
O Sorveteiro é daqueles filmes que deixam claro, logo nos primeiros minutos, que não estão interessados em seguir exatamente o caminho tradicional do terror. Dirigido por Eli Roth, o longa mistura violência gráfica, humor ácido e uma boa dose de absurdo para construir uma experiência que está muito mais interessada em divertir e chocar do que em provocar medo de maneira convencional.
A premissa, por si só, já entrega uma proposta bastante diferente. E o filme parece saber disso. Em vez de tentar transformar sua ideia inusitada em algo excessivamente sério, O Sorveteiro abraça o absurdo e faz dele uma das principais características da produção.
Por isso, talvez seja importante não assistir ao filme esperando encontrar um novo O Albergue.
Embora os dois sejam dirigidos por Eli Roth e compartilhem o gosto pela violência gráfica, as propostas são bem diferentes. O Albergue trabalha o horror de uma maneira mais pesada, apostando no desconforto, na tensão e em uma atmosfera que consegue incomodar o espectador. O Sorveteiro segue por outro caminho.
Aqui, o diretor parece muito mais interessado em brincar com o gênero. O medo divide espaço com o humor, enquanto as cenas violentas são apresentadas de maneira tão exagerada que, em alguns momentos, fica difícil saber se a intenção é provocar horror ou arrancar uma risada.
E é justamente aí que o filme encontra sua identidade.
Para quem gosta de gore, há bastante coisa para aproveitar. O Sorveteiro não demonstra muita preocupação em poupar o espectador das imagens mais gráficas e utiliza a violência como um dos principais elementos da narrativa. Algumas sequências são bastante explícitas e mostram que o filme não pretende suavizar sua proposta.
Ao mesmo tempo, o exagero impede que a experiência se torne pesada o tempo inteiro. Em determinados momentos, a violência chega a um nível tão absurdo que acaba funcionando quase como uma piada. A sequência do lado de fora da escola, por exemplo, representa bem essa mistura entre choque e humor que o longa busca durante boa parte da história.
Particularmente, achei o resultado divertido dentro da proposta apresentada. Não é um filme que considero tão impactante quanto O Albergue, mas também não vejo isso como um problema. Comparar os dois apenas pela presença de Eli Roth e pelo excesso de violência seria ignorar justamente o que O Sorveteiro tenta fazer de diferente.
O longa funciona melhor quando deixa de lado qualquer tentativa de ser um terror tradicional e assume completamente sua mistura de gore, humor e absurdo. É nesse momento que a produção consegue encontrar personalidade e entregar algumas das situações mais interessantes da experiência.
No fim, o longa-metragem não é necessariamente um filme para quem procura um terror capaz de tirar o sono ou construir uma atmosfera realmente perturbadora. Sua força está em outra direção: oferecer uma experiência violenta, exagerada e, em vários momentos, divertida.
Vale a pena?
Se você gosta de gore, humor ácido e filmes que não têm medo de exagerar, O Sorveteiro tem boas chances de funcionar. Agora, se a expectativa é encontrar um terror mais sério, atmosférico e perturbador, talvez seja melhor ajustar as expectativas antes de dar o play.
Não é O Albergue. E, no fim das contas, talvez seja justamente essa a melhor coisa que o filme poderia ser.





















