A Sessão da Tarde desta segunda-feira, 20 de abril, exibe o premiado longa brasileiro Que Horas Ela Volta?, dirigido por Anna Muylaert. A escolha coloca novamente em evidência um filme que, mesmo anos após o lançamento, segue atual ao abordar temas como desigualdade social, relações de trabalho e os laços familiares atravessados pela distância.

Lançado em 2015, o longa rapidamente se destacou dentro e fora do Brasil por sua narrativa direta e sensível. A trama acompanha Val, personagem de Regina Casé, uma mulher pernambucana que deixa a filha no Nordeste para trabalhar como empregada doméstica em São Paulo. Ao longo dos anos, ela constrói uma vida estável na casa dos patrões, desenvolvendo uma relação próxima com o filho da família, mas carregando o peso da ausência na criação da própria filha.

Esse equilíbrio começa a mudar quando Jéssica, interpretada por Camila Márdila, decide ir à capital paulista para prestar vestibular. A jovem chega com outra visão de mundo, mais assertiva e menos disposta a aceitar as barreiras sociais que estruturam a rotina da casa onde a mãe trabalha. Sua postura cria desconforto imediato, especialmente para a patroa Bárbara, vivida por Karine Teles.

A convivência entre as personagens revela tensões que estavam naturalizadas. O que antes parecia harmonia passa a ser questionado em pequenos gestos: o uso de determinados espaços da casa, a forma de se sentar à mesa ou até a maneira de se dirigir aos patrões. Jéssica, ao não reconhecer essas divisões como legítimas, expõe uma estrutura social baseada em limites silenciosos, mas rígidos.

O filme se destaca justamente por não recorrer a exageros. A crítica social aparece no cotidiano, nos detalhes, nas pausas e nos olhares. A relação entre Val e os patrões, por exemplo, é marcada por uma cordialidade que esconde desigualdades profundas. Há afeto, mas também há hierarquia — e é nesse contraste que o roteiro ganha força.

Outro ponto central da narrativa é o impacto da escolha de Val de migrar em busca de melhores condições de vida. A decisão, comum a muitas famílias brasileiras, traz consequências emocionais duradouras. O reencontro com a filha não acontece de forma idealizada; pelo contrário, é atravessado por ressentimentos, diferenças de visão e tentativas de reconstrução de vínculo.

“Que Horas Ela Volta?” também coloca em discussão o papel da educação como possibilidade de mudança social. Ao disputar uma vaga na universidade pública, Jéssica simboliza uma geração que questiona estruturas antes vistas como imutáveis. Sua presença não apenas altera a dinâmica da casa, mas também provoca reflexões na própria mãe, que passa a enxergar sua posição de outra forma.

O reconhecimento do filme ultrapassou as fronteiras nacionais. A produção teve estreia internacional no Festival de Sundance, nos Estados Unidos, e circulou por diversos países antes de chegar oficialmente aos cinemas brasileiros. Também foi escolhida para representar o Brasil na disputa por uma vaga no Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2016.

Além disso, o longa recebeu destaque de entidades importantes da crítica internacional, consolidando-se como uma das produções brasileiras mais relevantes dos últimos anos. No país, foi amplamente debatido e passou a integrar listas de melhores filmes nacionais, reforçando seu impacto cultural.

Na terça, 21 de abril, a emissora traz um drama épico baseado em fatos reais que promete emocionar o público. O longa Todos Somos Heróis retrata as devastadoras enchentes que atingiram o estado de Kerala, na Índia, em 2018, e mostra como pessoas comuns se tornaram protagonistas de atos extraordinários diante do caos.

Dirigido por Jude Anthany Joseph, o filme mistura diferentes histórias que se cruzam em meio a uma das maiores tragédias naturais da história recente do país. A produção aposta em um olhar humano sobre o desastre, destacando não apenas a destruição, mas principalmente as reações de solidariedade e resistência.

A narrativa acompanha diversos personagens de origens distintas, cujas trajetórias acabam conectadas pelas enchentes. Entre eles está Anoop, vivido por Tovino Thomas, um ex-militar que tenta reconstruir a vida enquanto lida com traumas do passado. Em paralelo, outras figuras ganham espaço, como o caminhoneiro Sethupathi, interpretado por Kunchacko Boban, e diferentes moradores que enfrentam desafios pessoais antes mesmo da chegada da tragédia.

Quando as chuvas se intensificam e as águas começam a invadir cidades inteiras, essas histórias individuais passam a convergir. O que antes eram conflitos particulares, familiares, emocionais ou financeiros, dá lugar a uma luta coletiva pela sobrevivência.

