Foto: Reprodução/ Internet

Se você terminou Deadly Class com aquela sensação de que a história ainda tinha muita coisa para acontecer, isso não é impressão. A série realmente foi encerrada cedo e não terá uma segunda temporada. Exibida originalmente pelo Syfy em 2019, ela acabou ficando pelo caminho mesmo com uma base de fãs fiel e bastante engajada.

O cancelamento não veio por falta de identidade ou de proposta. Pelo contrário. Deadly Class tinha estilo, tinha personalidade e sabia exatamente o tipo de história que queria contar. O problema foi outro, mais comum do que parece na indústria, e que muitas vezes pesa mais do que a qualidade em si.

Por que a série foi cancelada?

A resposta passa, principalmente, pelo dinheiro. A série era uma coprodução com a Sony Pictures Television, o que tornava tudo mais caro e, ao mesmo tempo, mais complicado de manter. Como o Syfy não tinha controle total sobre o projeto, a conta precisava fechar de um jeito mais rígido.

Isso significa que a audiência precisava ser alta o suficiente para justificar o investimento. E aí entra o ponto decisivo. Mesmo com elogios ao visual, às atuações e à proposta, os números não acompanharam o que o canal esperava. Quando isso acontece, a decisão costuma ser rápida.

Não foi exatamente falta de público, mas sim falta de volume. A série encontrou quem gostasse dela, mas não conseguiu alcançar gente suficiente para se sustentar. E, nesse tipo de produção, isso faz toda a diferença.

Sobre o que era a série?

Baseada nos quadrinhos de Rick Remender (Black Science, Tokyo Ghost, Uncanny X-Force) e Wesley Craig (Deadly Class, Batman, Grayson), publicados pela Image Comics, a série se passa no final dos anos 1980, mas não fica presa só à estética da época.

A história acompanha Marcus, um jovem sem rumo, cheio de raiva e completamente deslocado, que acaba sendo recrutado para a King’s Dominion. À primeira vista, parece uma escola como qualquer outra. Só que ali os alunos não estão aprendendo matérias comuns. Eles estão sendo treinados para se tornarem assassinos.

O grande conflito não está só nas missões ou na violência, mas dentro do próprio Marcus. Ele tenta sobreviver naquele ambiente brutal sem perder totalmente quem ele é. E isso, aos poucos, vai ficando cada vez mais difícil.

A série mistura ação com um drama bem mais íntimo, falando sobre identidade, pertencimento e escolhas que cobram um preço alto. Tudo isso com uma estética carregada de personalidade e uma trilha sonora que ajuda a construir o clima.

Quem estava no elenco?

O elenco foi um dos pontos que mais ajudaram a dar vida à série. Benedict Wong (Doutor Estranho, Perdido em Marte, Shang-Chi) trouxe presença para o papel do mestre Lin, enquanto Benjamin Wadsworth (Teen Wolf, Let the Right One In, Dad vs. Lad) segurou o peso do protagonista com um personagem cheio de conflitos.

Lana Condor (Para Todos os Garotos que Já Amei, X-Men: Apocalipse, Moonshot) também teve destaque como Saya, entregando uma personagem intensa e cheia de camadas. Ao lado dela, María Gabriela de Faría (Isa TKM, The Exorcism of God, Animal Control) trouxe uma energia completamente diferente, ajudando a equilibrar o grupo.

O elenco ainda contou com Luke Tennie (Players, Shrinking, Chicago P.D.), Liam James (The Way Way Back, The Killing, 2012) e Michel Duval (Diablero, Señora Acero, Herederos por Accidente), formando um conjunto que funcionava bem justamente por parecer imperfeito e humano.

Quem estava por trás da produção?

A adaptação foi conduzida por Rick Remender e Miles Orion Feldsott (Deadly Class, The Wilderness, Black Science), com produção executiva dos irmãos Anthony Russo e Joe Russo (Vingadores: Ultimato, Capitão América: Guerra Civil, Agente Oculto).

Esse time ajudou a dar à série uma identidade bem própria. Não era só mais uma história sobre jovens em perigo. Existia um cuidado com o tom, com a estética e com a forma como os personagens eram construídos.

Onde assistir?

Mesmo sem continuação, a primeira temporada de Deadly Class está disponível na Netflix. Isso facilita para quem quer conhecer a história hoje ou revisitar os episódios.

Ainda vale a pena assistir?

Essa resposta depende muito do que você espera. Se a ideia for acompanhar uma história com começo, meio e fim bem amarrados, talvez a experiência fique incompleta. A série deixa várias pontas soltas e claramente estava preparando algo maior.

Por outro lado, Deadly Class funciona muito bem no caminho. Os personagens são interessantes, os conflitos são reais e o clima da série prende. Não é sobre grandes reviravoltas o tempo todo, mas sobre escolhas, consequências e o peso de crescer em um ambiente onde errar pode custar tudo.

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