
A noite do Globo de Ouro 2026 entrou para a história do cinema brasileiro com a vitória de Wagner Moura na categoria Melhor Ator em Filme – Drama por sua atuação em O Agente Secreto. O reconhecimento marca um feito inédito: Moura tornou-se o primeiro ator brasileiro a vencer o prêmio nessa categoria, consolidando sua trajetória internacional e reforçando o prestígio do cinema nacional no cenário global.
Ao subir ao palco, Wagner Moura demonstrou emoção e gratidão. Em um discurso que rapidamente repercutiu nas redes sociais e na imprensa internacional, o ator agradeceu à organização do evento, aos colegas indicados e, principalmente, à equipe do filme. “Meus colegas indicados… vocês são atores extraordinários. Eu compartilho isso com vocês”, afirmou, antes de destacar o trabalho coletivo por trás da produção.
Um dos momentos mais marcantes do discurso foi a homenagem ao diretor Kleber Mendonça Filho, responsável pelo roteiro e pela direção de O Agente Secreto. Moura chamou o cineasta de “irmão” e “gênio”, ressaltando a relação de confiança e cumplicidade artística entre os dois. A parceria, que já havia rendido frutos em festivais internacionais, alcançou agora um novo patamar com o reconhecimento da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood.
Mais do que um agradecimento protocolar, o discurso de Wagner Moura ganhou força ao abordar os temas centrais do filme. Segundo o ator, O Agente Secreto é uma obra sobre “memória, ou a falta dela, e trauma geracional”. Em uma reflexão profunda, ele afirmou que, assim como o trauma pode ser transmitido de geração em geração, os valores também podem sobreviver ao tempo e às adversidades. A fala foi interpretada como um comentário direto sobre o momento político e social vivido em diversas partes do mundo, incluindo o Brasil.
Wagner dedicou o prêmio à família, mencionando o filho e reforçando a importância de preservar valores humanos em tempos difíceis. O ápice do discurso veio quando ele decidiu falar em português, emocionando o público brasileiro que acompanhava a cerimônia ao vivo: “Para todo mundo no Brasil assistindo isso agora: Viva o Brasil! Viva a cultura brasileira!”. A declaração foi recebida com aplausos calorosos e rapidamente se tornou um dos trechos mais compartilhados da noite.
O reconhecimento no Globo de Ouro coroou a trajetória de sucesso de O Agente Secreto, filme neo-noir brasileiro de drama, suspense e thriller político, com coprodução francesa, neerlandesa e alemã. Escrito e dirigido por Kleber Mendonça Filho, o longa teve sua estreia mundial no Festival de Cannes 2025, onde competiu pela Palma de Ouro e saiu como um dos grandes destaques da edição. Na ocasião, Wagner Moura venceu o prêmio de Melhor Ator, enquanto Mendonça Filho levou o troféu de Melhor Direção, além do filme conquistar o Prêmio FIPRESCI da crítica internacional.
Ambientado no Recife de 1977, durante os anos mais duros da ditadura militar brasileira, o filme acompanha Marcelo, um professor universitário e especialista em tecnologia que retorna à sua cidade natal após anos afastado. Perseguido por assassinos de aluguel e envolvido em conflitos ligados a interesses industriais e políticos, o personagem tenta proteger o filho pequeno, reaproximar-se da família e, ao mesmo tempo, encontrar uma forma de sobreviver em um ambiente marcado pela vigilância constante e pela repressão do regime.
A narrativa se desenvolve a partir de uma atmosfera densa e opressiva, explorando temas como espionagem, manipulação da verdade, corrupção estatal, memória histórica e resistência. Marcelo encontra abrigo em uma casa segura ao lado de dissidentes e personagens marginalizados, como um casal de refugiados angolanos e a figura maternal de Dona Sebastiana, interpretada por Tânia Maria. O elenco ainda conta com Maria Fernanda Cândido, Gabriel Leone, Alice Carvalho, Udo Kier e Thomás Aquino, compondo um retrato plural e humano daquele período.
Lançado nos cinemas brasileiros em 6 de novembro de 2025, com distribuição da Vitrine Filmes, O Agente Secreto foi amplamente elogiado pela crítica por sua direção precisa, fotografia marcante e atuações intensas. O filme também foi escolhido pela Academia Brasileira de Cinema para representar o Brasil na disputa por uma vaga no Oscar, reforçando sua relevância artística e política.
No Globo de Ouro 2026, o longa foi indicado a três categorias: Melhor Filme – Drama, Melhor Filme em Língua Não Inglesa e Melhor Ator em Drama. Ao vencer duas delas, o filme alcançou outro marco histórico, tornando-se o primeiro longa brasileiro a conquistar dois Globos de Ouro em uma única noite. O feito simboliza um momento de afirmação do cinema brasileiro no mercado internacional.
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