O filme constrói esse cenário de forma gradual, mostrando como o desastre impacta não apenas estruturas físicas, mas também relações humanas. Casas são destruídas, famílias se separam e comunidades inteiras precisam se reorganizar diante da emergência.

Um dos pontos centrais da obra é a maneira como pessoas comuns assumem papéis fundamentais durante a crise. Pescadores, motoristas, trabalhadores e voluntários se mobilizam para resgatar vítimas, distribuir mantimentos e salvar vidas, muitas vezes colocando-se em risco.

A figura de Anoop ganha destaque nesse contexto. Ao longo da trama, o personagem se envolve diretamente nas operações de resgate, ajudando desconhecidos e demonstrando coragem em situações extremas. Sua trajetória simboliza o espírito coletivo que marcou aquele momento real vivido em Kerala.

Ao mesmo tempo, o filme evita transformar seus personagens em heróis idealizados. Pelo contrário, mostra suas fragilidades, medos e contradições, o que torna a narrativa ainda mais próxima da realidade.

Lançado em 2023, o longa se tornou um fenômeno de bilheteria na Índia, alcançando números expressivos e conquistando espaço entre as maiores produções do cinema malaiala. O sucesso também veio acompanhado de reconhecimento crítico, com elogios à direção, às atuações e à forma como a história foi conduzida.

A produção foi escolhida como representante oficial da Índia na disputa por uma vaga no Oscar de Melhor Filme Internacional, reforçando seu alcance global. Embora não tenha garantido indicação, o filme ampliou a visibilidade do cinema regional indiano e chamou atenção pela abordagem universal de um tema que ultrapassa fronteiras.

A Sessão da Tarde desta quarta, 22, apresenta o filme Um Senhor Estagiário, uma comédia dramática que aborda relações profissionais e pessoais a partir do encontro entre diferentes gerações.

A história acompanha Jules Ostin, personagem de Anne Hathaway, uma jovem empresária que lidera um site de vendas de roupas em rápido crescimento. Com uma rotina intensa, ela se divide entre decisões estratégicas e a gestão de uma equipe numerosa, mantendo contato direto com funcionários e clientes.

A dinâmica da empresa muda quando é implantado um programa de estágio voltado para idosos. É nesse contexto que surge Ben Whittaker, vivido por Robert De Niro, um viúvo de 70 anos que decide voltar ao mercado de trabalho em busca de um novo propósito.

A chegada de Ben provoca um contraste imediato com o ambiente acelerado da empresa. Enquanto a equipe é formada majoritariamente por jovens conectados à tecnologia e à agilidade do mercado digital, ele apresenta uma postura mais tranquila, baseada na experiência e na observação.

Com o passar do tempo, o estagiário conquista espaço entre os colegas. Sua postura respeitosa e sua disposição em ajudar fazem com que ele se torne uma presença importante no cotidiano da equipe, ultrapassando a condição inicial de novato.

A relação entre Ben e Jules ganha destaque ao longo da narrativa. Inicialmente distante, a convivência evolui para uma parceria marcada pela confiança. Ele passa a oferecer apoio em momentos de pressão, enquanto ela encontra nele uma escuta atenta diante dos desafios da liderança.

O filme também apresenta as dificuldades enfrentadas pela protagonista para equilibrar a vida profissional e pessoal. A pressão por resultados e o crescimento acelerado da empresa expõem fragilidades que vão além do ambiente corporativo.

Dirigido por Nancy Meyers, o longa aposta em situações cotidianas para construir uma narrativa acessível. A história se desenvolve sem excessos, focando nas relações humanas e nos aprendizados que surgem a partir delas.

Já na quinta, 22 de abril, a TV Globo apresenta o filme Os Inventores, drama inspirado em fatos reais que combina superação, educação e ciência. Conhecido originalmente como Spare Parts, o longa acompanha a trajetória de quatro estudantes apaixonados por robótica que decidem enfrentar um dos desafios mais difíceis de suas vidas: competir em um torneio promovido pela NASA.

A produção, dirigida por Sean McNamara, traz uma narrativa baseada em acontecimentos verídicos e destaca o poder transformador da educação, especialmente quando aliados à persistência e ao trabalho em equipe.

A história se passa em uma escola pública nos Estados Unidos, onde um grupo de estudantes de origem hispânica encontra na robótica uma forma de sonhar com um futuro diferente. Mesmo sem estrutura adequada, equipamentos modernos ou apoio financeiro, os jovens demonstram interesse pela área e começam a desenvolver projetos com o que têm à disposição.

