
O longa-metragem Maldição da Múmia tinha tudo para funcionar. Terror clássico, uma entidade antiga, drama familiar e um diretor que já mostrou que sabe brincar com o gênero. Mas, no fim das contas, o filme disponível na Warner Bros. Pictures acaba sendo mais uma daquelas produções que parecem promissoras no papel, mas não conseguem transformar isso em algo realmente marcante na tela.
Dirigido por Lee Cronin, o longa tenta equilibrar emoção e horror, mas tropeça justamente nessa mistura. A sensação constante é de que o filme segura o freio quando deveria pisar fundo.
Começa bem… e depois se perde sem saber para onde ir
O início até engana. O desaparecimento de Katie cria um impacto interessante, dá peso emocional e faz você pensar que vem algo mais denso por aí. Quando a menina reaparece anos depois, claramente diferente, o clima muda e o suspense cresce.
Só que esse crescimento não se sustenta.
O filme começa a repetir ideias, alongar situações e, pior, não aprofunda o que realmente importa. A tensão que parecia promissora vai se diluindo aos poucos, até virar algo previsível.
Terror morno para quem esperava mais coragem
Se tem uma coisa que chama atenção aqui é como o filme parece tímido. Ainda mais vindo de alguém que dirigiu Evil Dead Rise, que não tinha medo de exagerar e ir longe no horror.
Em Maldição da Múmia, o gore até aparece, mas nunca impressiona de verdade. Tem cenas desconfortáveis, sim, mas nada que faça você realmente reagir. Parece tudo controlado demais, seguro demais.
E isso é um problema para um filme que deveria causar impacto.
Personagens que não ajudam a sustentar a história
O elenco, com nomes como Jack Reynor e Laia Costa, até faz o que pode. Mas o roteiro não ajuda muito. Falta profundidade, falta construção e, principalmente, falta fazer o público se importar de verdade.
A relação familiar, que deveria ser o coração da história, nunca atinge o nível emocional que promete. Você entende o drama, mas não chega a sentir.
Boas ideias jogadas no meio do caminho
O mais frustrante é perceber que o filme até tem boas sacadas. Elementos como o uso de código morse ou algumas situações envolvendo a transformação da Katie mostram que havia criatividade ali.
Mas tudo parece mal aproveitado. As ideias surgem e desaparecem sem grande impacto, como se o roteiro não soubesse o que fazer com elas.
Longo demais para o que entrega
Com mais de duas horas de duração, o filme até mantém um ritmo aceitável, mas não justifica esse tempo todo. Falta conteúdo para sustentar a duração.
Não chega a ser arrastado, mas também não empolga. É aquele tipo de filme que você acompanha até o final mais por curiosidade do que por envolvimento.
Vale a pena assistir?
Depende muito da expectativa.
Se você gosta de terror mais leve, com clima sobrenatural e sem grandes ousadias, talvez funcione. Agora, se a ideia é ver algo impactante, marcante ou minimamente inovador, a chance de decepção é grande.
No fim, Maldição da Múmia não é um desastre, mas também passa longe de ser memorável. É um filme que tinha potencial para ser muito mais, mas escolhe o caminho mais seguro possível.











