Foto: Reprodução/ Disney/ Pixar

Quando Toy Story 4 chegou aos cinemas em 2019, a sensação era de encerramento. Woody havia seguido um caminho diferente do restante da turma, Buzz encontrara seu próprio propósito e Bonnie parecia pronta para escrever um novo capítulo ao lado dos brinquedos que herdou de Andy. Por isso, o anúncio de um quinto filme foi recebido com desconfiança por parte do público. A principal dúvida era simples: ainda havia algo relevante a ser contado?

Os primeiros resultados comerciais indicam que o interesse pela franquia permanece alto. Toy Story 5 arrecadou US$ 160 milhões durante seu fim de semana de estreia na América do Norte e outros US$ 152 milhões no mercado internacional. A soma de US$ 312 milhões coloca a animação entre as maiores estreias da Pixar nos últimos anos e oferece um alívio importante para a Disney em um momento em que diversas sequências de grandes franquias têm encontrado dificuldades para repetir o desempenho do passado. As informações são da Variety.

Diferentemente dos filmes anteriores, que exploravam principalmente mudanças na vida dos donos dos brinquedos, a nova produção concentra boa parte de sua narrativa em um tema bastante presente na rotina das famílias atuais: a influência da tecnologia sobre a forma como as crianças brincam, se relacionam e ocupam seu tempo livre.

Bonnie agora tem oito anos e passa a dedicar sua atenção a Lilypad, apelidada de Lily, um tablet inteligente desenvolvido para estimular conexões sociais entre crianças. A mudança afeta diretamente os brinquedos do quarto. Pela primeira vez na série, a ameaça não surge de um vilão tradicional, de um colecionador ou de um brinquedo rival. O conflito nasce da mudança de comportamento da própria criança.

A escolha do tema não parece acidental. Nos últimos anos, especialistas em educação, pais e escolas têm discutido o impacto do uso excessivo de telas durante a infância. O roteiro utiliza esse cenário como pano de fundo sem transformar a história em uma discussão moralista. A tecnologia aparece como parte da realidade de Bonnie, e não como algo necessariamente negativo.

Jessie assume uma posição central na trama. Desde a despedida de Woody, a personagem passou a ocupar um papel de liderança entre os brinquedos de Bonnie. O filme aproveita essa nova responsabilidade para desenvolver uma história própria para a vaqueira, algo que nunca havia acontecido em escala semelhante dentro da franquia.

Grande parte desse desenvolvimento acontece quando Jessie retorna à antiga fazenda onde viveu com Emily, sua primeira dona. O local funciona quase como uma cápsula do tempo. Entre brinquedos esquecidos, objetos antigos e lembranças guardadas por décadas, a personagem encontra evidências de que continuou presente na memória de Emily muito depois da separação mostrada em Toy Story 2.

Essa linha narrativa conversa diretamente com um dos temas mais recorrentes da série desde 1995: a marca que os brinquedos deixam na infância das pessoas. Em vez de repetir conflitos já conhecidos sobre abandono ou substituição, o filme procura discutir o legado dessas relações ao longo dos anos.

Woody reaparece em um papel diferente daquele que ocupava nos capítulos anteriores. Depois de escolher uma vida longe de Bonnie, ele continua ajudando brinquedos sem dono ao lado de Betty. Sua participação surge de forma mais pontual, mas continua sendo importante para o desenrolar da história e para a evolução de Jessie.

Buzz Lightyear segue outro caminho dentro da narrativa. Uma carga contendo dezenas de versões modernas do personagem acaba isolada após um acidente marítimo. Presos em modo de demonstração permanente, esses Buzz acreditam ser integrantes reais do Comando Estelar. A situação gera algumas das cenas mais engraçadas do filme e recupera características do personagem vistas pela primeira vez na animação original de 1995.

O elenco principal retorna praticamente completo. Tom Hanks volta a emprestar sua voz a Woody, Tim Allen retorna como Buzz Lightyear e Joan Cusack reprisa o papel de Jessie. Entre os novos nomes estão Greta Lee, indicada ao Globo de Ouro por Vidas Passadas, Craig Robinson, conhecido pela série The Office, e o apresentador Conan O’Brien.

Nos bastidores, o longa-metragem representa uma mudança significativa para a franquia. A direção ficou nas mãos de Andrew Stanton, um dos nomes mais respeitados da história da Pixar. Stanton dirigiu Procurando Nemo e WALL-E, duas produções frequentemente citadas entre os melhores trabalhos do estúdio. Sua ligação com Toy Story também é antiga: ele participou da equipe criativa do primeiro filme lançado há mais de 30 anos.

Outro detalhe importante envolve a ausência de John Lasseter. Criador da franquia ao lado de um grupo de pioneiros da animação digital, ele não participou do desenvolvimento do novo longa. É a primeira vez que um capítulo principal da série é produzido sem seu envolvimento criativo.

A trilha sonora marca o retorno de Randy Newman, responsável pela identidade musical da franquia desde o primeiro filme. Seu trabalho acompanha Toy Story desde 1995 e inclui músicas que se tornaram parte inseparável da memória afetiva de milhões de espectadores. O novo longa também conta com a canção inédita “I Knew It, I Knew You”, interpretada por Taylor Swift.

O orçamento estimado em US$ 250 milhões coloca Toy Story 5 entre as animações mais caras já produzidas. O investimento aparece na evolução técnica da Pixar, especialmente na qualidade das texturas, da iluminação e das expressões dos personagens. A comparação com o primeiro Toy Story evidencia o salto tecnológico alcançado pelo estúdio desde a década de 1990.

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