Pele de Rinoceronte, novo filme dirigido por Marcello Ludwig Maia, fará sua primeira exibição durante a 54ª edição do Festival de Gramado, onde integra a Competição de Longas-Metragens Brasileiros. Estrelado por Débora Falabella (O Beijo no Asfalto, Aruanas) e Naruna Costa (Coração Acelerado, A Divisão), o longa parte de um dos casos criminais mais marcantes da história do Brasil para discutir a violência contra a mulher e a forma como esses crimes são retratados pela sociedade e pela imprensa. O festival acontece entre os dias 12 e 22 de agosto, no Rio Grande do Sul, e marcará o primeiro contato do público com a produção.

Qual é a história do filme?

Inspirado no assassinato de Ângela Diniz, ocorrido em 1976, o filme acompanha três mulheres cujas vidas se cruzam em torno de um feminicídio. Débora Falabella interpreta uma repórter policial responsável por cobrir o caso para um jornal popular. Já Naruna Costa vive a advogada encarregada de construir a acusação contra o réu. A terceira perspectiva é apresentada por Camila Lucciola, que interpreta a própria vítima, assassinada depois de encerrar o relacionamento com o namorado. Em vez de reconstruir apenas o crime, o roteiro de Josefina Trotta acompanha como essas mulheres enfrentam diferentes formas de violência e pressão em um contexto dominado por estruturas de poder masculinas.

Por que o caso Ângela Diniz continua atual?

O assassinato de Ângela Diniz se tornou um marco na discussão sobre violência de gênero no Brasil. Morta pelo então companheiro, Doca Street, ela foi transformada em alvo durante o primeiro julgamento, quando a defesa utilizou a tese da “legítima defesa da honra” para tentar justificar o crime. A repercussão nacional impulsionou movimentos feministas e abriu um amplo debate sobre a forma como mulheres vítimas de violência eram tratadas pela Justiça e pela opinião pública. Décadas depois, esse episódio continua sendo referência quando o assunto é feminicídio no país. O longa utiliza esse contexto histórico como ponto de partida, mas direciona seu olhar para questões que seguem presentes na realidade brasileira.

O filme também dialoga com dados atuais?

Embora inspirado em um caso ocorrido nos anos 1970, Pele de Rinoceronte estabelece um paralelo com números recentes da violência contra a mulher. Segundo o Dossiê Mulher 2026, divulgado pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, 159.041 meninas e mulheres sofreram agressões no estado ao longo de 2025, uma média de 436 vítimas por dia. Como a produção foi filmada no Rio de Janeiro, esses dados ajudam a contextualizar um problema que permanece atual e ultrapassa o caso retratado pelo filme.

Quem faz parte do elenco?

Além de Débora Falabella, Naruna Costa e Camila Lucciola, o elenco reúne nomes conhecidos do cinema e da televisão brasileira, como Irandhir Santos (Tatuagem, Pantanal), Augusto Madeira (Marighella, Cidade Invisível), Daniel Rangel (Vale Tudo, Malhação), Elli Fêrreira, Alex Nader e Márcia Santos. A produção ainda conta com participações de João Pedro Zappa, Natasha Jascalevich, Isabel Gueron e Isabel Lobo.

Quem está por trás da produção?

O roteiro é assinado por Josefina Trotta, enquanto a direção e a produção ficam a cargo de Marcello Ludwig Maia. A fotografia é de Heloísa Passos (Pacarrete, Motel Destino), com direção de arte de Karen Araújo, figurino de Renata Russo e desenho de som de Laura Zimmerman. Pele de Rinoceronte é uma produção da República Pureza Filmes, em coprodução com Telecine e Canal Brasil. A uruguaia Circula Media participa como produtora associada, enquanto a distribuição ficará por conta da Arthouse.

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