Para grande parte dos estudantes universitários, especialmente nos últimos semestres da graduação, existe um momento que costuma gerar ansiedade: a elaboração do projeto de pesquisa. Etapa essencial na construção do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) e também exigida em processos seletivos de mestrado e doutorado, essa fase pode se tornar um verdadeiro bloqueio criativo para quem ainda está aprendendo a transformar ideias em investigação científica estruturada.

Com o objetivo de tornar esse processo mais claro e acessível, o professor e pesquisador Wigvan Pereira dos Santos, que atua há mais de 15 anos ensinando Metodologia Científica, lança o livro I’ve Got a Blank Space, Baby. A obra propõe um manual prático voltado a estudantes que precisam estruturar projetos acadêmicos, combinando rigor metodológico com referências da cultura pop para aproximar o conteúdo do cotidiano dos leitores.

Disponível gratuitamente em formato digital, o livro nasce da experiência acumulada pelo autor em sala de aula e das conversas constantes com alunos que relatam dificuldades comuns: escolher um tema, delimitar o objeto de estudo, formular perguntas de pesquisa e organizar uma metodologia coerente. Em vez de recorrer à linguagem excessivamente técnica que marca muitos manuais acadêmicos, Wigvan aposta em uma abordagem didática e dialogada, pensada para tornar a metodologia científica menos intimidadora.

A estrutura da obra é dividida em oito capítulos, apresentados como aulas. Cada um deles recebe o título de uma música da cantora Taylor Swift, recurso que funciona como ponto de partida para explicar conceitos fundamentais da pesquisa acadêmica. Ao longo dessas aulas, o autor aborda etapas essenciais da elaboração de um projeto, como a introdução, a delimitação do tema, a construção da justificativa, a formulação do problema de pesquisa, a definição de objetivos e a organização da metodologia.

O livro também se destaca pelo uso de exemplos práticos que refletem erros comuns cometidos por estudantes iniciantes. Um dos casos citados envolve a confusão frequente entre objetivos de pesquisa e procedimentos metodológicos. Muitos alunos, por exemplo, costumam listar atividades como “ler livros”, “aplicar questionários” ou “fazer gráficos” como se fossem objetivos da investigação. O autor esclarece que essas ações fazem parte do método de pesquisa, enquanto os objetivos dizem respeito ao conhecimento que se pretende produzir.

Para tornar essa explicação mais clara, Wigvan recorre a analogias com o universo do entretenimento. Um exemplo aparece na comparação com o filme Freaky Friday, estrelado por Lindsay Lohan e Jamie Lee Curtis, em que mãe e filha trocam de corpos. A metáfora ilustra, de forma bem-humorada, o que acontece quando objetivos e métodos aparecem “trocados” dentro de um projeto acadêmico.

Outras referências da cultura pop também são utilizadas como ferramentas pedagógicas ao longo do livro. A série Gossip Girl, por exemplo, serve de inspiração para discutir a diferença entre fontes primárias e secundárias em uma pesquisa. Já a popular produção da Netflix, Stranger Things, aparece como analogia para explicar a importância de delimitar corretamente o problema de pesquisa — um passo essencial para evitar que o estudo se torne amplo demais ou perca foco.

Apesar da abordagem descontraída, o conteúdo do livro mantém forte fundamentação teórica. O autor dialoga com referências clássicas da metodologia científica, incluindo obras de Umberto Eco, além de pesquisadores amplamente utilizados em cursos universitários, como Antônio Carlos Gil, Marina de Andrade Marconi, Eva Maria Lakatos e Cleber Cristiano Prodanov.

A publicação também foi contemplada pelo edital Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, por meio da iniciativa Goiás Mundo Afora, reforçando o compromisso de ampliar o acesso a materiais educacionais e incentivar a produção de conhecimento.

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