
Muito antes de se tornar um dos nomes mais conhecidos da música clássica, Antonio Vivaldi viveu uma trajetória marcada por reconhecimento, dificuldades e longos períodos de esquecimento. Essa fase menos conhecida da vida do compositor italiano chega aos cinemas em Primavera, novo filme dirigido por Damiano Michieletto, que estreia no Brasil em 9 de julho, com distribuição da Imagem Filmes.
Conhecido principalmente por As Quatro Estações, Vivaldi ganha uma nova interpretação nas telas pelas mãos do ator Michele Riondino (O Jovem Montalbano e O Traidor). O longa não se concentra apenas no músico consagrado, mas também no homem por trás das composições, suas ambições e sua relação com a música como caminho para transformar vidas.
A história acompanha o encontro do compositor com Cecília, uma jovem órfã interpretada por Tecla Insolia (La Tana dei Lupi). Dentro do ambiente musical de Veneza, os dois personagens encontram na arte uma forma de buscar liberdade em uma época marcada por regras rígidas e diferenças sociais.
Nascido em Veneza em 1678, Vivaldi teve uma formação incomum para seu período. Entre os dez filhos da família, foi o único a seguir carreira musical. Também entrou para a vida religiosa e foi ordenado sacerdote em 1703, recebendo o apelido de “padre vermelho” por causa dos cabelos ruivos.
No mesmo ano em que se tornou padre, começou a publicar suas primeiras obras, incluindo As Doze Sonatas em Trio, Op. 1, coleção que ajudou a apresentar seu estilo ao público europeu. Suas composições chamavam atenção pela energia das melodias e pela forma como exploravam novas possibilidades dentro da música barroca.
Parte importante da trajetória de Vivaldi aconteceu no Ospedale della Pietà, uma instituição veneziana que abrigava meninas órfãs e também funcionava como uma escola de música. Lá, ele atuou como professor e compositor, criando peças para apresentações das jovens musicistas, que ficaram conhecidas pela qualidade das performances.
Foi nesse período que Vivaldi alcançou o auge da carreira. Em 1725, publicou As Quatro Estações, conjunto de concertos que se tornaria sua obra mais famosa e uma das composições mais reconhecidas da música ocidental.
O sucesso, porém, não acompanhou o compositor até o fim da vida. Nos últimos anos, Vivaldi enfrentou dificuldades financeiras, problemas de saúde e perdeu parte do prestígio que havia conquistado. Ele morreu em Viena, em 1741, aos 63 anos, praticamente sem o reconhecimento que receberia séculos depois.
Após sua morte, muitas de suas partituras desapareceram e seu nome acabou ficando fora dos grandes palcos por um longo período. Apenas no início do século XX, manuscritos importantes foram encontrados e ajudaram a recuperar a dimensão de sua obra. A partir daí, suas composições voltaram ao repertório de orquestras e conquistaram novas gerações de ouvintes.
Em Primavera, o diretor Damiano Michieletto, conhecido por seu trabalho no mundo da ópera, escolhe olhar para um período específico da vida de Vivaldi e explorar a relação entre criação artística, limitações sociais e desejo de reconhecimento.
O roteiro foi escrito por Ludovica Rampoldi, com desenvolvimento da história em parceria com Michieletto. A produção reúne Nicola Giuliano, Francesca Cima, Carlotta Calori e Viola Prestieri, com coprodução de Marc Missonnier.






















