Foto: Reprodução/ Disney/ Pixar

Trinta anos depois de revolucionar a animação com o primeiro Toy Story, a Pixar demonstra que a franquia continua entre as mais fortes de Hollywood. Toy Story 5 acaba de ultrapassar a marca de US$ 750 milhões nas bilheterias mundiais e já acumula US$ 764 milhões, sendo US$ 366,3 milhões na América do Norte e US$ 398 milhões no mercado internacional.

O resultado coloca o longa entre as maiores arrecadações de 2026 e confirma que Woody, Buzz Lightyear, Jessie e companhia seguem conquistando diferentes gerações. Quem cresceu com os primeiros filmes voltou aos cinemas movido pela nostalgia, enquanto crianças que conheceram a franquia recentemente encontraram uma história conectada à realidade atual. O desempenho também responde às dúvidas que cercavam o projeto desde o anúncio: depois do desfecho de Toy Story 4, muitos acreditavam que a saga havia chegado ao fim. Os números mostram que ainda havia espaço para um novo capítulo.

O que mudou na história desta vez?

Em vez de repetir conflitos semelhantes aos dos filmes anteriores, a trama escolhe um tema bastante atual: a forma como a tecnologia mudou a infância. Bonnie agora tem oito anos e recebe de presente um tablet inteligente chamado Lilypad, ou simplesmente Lily. O dispositivo rapidamente se transforma em seu principal companheiro, reduzindo o tempo dedicado aos brinquedos tradicionais.

Essa mudança afeta diretamente Jessie, que assumiu a liderança do grupo depois da saída de Woody. Pela primeira vez, os brinquedos deixam de disputar atenção apenas entre si e passam a enfrentar um concorrente muito diferente: uma tela conectada à internet, capaz de conversar, sugerir amizades e acompanhar Bonnie durante praticamente todo o dia. O roteiro evita transformar a tecnologia em uma vilã absoluta e prefere discutir como ela influencia as relações humanas e a maneira como as crianças brincam atualmente.

Por que Jessie ocupa o centro da narrativa?

Depois de dividir espaço com Woody durante boa parte da franquia, Jessie finalmente assume o protagonismo da história. A personagem interpretada por Joan Cusack lidera os brinquedos justamente quando eles começam a perder espaço na rotina de Bonnie.

Sua trajetória também resgata um dos temas mais tradicionais da série: a ligação entre brinquedos e seus antigos donos. Durante a aventura, Jessie retorna à fazenda onde viveu com Emily e reencontra lembranças que acreditava ter deixado para trás. Ao perceber que continuou ocupando um lugar especial na vida de sua antiga dona, ela entende que o valor de um brinquedo não desaparece quando a infância termina. É uma sequência construída para emocionar quem acompanha a franquia desde os anos 1990.

Onde Woody e Buzz entram nessa história?

Embora Jessie conduza a maior parte da narrativa, Woody e Buzz continuam desempenhando papéis importantes. Woody retorna depois de passar um período ajudando Betty a encontrar novos lares para brinquedos abandonados e acaba servindo como um conselheiro para Jessie nos momentos mais difíceis.

Buzz, por sua vez, participa de uma história paralela envolvendo um carregamento de versões tecnológicas do próprio personagem. Após um acidente com um navio cargueiro, dezenas de Buzz Lightyear ficam presos em uma ilha deserta acreditando que realmente fazem parte do Comando Estelar. Cabe ao Buzz original ajudá-los a compreender quem realmente são. A situação recupera o humor clássico da franquia e faz referência direta ao primeiro filme, quando o próprio Buzz também acreditava ser um patrulheiro espacial de verdade.

Como o filme conversa com os dias atuais?

Essa talvez seja a maior diferença entre Toy Story 5 e seus antecessores. Nos primeiros filmes, o medo dos personagens era ser substituído por brinquedos novos. Agora, a ameaça não está em outro boneco, mas nos celulares, tablets e aplicativos que ocupam boa parte da atenção das crianças.

Mesmo abordando esse tema, o roteiro evita discursos simplistas. Lily também passa por uma transformação ao longo da história e aprende que nenhuma tecnologia consegue substituir amizades verdadeiras. O filme procura mostrar que o mundo digital faz parte da infância atual, mas não precisa ocupar todo o espaço da imaginação.

Quem participa do elenco?

O elenco reúne praticamente todos os principais nomes da franquia. Tom Hanks retorna como Woody, Tim Allen volta a interpretar Buzz Lightyear e Joan Cusack reassume o papel de Jessie. Entre as novidades estão Greta Lee, responsável pela voz de Lily, além de Conan O’Brien, Craig Robinson, Shelby Rabara, Scarlett Spears e Mykal-Michelle Harris.

Na direção está Andrew Stanton, um dos cineastas mais importantes da história da Pixar. Vencedor de dois Oscars por Procurando Nemo e WALL·E, Stanton participou do desenvolvimento criativo de praticamente todos os grandes sucessos do estúdio desde os anos 1990, o que ajuda a explicar a identidade preservada pela franquia mesmo após tantos anos.

O sucesso nas bilheterias era esperado?

Mesmo sendo uma das marcas mais valiosas da Pixar, havia dúvidas sobre o desempenho comercial do quinto filme. Parte do público acreditava que Toy Story 4 havia encerrado a história de forma definitiva, principalmente após a despedida de Woody.

Os resultados, porém, contam outra história. Com US$ 764 milhões arrecadados até agora, o longa-metragem figura entre as maiores bilheterias de 2026 e ainda tem potencial para ampliar esses números, já que continua em cartaz em diversos mercados internacionais.

Vale a pena assistir?

Quem espera apenas uma sequência construída sobre a nostalgia pode encontrar algo diferente. Toy Story 5 preserva o humor e a emoção característicos da franquia, mas direciona o olhar para uma discussão muito presente no cotidiano das famílias: como equilibrar tecnologia, brincadeiras e convivência.

Ao ultrapassar os US$ 750 milhões em bilheteria mundial, o filme confirma que Woody, Buzz, Jessie e seus amigos continuam relevantes mesmo três décadas após a estreia da série. A Pixar encontrou uma forma de atualizar a franquia sem abandonar sua essência, mantendo viva uma história que segue dialogando com crianças, pais e adultos que cresceram acompanhando esses personagens.

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