
Gilead não ficou no passado. O universo de The Handmaid’s Tale ganha um novo capítulo com Os Testamentos: Das Filhas de Gilead, que já está disponível no Disney+. A proposta aqui não é simplesmente revisitar a história anterior, mas mostrar o que aconteceu depois, quando aquela realidade já está mais consolidada e, ao mesmo tempo, cheia de rachaduras.
Baseada no livro de Margaret Atwood, a série parte de um ponto interessante. Ela continua o que já foi construído, mas troca o foco. Em vez de acompanhar personagens que já conhecemos bem, abre espaço para novas histórias, novos conflitos e, principalmente, novas perspectivas sobre o mesmo regime.
A trama acompanha duas jovens que vivem lados bem diferentes de Gilead. Agnes cresceu dentro do sistema e aprendeu, desde cedo, a seguir regras rígidas sem questionar. Já Daisy vem de fora, o que muda completamente a forma como ela enxerga aquele mundo.
Quando as duas passam a dividir o mesmo espaço, a história começa a ganhar outra camada. Não é só sobre sobreviver ou se adaptar. É sobre entender o que está por trás de tudo aquilo e o que pode ser feito a partir disso.
Grande parte da narrativa se desenrola em uma escola voltada para a formação de futuras esposas. À primeira vista, pode parecer apenas um ambiente disciplinado, mas aos poucos fica claro que o controle ali é muito mais profundo. A série usa esse cenário para mostrar como o sistema se perpetua, moldando comportamento, pensamento e até expectativas de vida.
Quem está no elenco?
O elenco mistura rostos novos com conexões diretas com a série original. Chase Infiniti assume o papel de Agnes, enquanto Lucy Halliday vive Daisy, trazendo essa dualidade que sustenta a trama.
Um dos retornos mais importantes é o de Ann Dowd (The Handmaid’s Tale, Hereditário), novamente como Tia Lydia. A personagem continua sendo uma peça-chave dentro de Gilead, e sua presença ajuda a manter a ligação direta com a história anterior.
Também estão no elenco Rowan Blanchard (Girl Meets World), Mattea Conforti (Power) e Amy Seimetz (The Girlfriend Experience), além de outros nomes que ajudam a dar forma a esse novo momento da história.
Como a série foi desenvolvida?
Nos bastidores, a série começou a tomar forma quando Bruce Miller decidiu focar diretamente na adaptação do livro. Ele deixou a condução principal de The Handmaid’s Tale para se dedicar a esse novo projeto, o que já mostra o peso que a produção tem dentro desse universo.
O sinal verde veio do Hulu, que apostou na expansão da história. A direção dos primeiros episódios ficou com Mike Barker, enquanto a produção executiva reúne nomes que já conhecem bem esse mundo.
Entre eles está Elisabeth Moss (Mad Men), que aqui atua por trás das câmeras. A participação dela ajuda a manter uma certa continuidade no tom e na identidade da franquia.
É preciso assistir The Handmaid’s Tale antes?
Não é obrigatório, mas faz diferença. Os Testamentos funciona por conta própria, principalmente porque apresenta novos personagens e uma nova fase da história. Dá para acompanhar sem ter visto tudo antes.
Por outro lado, quem já conhece The Handmaid’s Tale percebe detalhes que passam batido para novos espectadores. Referências, decisões e até o peso de algumas situações ganham outra dimensão quando você já sabe o que aconteceu antes.
O que esperar da série?
A série não tenta repetir o que já foi feito. Em vez disso, ela amplia o olhar sobre Gilead, mostrando como o sistema continua funcionando e como ele afeta quem nasceu dentro dele.
O foco aqui está nas escolhas, nas dúvidas e nas pequenas rupturas que começam a aparecer. Não é uma história sobre grandes revoluções logo de cara, mas sobre movimentos que começam de dentro, muitas vezes de forma silenciosa.



















