
Marco Rey já provou em outras histórias que sabe construir bons romances policiais, e Um Rosto no Computador confirma isso mais uma vez. O autor reúne novamente Leo, Gino e Ângela para investigar um desaparecimento cercado de perguntas, pistas improváveis e personagens que escondem mais do que aparentam. O resultado é uma leitura ágil, envolvente e difícil de largar depois dos primeiros capítulos.
A trama começa quando Camélia, uma adolescente de Salvador, viaja para São Paulo para participar de um concurso fotográfico de beleza realizado no luxuoso Emperor Park Hotel. Logo na inscrição, ela recebe uma orientação curiosa: deverá usar o nome artístico Lia Magno, uma forma de impedir que sua família descubra sua participação no evento.
À primeira vista, a mudança de nome parece apenas uma exigência da organização. Mas tudo muda quando a jovem vence o concurso e desaparece pouco depois da premiação, sem deixar qualquer explicação.
É aí que Leo, Gino e Ângela entram em cena. O trio passa a investigar o caso praticamente do zero, contando apenas com algumas pistas que parecem não fazer sentido: flores de camélia espalhadas pelo caminho e um cartão-postal enviado de Paris. Quanto mais eles tentam entender o que aconteceu, mais o quebra-cabeça parece complicado.
Um dos grandes méritos do livro é justamente a maneira como Marco Rey conduz essa investigação. Em vez de recorrer a perseguições exageradas ou revelações mirabolantes, o suspense nasce da observação dos detalhes. Cada conversa, cada objeto encontrado e cada novo personagem podem esconder uma peça importante da história.
Outro ponto que funciona muito bem é o ritmo. Os capítulos são curtos, os acontecimentos se encaixam naturalmente e quase sempre terminam deixando alguma pergunta no ar. É aquele tipo de livro que faz o leitor pensar: “só mais um capítulo”. Quando percebe, boa parte da história já ficou para trás.
Quem já conhece Leo, Gino e Ângela vai encontrar personagens mais maduros e seguros durante a investigação. Para quem está tendo o primeiro contato com o trio, isso também não é um problema. A história funciona de forma independente e apresenta os protagonistas de maneira bastante natural.
O cenário escolhido também ajuda a construir o clima do mistério. O glamour de um concurso de beleza contrasta com o desaparecimento da vencedora, criando uma sensação constante de que existe algo muito errado por trás daquele ambiente aparentemente perfeito. Aos poucos, a narrativa revela interesses escondidos, mentiras e pessoas que nem sempre são aquilo que demonstram.
A escrita de Marco Rey continua sendo um dos grandes diferenciais da obra. O texto é direto, leve e muito fácil de acompanhar. O autor evita enrolação e faz a investigação avançar o tempo todo, sem perder espaço com descrições desnecessárias. Isso deixa a leitura dinâmica e mantém a curiosidade viva até o desfecho.
Mesmo sendo um livro voltado ao público jovem, Um Rosto no Computador conversa tranquilamente com leitores de qualquer idade. O mistério é bem construído, os personagens têm personalidade e a solução do caso surge de forma coerente, aproveitando pistas que estavam espalhadas pela narrativa desde o início.
















