Poucos imaginavam que uma creepypasta publicada na internet se transformaria em um dos maiores sucessos do cinema em 2026. Backrooms: Um Não-Lugar acaba de ultrapassar US$ 356 milhões em bilheteria mundial, consolidando um desempenho muito acima do esperado para uma produção independente. Dirigido por Kane Parsons, o longa também entrou para a história da A24 como a maior arrecadação da distribuidora e confirmou que o gênero de terror continua vivendo uma fase de enorme popularidade nas salas de cinema.

O resultado impressiona ainda mais quando comparado ao investimento. Produzido com menos de US$ 10 milhões, o filme multiplicou dezenas de vezes seu orçamento e se tornou um dos casos mais expressivos de retorno financeiro da década. Antes mesmo desse novo marco, a produção já figurava entre as maiores bilheterias de 2026 e ocupava a vice-liderança entre os filmes de terror lançados no ano.

O que explica o sucesso?

Grande parte da força do filme está na origem da história. Em vez de adaptar um livro ou uma franquia consolidada, Kane Parsons levou para o cinema um fenômeno criado na internet. Os vídeos publicados por ele em 2022 apresentavam corredores intermináveis, salas vazias iluminadas por luzes fluorescentes e uma sensação constante de que algo estava observando quem entrava naquele lugar.

A estética dos chamados “espaços liminares” rapidamente conquistou milhões de visualizações e despertou curiosidade até mesmo de pessoas que nunca haviam acompanhado histórias de terror. O projeto chamou a atenção de diversos estúdios e acabou sendo transformado em um longa-metragem com o próprio Parsons na direção, um feito raro para um cineasta tão jovem.

Qual é a história do filme?

O roteiro acompanha Clark, interpretado por Chiwetel Ejiofor, dono de uma loja de móveis que enfrenta problemas financeiros, um divórcio recente e o alcoolismo. A rotina muda completamente quando estranhas falhas elétricas começam a surgir no estabelecimento.

Durante uma inspeção no porão da loja, Clark encontra uma abertura escondida atrás de uma parede. Ao atravessá-la, descobre um lugar impossível de explicar: um labirinto praticamente infinito formado por corredores vazios, salas idênticas, iluminação amarelada e um silêncio interrompido apenas pelo zumbido constante das lâmpadas fluorescentes.

Convencido de que encontrou algo extraordinário, ele tenta provar a existência daquele espaço para sua terapeuta, Mary, vivida por Renate Reinsve. Inicialmente cética, ela acaba entrando no local e percebe que aquele ambiente desafia qualquer lógica conhecida.

À medida que avançam pelo chamado Backrooms, os personagens encontram entidades misteriosas, ambientes que parecem mudar de forma constantemente e espaços que reproduzem lembranças traumáticas. Aos poucos, a narrativa deixa de funcionar apenas como um terror de sobrevivência para explorar culpa, trauma, isolamento e perda da identidade.

O filme vai além dos sustos?

Embora tenha criaturas assustadoras e momentos de grande tensão, o longa-metragem evita depender exclusivamente de sustos repentinos. O longa investe principalmente na sensação de desconforto provocada pelos cenários aparentemente comuns, mas completamente vazios e sem qualquer referência de tempo ou direção.

O roteiro também introduz o Async Research Institute, organização responsável por estudar aquela dimensão paralela. Conforme a investigação avança, fica claro que o misterioso labirinto existe há décadas e esconde segredos que permanecem longe do conhecimento público.

Essa combinação entre terror psicológico, ficção científica e mistério ajuda a explicar por que o filme conquistou tanto o público que já conhecia a creepypasta quanto espectadores que tiveram o primeiro contato com a história nos cinemas.

Quem está no elenco e na produção?

Além de Chiwetel Ejiofor e Renate Reinsve, o elenco reúne Mark Duplass, Finn Bennett e Lukita Maxwell.

O roteiro ficou a cargo de Will Soodik, substituindo Roberto Patino, inicialmente anunciado para o projeto. Kane Parsons também participou da composição da trilha sonora e comandou a direção, preservando boa parte da identidade visual que tornou seus vídeos um fenômeno na internet.

As filmagens aconteceram durante o verão de 2025 e foram concluídas em agosto do mesmo ano. O longa estreou em maio de 2026 e rapidamente se transformou em um dos títulos mais comentados da temporada.

Por que o filme virou um fenômeno?

O sucesso comercial de Backrooms: Um Não-Lugar demonstra como produções nascidas fora dos grandes estúdios conseguem conquistar espaço quando encontram uma proposta visual marcante e uma comunidade já interessada naquele conceito.

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