda assim, esses deslizes não anulam a proposta do filme. Pelo contrário, reforçam sua tentativa de ser mais realista do que idealizado, mesmo que isso custe fluidez.

Vale a pena assistir?

O longa-metragem não é um romance adolescente convencional e nem tenta ser. Essa é sua maior força e também seu maior desafio. O filme se afasta da ideia de amor como solução e aposta em relações imperfeitas, instáveis e cheias de ruídos emocionais.

Vale a pena assistir se a expectativa for essa: uma história sobre amadurecimento, perda de controle e descobertas pessoais que nem sempre são confortáveis. Por outro lado, quem busca leveza, ritmo acelerado ou um romance mais tradicional pode se frustrar.

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