O incentivo vem de um professor, interpretado por George Lopez, que decide orientar os alunos e inscrevê-los em uma competição nacional de robótica subaquática. A proposta parece ousada desde o início, principalmente porque os adversários contam com investimentos altos, laboratórios equipados e equipes experientes.

Ainda assim, o grupo decide seguir em frente. Sem acesso a materiais sofisticados, eles improvisam, reutilizam peças e constroem seus protótipos de forma criativa. A limitação de recursos, em vez de ser um obstáculo definitivo, acaba estimulando soluções inovadoras.

Ao longo da preparação, os estudantes enfrentam dificuldades que ultrapassam o ambiente escolar. Muitos deles lidam com questões pessoais delicadas, incluindo inseguranças, pressões familiares e incertezas sobre o futuro. A condição de imigrantes também adiciona uma camada extra de complexidade à trajetória do grupo.

Esses elementos tornam a narrativa mais densa, mostrando que o desafio não está apenas em construir um robô competitivo, mas em superar barreiras sociais e emocionais. O filme trabalha essas questões sem perder o foco na jornada coletiva, reforçando a importância da união entre os personagens.

A presença da diretora da escola, interpretada por Jamie Lee Curtis, também contribui para o desenvolvimento da história. Inicialmente cética, ela passa a reconhecer o potencial dos alunos à medida que o projeto ganha forma.

Um dos principais méritos de “Os Inventores” está na forma como apresenta a ciência de maneira acessível. A robótica, que poderia parecer distante da realidade de muitos estudantes, surge como um campo possível, desde que haja incentivo e oportunidade.

O filme mostra que o aprendizado não depende apenas de infraestrutura, mas também de curiosidade, dedicação e orientação adequada. Ao retratar jovens que constroem soluções a partir de materiais simples, a narrativa reforça a ideia de que a criatividade pode compensar a falta de recursos.

Para fechar a programação da semana, a Sessão da Tarde exibe o filme Tomb Raider: A Origem, produção que marca o retorno de uma das personagens mais conhecidas dos games ao cinema. O longa apresenta uma releitura da clássica aventureira Lara Croft, agora em uma abordagem mais realista e centrada na construção da personagem.

Estrelado por Alicia Vikander, o filme acompanha os primeiros passos da protagonista antes de se tornar a exploradora destemida conhecida pelo público. A narrativa aposta em uma jornada de autodescoberta, marcada por desafios físicos e emocionais.

A história começa com Lara vivendo de forma independente em Londres, distante da fortuna da família. Filha de um aventureiro desaparecido, ela evita assumir os negócios herdados e prefere levar uma vida simples, trabalhando e tentando seguir em frente sem respostas sobre o paradeiro do pai.

Esse cenário muda quando ela encontra pistas que indicam o último destino de Lord Richard Croft, interpretado por Dominic West. Determinada a descobrir a verdade, Lara decide embarcar em uma jornada arriscada que a leva a uma ilha remota, onde acredita que o pai tenha desaparecido.

Ao chegar ao local, ela se depara com um ambiente hostil e cheio de perigos. A busca por respostas rapidamente se transforma em uma luta pela sobrevivência. Durante a missão, Lara precisa enfrentar adversários, desvendar mistérios e testar seus próprios limites.

O antagonista da história, vivido por Walton Goggins, representa uma ameaça constante ao longo da trama. Sua presença intensifica o clima de tensão e coloca a protagonista em situações extremas.

Diferente das versões anteriores da personagem no cinema, o filme aposta em uma Lara Croft mais humana e vulnerável. A protagonista não surge como uma heroína pronta, mas como alguém em processo de formação, que aprende com os erros e evolui ao longo da narrativa.

A direção de Roar Uthaug busca equilibrar cenas de ação com momentos de desenvolvimento pessoal. O resultado é uma história que mistura aventura clássica com elementos mais dramáticos, explorando as motivações da personagem.

Inspirado no reboot dos jogos lançado em 2013, o longa também incorpora elementos de sobrevivência e exploração, aproximando a experiência do cinema à proposta mais moderna da franquia nos videogames.

O filme teve boa performance nas bilheterias internacionais, ultrapassando a marca de 270 milhões de dólares arrecadados mundialmente. A recepção da crítica foi dividida, mas a atuação de Alicia Vikander foi frequentemente apontada como um dos pontos fortes da produção.

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